Numa das edições do The New York Times de 2020, um artigo assinado pela Tara Parker-Porter, escritora especializada em saúde e bem-estar das pessoas. Tara foi atrás, ouviu cientistas e acabou por identificar quebra-galhos pela ausência provisória dos abraços. Quatro possibilidades para abraços em tempos em que o abraço verdadeiro está proibido.

1 – Jamais abrace de frente, porque os rostos ficam muito próximos.
2 – Sempre que o abraço for irrefreável e compulsivo, vire o rosto.
3 – Nunca se abaixem – se resistir, claro – para abraçar uma criança. Deixem que ela abrace suas pernas. Apenas.
4 – E na falta do abraço, beije. Beije as pessoas na nuca, nem na testa e muito menos na boca. Socorro!

“Semanas atrás, num final de tarde, e depois de quase quatro meses de distância, só falando, vendo e me emocionando pelo Zoom,” conta o Madia, “reencontrei-me com meus quatro adorados netinhos e, que me desculpem os profissionais da saúde, e eventualmente outras pessoas que poderão dizer que sou irresponsável, permaneci abraçado com os quatro durante muitos, prolongados e infinitos minutos…”.

Já no território dos negócios, antes da Covid e em tempos de normalidade, muitos autores escreveram livros recomendando às empresas abraçarem seus clientes. O mais conhecido de todos o de Jack Mitchell, Hugh Your Customers – Abraçe seus Clientes.

Jack, chairman de uma rede de lojas – Mitchell Stores – há três gerações sob o comando de uma mesma família, e com lojas em Connecticut, New York, Califórnia, Washington e Oregon. No seu livro clássico, Abrace seus Clientes, ensina:

A – A melhor maneira de abraçar sempre seus clientes é descobrindo e antecipando-se ao que verdadeiramente querem. Eles se sentirão abraçados.
B – Esteja sempre disponível todas as vezes que seus clientes precisarem conversar com você. Eles se sentirão abraçados.
C – Trate todos os seus clientes como se estivesse diante de reis e rainhas. Eles se sentirão abraçados.
D – Facilite o acesso de seus clientes a todos os seus produtos e serviços. Eles se sentirão abraçados.
E – Agora, e em tempos de digital, facilite o acesso de seus clientes a todas as informações e orientações que precisam quando distantes. Eles se sentirão abraçados.
F – Ensine, treine e motive toda a sua equipe que faça rigorosamente o mesmo que você faz. Os clientes se sentirão abraçados.

Ou seja, amigos, nos negócios não só não está proibido como é mais que recomendado o abraço. Ensina Jack, “Um abraço é físico, mas também pode não ser”. Existem outras maneiras de se abraçar as pessoas que amamos. Por exemplo, em relação a nossos clientes, retribuir sua preferência com nossa permanente atenção. Adote essas três letrinhas H, U, G, como o mote de seus negócios e de sua vida. Abraçar, em todos os sentidos e direções, continua sendo a melhor maneira de conquistar e preservar clientes. Assim, “abrace seus clientes sempre”.

Em tempos que abraços estão proibidos jamais se esqueça de que todos os seres humanos amam serem acolhidos com simpatia e amor, sempre. E a melhor forma de acolhê-los, é através de algum dos tipos de abraços de Jack Mitchell!

Já quanto as nossas vidas, amigos, pais, filhos, netos, avós, bisavôs, tataravôs, preparem-se. Mais alguns meses, espero, e ingressaremos na temporada dos abraços. A maior e mais radical temporada de abraços dos tempos modernos. Tô dentro. E a trilha musical mais que preparada. Claro, Beijinho Doce, composição antológica e monumental de Nhô Pai. Gravada pela primeira vez em 1945, pelas Irmãs Castro. E imortalizada cinco anos depois no filme Aviso aos Navegantes, cantada pela Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo.

Tínhamos escolhido a gravação do Tonico e Tinoco, mas uma matéria na CNN semanas atrás e decidimos ficar com as Irmãs Galvão para a abertura da Temporada de Abraços… Vamos nessa?

“Que beijinho doce, foi ele quem trouxe de longe pra mim
Se me abraça apertado, suspira dobrado, que amor sem fim…”.

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