Autor: Francisco Madia

Negócio

De que adiantam salgadinhos no café…

Nos últimos dias, boa parte das pessoas passa metade do tempo querendo saber sobre as últimas do Coronavírus, e a outra metade arrumando alguma coisa para fazer. Escolas fechando, shoppings às moscas, jogos de futebol sem torcida, no início, sem jogos, agora, restaurantes à mingua e só cozinhando para entrega, e desabituada do hábito da leitura – infelizmente a maioria da população – e cansada de ver TV, Netflix, conversar e palpitar no Whatsapp ou ficar olhando na grande avenida global que é o “Feice”, começam a ter ideias e refletirem sobre o ócio, vazio, nada. E isso acontece também com a imprensa e formadores de opinião. E as teses mais esdrúxulas e sem sentido vão ganhando corpo. E se as pessoas não tiverem um mínimo de discernimento e capacidade de análise, embarcam em canoas mais que furadas. No The New York Times, Kevin Roose, colunista de tecnologia do jornal, e criando clima para o lançamento de seu novo livro, entrou no ritmo e produz uma tese. A tese da importância do canto do cafezinho nas empresas, onde executivos de diferentes áreas se encontram, e, como que por milagre, as cabeças fervilham e produzem inovações monumentais. Em território árido e desprovido de qualquer estímulo que seja só brota mediocridade e irrelevâncias. Além de piadas toscas e muito bullying. Não há canto do cafezinho capaz de produzir qualquer milagre que seja. Segundo Kevin, o home office compulsório, em decorrência do Coronavírus, e que determinou o fechamento de dezenas de milhares de espaços de trabalho nas empresas, jogou as pessoas para suas casas, para o trabalho a distância, para um compulsório Home Office. E assim, e distantes do canto do cafezinho, nos próximos períodos e quando tudo voltar ao normal, as pessoas estarão debilitadas mais que economicamente, por uma ressaca de inovação. E disse mais, “os que defendem o trabalho a distância alegam serem as pessoas, trabalhando de suas casas, mais produtivas do que os que trabalham em escritório e presencialmente…”. Mas, contrapõe, dizendo, “Pesquisas demonstram que aquilo que os trabalhadores a distância ganham em termos de produtividade perdem em benefícios mais difíceis de mensurar, como a criatividade e o pensamento inovador. Estudos constataram que pessoas que trabalham juntas em uma mesma sala tendem a resolver problemas mais rápido do que os que colaboram remotamente…”. E aí cita Bill Gates, Steve Jobs, Laszlo Bock, professores de Harvard e muito mais como pessoas adeptas do trabalho presencial. Esqueceu-se de um pequeno e decisivo detalhe. Irrelevante trabalhar juntos ou a distância, se a empresa não induz, de forma permanente, incansável, crescente e decidida, uma Cultura de Inovação independente do lugar onde trabalhem seus colaboradores. Induzir uma Cultura de Inovação é o pressuposto, a condição inicial, básica e definitiva. Pessoas podem trabalhar juntas ou separadas, presencialmente ou a distância. E o resultado pode ser rigorosamente o mesmo: medíocre. Existindo uma Cultura de Inovação, aí sim, e independente de Coronavírus ou todos os demais acidentes de percursos, todos os dias e em todos os momentos, em tudo que seu capital humano pensa, planeja e faz, sente-se o exalar do Aroma ou Perfume a Inovação. O único que garante perspectivas de sobrevivência, prosperidade, e perenização para todos os tipos de empresa de qualquer porte e inovação. Assim, antes, depois, e sempre, com o Coronavírus ou sem, presencialmente ou a distância, existindo uma Cultura de Inovação sobrevive e prospera a esperança. Sem cultura de inovação a proximidade só agrava. Apenas multiplica, escala e exponencia a mediocridade. Como nos ensinou Djavan, em Flor de Lis, e na inexistência de uma cultura de inovação, “Meu jardim da vida ressecou, morreu… do pé que brotou Maria nem margarida nasceu…”. Nem nasceu nem nascerá, por maior que seja a quantidade e variedade de salgadinhos nos cantos do café das empresas…
Negócio

Os Menin

Volta e meia, em intervalos de anos ou década, uma família ocupa a cena e passa a chamar a atenção de todos. Desde a crise descomunal do mercado imobiliário, 2015 a 2018, uma família pontificou pela razão que uma de suas empresas, a MRV, constituiu-se na única, exclusiva e brilhante exceção. Enquanto quase todas as demais naufragavam, a MRV nadava em recordes e recordes de vendas e lucratividade. Enquanto as principais cravavam suas fichas em imóveis para a classe média ou mercado corporativo, a MRV apostava tudo na chamada Minha Casa Minha Vida. De forma precisa e consistente, tomou conta do território. A trajetória de sucesso dos Menin começa em meados dos 1970. Filho de família de classe média, Rubens Menin, sempre esteve no sangue a vocação para edificar. Seu avô paterno era engenheiro especializado em hidrologia tendo construído mais de 30 pequenas centrais hidrelétricas, e seu pai Geraldo e sua mãe Moura também eram apaixonados por engenharia. Rubens começa como estagiário na Vega Engenharia que pertencia a um de seus primos. Forma-se em engenharia civil em 1978 pela Universidade Federal de Minas Gerais, e em 1979 junta-se a própria Vega Engenharia, a seu irmão Sergio Menin Teixeira de Souza, e nasce a MRV. Hoje Rubens, presidente do conselho, 63 anos, tem a companhia de seus 3 filhos, Rafael, Maria Fernanda e João Vitor, assim como seu irmão Sergio e sobrinhos Eduardo, Sergio e Ana Tereza. Em 1994, cria o Banco Inter, em 2009 a Log – construção e locação de galpões industriais, e no dia 9 de março, decolou com sua incursão pela mídia, sendo o franqueado da CNN para o Brasil. Por enquanto seus negócios caminham bem. Mas a dimensão dos investimentos que vem realizando para montar e colocar no ar a CNN Brasil, num momento onde as plataformas de mídia definham, começa a gerar preocupações. Pessoas próximas à família comentam sobre a preocupação pelo fato do orçamento para a montagem ter mais que dobrado as previsões iniciais. Ser franqueado da CNN em nosso país foi uma decisão que ele, Rubens Menin, tomou em apenas 48 horas.   No estilo Masayoshi Son, do SoftBank que investe bilhões em questão de minutos. E meses depois descobre erros sucessivos. E muitos especialistas comentam que, se Menin respirasse, e esperasse no mínimo uma semana antes de decidir, provavelmente não teria feito negócio. Assim, continuaremos acompanhando com atenção e até torcendo pelo empresário brasileiro que apostou num dos supostamente piores e mais arriscados negócios da atualidade. Assim, e mais que nunca, a família Menin, seus diferentes empreendimentos, é a família de empresários a ser acompanhada! Pelo retrospecto espetacular, e por um investimento, no mínimo, temerário. Repito, todos torcendo pelos Menin. Que decolaram com o mais importante investimento de suas vidas, no exato momento em que o Coronavírus invadia o Brasil: Março de 2020.
Negócio

CNN Brasil

Nos últimos 12 meses o que mais perguntaram aos consultores do MadiaMundoMarketing diz respeito a notícias sobre uma surpreendente exceção. Em plena crise monumental das mídias convencionais, um empresário que jamais passou pelo jornalismo decidiu investir muito dinheiro, e tornar-se o franqueado da CNN em nosso país. Criando e lançando, a CNN Brasil. Poderia até parecer exagerado, mas, no momento onde 98% das plataformas clássicas de comunicação, jornais, revistas, rádios, emissoras de televisão, há 5 e mais anos, não fazem outra coisa que não seja reduzir, diminuir, cortar, eliminar, demitir, eu disse todas, inclusive a maior de todas, a Globo que quase todos os dias anuncia um novo corte, sem mencionar o naufrágio da Abril, a CNN Brasil converteu-se numa ilha de esperança – a única – que contrata, investe, equipa-se, treina, ensaia, e decola com toda pompa e circunstância, e carregada das melhores expectativas; e, claro, torcida da quase totalidade das pessoas, em especial dos profissionais dos veículos de comunicação – do editorial, do comercial, da produção. A sede da CNN Brasil ocupa 4.000 metros quadrados na avenida Paulista, com mais duas sedes menores – menores em tamanho não em importância – no Rio e Brasília, e correspondentes nas principais capitais do país e do mundo. O prédio escolhido por Rubens Menin é o mesmo onde durante anos brilhou um outro empresário também de Minas, Aloysio Faria, com seu Banco Real, e que faleceu semanas atrás, agora devidamente retrofitado e modernizado. Dos 4.000 metros quadrados, 800 reservados aos estúdios. Num momento onde as notícias só falam de enxugamentos e despedidas, a CNN Brasil decolou com 450 funcionários e 160 jornalistas. E não para de contratar. No comando executivo da CNN Brasil, como sócio e CEO, o jornalista e empreendedor Douglas Tavolaro. Em matéria exclusiva e reveladora, antecipando-se a todas as demais publicações, logo na decolagem e na revista Propaganda, Tavolaro posicionou a CNN Brasil. O que levou – a ele – Tavolaro, a aceitar o Desafio “Como poderia não abraçar um projeto de implantar no Brasil a maior marca de jornalismo do mundo? Absolutamente impossível e irrecusável. Sou grato à TV Record por tudo que vivi lá e pelas amizades que fiz. A honra agora é ser parte de um canal que pretende fazer jornalismo com correção e qualidade para informar melhor.”Posicionamento Editorial da CNN Brasil “Faremos jornalismo profissional: isento, transparente, rigoroso. O que nos move é o interesse da sociedade. Checaremos rigorosamente todas as informações e contemplaremos a pluralidade de opiniões, através de nossos analistas com isenção e equilíbrio.” Foi o que disse o Tavolaro sobre a CNN Brasil. Já na decolagem a CNN Brasil fez-se presente nas principais plataformas. Mediante aplicativo, site, newsletter, podcasts, assistente de voz, Facebook, YouTube, Instagram, Twitter, LinkedIn, e, claro, Pay TV e plataforma de streaming e OTT. Se a sorte e Deus abençoam e protegem os alucinados, sob determinados aspectos, fazer-se neste momento da crise conjuntural brasileira, e crise estrutural global um movimento dessa dimensão, é de uma coragem única. Mas, jamais podemos perder de vista o que a vida nos ensinou. Primeiro o que se disse durante décadas, a partir de um discurso de John F. Kennedy, que o ideograma Crise em chinês é composto por dois caracteres: um representa o perigo, e o outro, oportunidade. Ou seja, e se estamos em crise e estamos, certamente existem oportunidades pelo ar e talvez a CNN Brasil tenha engatado numa dessas oportunidades. Por outro lado, mais que qualquer outro país, a própria China de hoje é quem mais dá sentido e tangibiliza o Ideograma. Caminha, inexoravelmente, para a liderança mundial. E por outro lado, ainda, todas as plataformas de comunicação de nosso país encontram-se, com raríssimas exceções, mergulhadas em profunda crise. Muito especialmente, aquela que liderou o jornalismo político e econômico do Brasil, a Rede Globo, que substituiu, décadas atrás, e ocupando o mesmo espaço do Repórter Esso, com seu Jornal Nacional. E de 30 anos para cá, fortalecendo sua liderança com a Globo News. Neste exato momento o Jornal Nacional revela traços indisfarçáveis de que se aproxima do fim, mais que carente de um reposicionamento radical, e a Globonews vive uma crise monumental de identidade na medida em que concentra quase 100% de seu jornalismo a fuzilar Bolsonaro 24×24. Esquecendo-se de outras pautas e editoriais. Por que não a CNN Brasil não ocupar o espaço? E como se costuma dizer, azar de goleiro, no caso o goleiro é a Globo, e sorte de atacante, no caso a CNN Brasil, decolou no exato momento em que eclodiu a primeira grande crise das últimas décadas: a do Coronavírus. O que faz que várias vezes, no correr de um mesmo dia, milhões de pessoas apertem em seus controles remotos o número 577, e deem uma conferida, e “degustem”, e muitos acabam permanecendo minutos, horas, na plataforma que mal completou seus primeiros meses de vida. Sob esse aspecto, e pelas forças das circunstâncias, e mesmo sendo um pesadelo para todos nós e para toda a equipe de profissionais da própria empresa, a CNN decolou no momento certo. No olho da crise. E se crise é oportunidade, e é, não poderia existir melhor momento para sua decolagem. Não obstante todos os tropeços próprios – oscilações e balanços de toda a decolagem – as primeiras impressões da CNN Brasil são as melhores possíveis. CHEGOU NA HORA CERTA!
Negócio

O maior carnaval do Brasil… Pra tudo terminar na quarta–feira, mesmo!

Tom e Vinicius cantavam, “Tristeza não tem fim, felicidade sim… pra tudo se acabar na quarta-feira”. Era assim, não é mais, não acaba mais na quarta, avança para uma ou duas semanas depois da quarta-feira de cinzas. E assim foi no Carnaval de 2020. O maior carnaval de todos os tempos da cidade de São Paulo, o da última semana de fevereiro de 2020, recorde absoluto de público e blocos, entrou para a história, na visão de muitos, e também, e agora se sabe, como o epicentro da crise do Coronavírus. Onde começou a eclodir a contaminação. Ô balancê, balancê… Sem saber, sem querer, sem planejamento de qualquer espécie, a cidade de São Paulo converteu-se, e hoje com enorme vantagem, no maior carnaval do Brasil. Não dissemos MELHOR; e, sim, MAIOR. E não vemos no horizonte qualquer outra cidade capaz de arrebatar essa conquista de São Paulo. O último Carnaval da década de 2010 – para os que seguem os fundamentos e acreditam que 2020 é o último ano da década –, Ou o primeiro Carnaval da nova década, dos 2020 – para os que como eu acreditam que a década começa agora e no zero – consagrou definitivamente a cidade de São Paulo como aquela que teve e continuará tendo, e agora que decolou, o maior carnaval do Brasil. Tudo a ver com as migrações de décadas, com as concentrações populacionais nas grandes metrópoles do mundo, com a multiplicação de tribos num mesmo espaço, e que devidamente consolidadas, e com plataformas de comunicação que as preservam conectadas 24X24, e da troca de ideias e pensamentos, blocos foram emergindo de todas as frestas, buracos, vilas, vielas, travessas, bairros da cidade, e simultaneamente, e pelo digital, mais e muito blocos multiplicando-se por diferentes afinidades. E deu no que deu. Sem planejamento, e naturalmente, em 20 anos o túmulo do Samba, como um dia brincou Vinicius, do zero e do tédio virou uma explosão. De alegria, felicidade, bagunça, sujeira, alegria, sexo, rock´n´roll e todos os demais ritmos. Foi assim. E agora é. Ou era, até meses atrás. Será? Solitários e isolados membros de tribos que em suas cidades não passavam de meia dúzia, pegam carro, trem, avião, e vêm integrar suas tribos em outras bases, números e dimensões. E a cidade de São Paulo converte-se, durante a semana do Carnaval, no maior mosaico de cores, crenças, preferências e comportamentos de todo o Brasil, e talvez, uma das três mais completas manifestações já e agora, e em todo o mundo. Os números são superlativos. De meia dúzia de blocos 20 anos atrás para 464 em 2019 e 796 que protagonizam 861 desfiles neste pandêmico 2020. Difícil alguém com alguma preferência específica sob qualquer ângulo e aspecto não encontrar seu bloco, sua turma, sua tribo. De dezenas de milhares de 20 anos atrás para 15 milhões de pessoas, gastando, na soma de todos os dias, R$ 2,6 bilhões. É isso, amigos. Agora, a ex-terra da garoa, ex-túmulo do samba, sem querer e muito menos planejar, converteu-se no maior e mais completo Carnaval do Brasil. E pelos números, e sem medo de errar, no Maior Carnaval do Mundo. E com esse reconhecimento e repercussão, em todos os anos desta nova década crescendo ainda mais e atraindo turistas de todas as regiões da terra. Claro, depois de dar um chega pra lá definitivo no vírus. Ou seja, perigava o Carnaval espontâneo e natural de São Paulo, converter-se no magneto que estava faltando para a decolagem do turismo de passeio na cidade. Uma cidade que viveu todos os últimos 50 anos do chamado turismo de negócios. E aí, terminado o Carnaval, há pouco mais de nove meses, começaram e já pararam os planos face a pandemia. Talvez, mais que na hora dos gestores da cidade e do estado começarem a planejar o como transformar essa circunstância que brotou espontaneamente, a de São Paulo, O Maior Carnaval do Mundo, em um atrativo permanente para a cidade, muito especialmente para mais de 40 finais de semana onde os hotéis permanecem às moscas. Como aprendemos e é mais que comprovado pela história e vida, CAVALO SELADO SÓ PASSA UMA ÚNICA VEZ, ou, CAVALO DADO NÃO SE OLHA OS DENTES, ou O OLHO DO DONO É QUE ENGORDA O CAVALO, ou QUEM NASCEU PRA BURRO NÃO CHEGA A CAVALO, ou CAVALO BOM E HOMEM VALENTE A GENTE SÓ CONHECE NA CHEGADA, ou, O CAVALO É PARA O HOMEM COMO AS ASAS PARA UM PÁSSARO, ou, ENQUANTO HOUVER CAVALO SÃO JORGE NÃO ANDARÁ A PÉ… Enfim, escolha o ditado que quiser, mas mais que na hora, PENSAVAM MUITOS, das autoridades do turismo da cidade de São Paulo pegarem uma carona nesse cavalo selado que apareceu e que se chama CARNAVAL, e finalmente trazerem para a cidade e estado o turismo de passeio, alegria, diversão. Todas as semanas no ano, e não apenas e tão somente, em uma única semana. Cidade e hotéis lotados nos finais de semana, também… Mas, dias depois, e a propósito do maior Carnaval do mundo… Coronavírus… Repetindo, e segundo muitos, o lugar ideal e sonhado por um tal de Covid-19. Onde deitou e relou. O maior Carnaval do mundo nunca mais será o mesmo. Por dois ou três anos. Mas, depois… Sai da frente! Planos de Carnaval todos os finais de semana provisoriamente adiados… Mas, vamos deixar anotado.
Negócio

Revolução nos livros: Mercado de segunda mão!

Podem nos cobrar. Ainda um dia, não tão distante de hoje, todos nós seremos testemunhas do resgate dos livros. As pessoas voltarão para os livros como jamais aconteceu em qualquer momento. E a Amazon deu uma baita mão, uma segunda mão, nessa direção. Uma das mais importantes contribuições que a Amazon deu para o negócio dos livros foi a de garantir modernidade, acessibilidade e relevância ao mercado de livros usados. Uma espécie de mercado de segunda mão, como existe há décadas no mercado de outros produtos, como no dos automóveis. Originalmente a Amazon, apenas no início, só vendia livros novos. Rapidamente Bezos intuiu que precisava oferecer algum tipo de contribuição para dar novas e maiores dimensões ao business e a seu negócio. E, em se convertendo, gradativamente, de Amazon Books, em apenas Amazon, de livraria virtual em Marketplace, passou a vender livros para outras livrarias e pessoas, ou seja, colocando praticamente todos os livros – novos e usados, na prateleira do mundo. E mais que deu certo. E com a comercialização acessível e democrática dos livros usados, Bezos deu acesso aos livros, a uma quantidade infinitamente maior de pessoas que não dispunham de dinheiro para comprar, exclusivamente, livros novos. Ou seja, e de certa forma, reinventando o negócio dos livros, e criando uma espécie de marco divisor. O business de livros AA, e DA. Antes da Amazon, e depois da Amazon. Antes da Amazon quem quisesse livros usados tinha que descobrir os endereços dos sebos, ir até lá, tentar encontrar o livro que procurava, e ainda pagar caro por ser tratado o livro usado mais como raridade, do que livro usado. Referenciando-se na história da Amazon, e aproveitando-se da quebra da Livraria Cultura, meses atrás a Luiza decidiu seguir o mesmo caminho. Comprou em leilão por R$ 31 milhões a Estante Virtual, uma espécie de Amazon da Cultura. Assim, e pedaço a pedaço, a Luiza vai se convertendo de uma loja de departamento física e digitalmente presente, num Marketplace robusto, formado pela própria Luiza Digital, mais a Netshoes comprada no ano passado, e também, da Estante Virtual. Por que muitas empresas, em suas estratégias, consideram ser melhor comprar o que já está andando, consertar e/ou corrigir e aperfeiçoar, do que investir bem menos dinheiro e começar do zero? Pela simples razão que não existe mais tempo para se começar do zero. Em 95% das situações quando a empresa ficar pronta será tarde demais e o mercado estará completamente tomado. Portanto, e em momentos de disrupção como o que estamos vivendo, ganhar alguns anos tem um valor inestimável. Muito a comemorar com a aquisição da Magalu. E pontos e muitos pontos no processo de resgate do melhor amigo de todos nós, consultores da Madia, o livro. Vinicius, como já comentamos com vocês, dizia que o melhor amigo dele era o uísque. Segundo ele, uma espécie de cão engarrafado. Já o nosso, consultores, o livro. E parafraseando Vinicius, nosso cão encadernado. Obrigado Amazon, obrigado Luiza.
Negócio Sem categoria

Raridade: empresário assumindo e confessando erros

É muito difícil, pouquíssimas vezes testemunhamos. Um empresário assumir, publicamente, sua culpa, por decisões erradas, diante de desempenho e resultados decepcionantes de sua empresa. Meses atrás, antes da pandemia, vivemos um desses momentos raros. A família Hering, que comanda a empresa que leva seu nome, confessando que parte dos resultados decepcionantes do final do ano de 2019, teve tudo a ver com as mudanças de comportamento do consumo desde a chegada da Black Friday, e que encavala com as compras do Natal. Mas, na outra parte, e até mesmo como decorrência dessa constatação, confessam e assumem, erraram na política de produtos e de preços. Em conferência com gestores de fundos, investidores e acionistas, Fabio Hering, CEO da empresa que leva o nome de sua família, declarou, “O trimestre teve comportamento bastante heterogêneo e disperso. Pelas notícias, vemos em alguns casos que foi o melhor Natal dos últimos anos, e, em outros, que foi uma performance medíocre. Em nosso entender, uma parte desse resultado medíocre da Hering, foi de nossa responsabilidade…”. “Enquanto muitos dos demais varejistas, ‒ declarou Thiago Hering, diretor executivo de negócios da empresa, ‒ entenderam e buscaram vender muito mais presentinhos no Natal, entre R$ 20 e R$ 30, não fomos capazes de acompanhar esse movimento com consistência…”. Ou seja, amigos, e atrás da confissão sincera e corajosa da família Hering assumindo o erro, a Black Friday mudou, para sempre, as até então compras de Natal. Não adianta tentar remar em sentido contrário e nem julgar-se capaz de ser uma exceção. As compras pesadas, consistentes, e de maior valor, sempre acontecerão na Black Friday. E no Natal, lembrancinhas… Simples assim. Conclusão, após as declarações do comando da empresa, as ações da Hering, nos dias seguintes, registraram uma queda de 12,6%; traduzidos em dinheiro, R$ 600 milhões a menos em valor de mercado em um único dia… Perdeu, por semanas ou meses, parte de seu valor de mercado. Mas, a credibilidade, permanece totalmente preservada. E brevemente recuperará o dinheiro provisoriamente perdido, resgatando sua trajetória de décadas de conquistas e sucessos. É em momentos como esses que se conhece a dimensão da seriedade e responsabilidade dos que comandam.
Sem categoria

Tad, Bad, “Take Care…” IYBS – It´s Your Brand, Stupid! Ou, de como construir, manter, ou, se possível, melhorar sua marca – uma marca chamada você ‒ a distância

Sem a menor dúvida, e por maior que seja o retorno ao pré-Covid-19, o trabalho a distância é uma nova realidade. Não necessariamente para tudo, e como muitas pessoas inocentemente vêm imaginando. Em poucas empresas, e excepcionalmente, uma nova realidade para praticamente tudo. Em boa parte das empresas um sistema híbrido que crescerá ou diminuirá de intensidade dependendo da característica do negócio. E em muitas empresas, ainda e também, nada a distância, tudo continuará presencial. De qualquer maneira, todos nós, empresários e profissionais não podemos nos esquecer dos fundamentos do trabalho à distância. Do básico, o essencial, para preservar a nossa Marca, que construímos no correr de anos e décadas, através do trabalho presencial. Assim, vamos ao básico… 1 – Escolha do local. Por menor que seja sua casa ou apartamento, dentre todos os lugares possíveis, existe um que é melhor que os outros. Esse é o lugar. Escolhido esse lugar, melhore todas as condições de iluminação, e na medida do possível, de acústica também prevenindo interrupções e barulhos. Mais que recomendável assim que possível comprar uma câmera para seu notebook ou computador com um som de qualidade – 99% dos notebooks têm uma câmera básica e meia boca ‒, e também comprar um ou dois pequenos spots para melhorar a iluminação. Faça isso antes de começar a reunião, e faça testes recorrentemente. Atenção, todo o cuidado com o fundo da imagem, com a parede atrás. Quanto mais neutra, melhor. E atenção total em relação a como você se coloca diante da câmera, como você se enquadra, especialmente em relação a sua voz. Talvez você precise melhorar o seu tom de voz, a velocidade com que fala, e a forma como diz as palavras. Mais adiante, teremos treinamentos e cursos específicos para isso, lembra, como eram no passado as escolas de caligrafia, datilografia, serão as escolas de rosto ou expressão/voz, escolas de videografia. 2 – Não é conectar-se no aplicativo, abrir a câmera e mandando ver, do jeito que você se encontra. Vista-se ou prepare-se para a reunião com muitos ou apenas com seus chefes com respeito e profissionalismo. Lembre-se que a quase totalidade da atenção vai estar concentrada em seu rosto. Portanto, cabelos mais que penteados, e alguma maquiagem. 3 – 5 minutos antes de começar a reunião a distância, avise seus filhos, pais, vizinhos, cachorro e papagaio que você não pode em hipótese alguma ser interrompido. Não importa o que aconteça. E que em hipótese alguma – inadmissível – que pessoas passem por trás de você durante as reuniões. 4 – Todo o começo de reunião é como se você estivesse se reencontrando com seus companheiros de trabalho. Nos primeiros 5 minutos, sorrir, dar bom dia, perguntar sobre como andam as coisas e a vida, e contribuir para que se estabeleça um clima profissional, mas de muita cordialidade e simpatia. A grosso modo, a reunião começa de verdade lá pelo terceiro ou quarto minuto. Gravíssimo! Atrasar-se é pecado capital. Se você ainda tinha alguma desculpa do trânsito ou da condução, fim! Já ouvi meia dúzia de histórias em que as pessoas acostumadas que estavam a dar a mesma desculpa os velhos tempos, iniciavam atrasada a reunião a distância atribuindo a culpa ao trânsito… Talvez, do banheiro para a sala… Ou o banheiro estava congestionado… 5 – Reuniões a distância são reuniões com tempo marcado. Para iniciar e para encerrar, mesmo que isso não esteja definido na convocação. Mais de 90% das reuniões a distância não ultrapassam 1 hora. E reuniões de duas horas ou mais são insuportáveis e improdutivas. Assim, não existe espaço para enrolação e “embromation”. Direto ao ponto. Opiniões claras, precisas, objetivas. Idem em relação a propostas. 6 – Assim como nas reuniões presenciais, fazer uma síntese no final de tudo o que foi decidido, repassar quem faz o que, agendar a próxima reunião, e um dos participantes, como sempre aconteceu ou deveria ter acontecido no presencial, fazendo um pró-memória ou ata da reunião. É isso, amigos, regras básicas sobre como preservar, e, se possível melhorar uma Marca Chamada Você, isso mesmo, a marca que você é e todos somos, agora em que não contamos mais, e na maioria das situações, com nosso corpo, movimentos, e aparência inteira, para nos ajudar. Para desespero dos bonitões e topetudos, e para a tristeza das decotadas… BAD – Branding A Distância e sem o chamado calor humano – calor de verdade – é um desafio a ser superado, um conhecimento a ser desenvolvido. Por isso, BAD… Por último e não em último lugar, e sem contar com a ajuda de colônias ou perfumes, ou cheiros para deixarmos um rastro de nossa presença, uma despedida cordial, simpática, amiga, e que sempre termina com um gostoso, amplo e verdadeiro sorriso. Completo! Com a boca, com os olhos, e todo o rosto. É o mínimo que se espera, nas situações e negócios em que o TAD – Trabalho a distância, e o BAD – Branding a distância, converterem-se numa nova e desafiadora realidade.
Negócio

Valor, 20 anos depois

Em meio a maior crise das últimas décadas, a maior depois da 2ª Grande Guerra, a do Covid-19, o jornal Valor comemorou seus primeiros 20 anos de existência. E, para tanto, imprimiu toda sua edição de sábado/domingo e segunda-feira, dias 2,3, e 4 de maio, em papel couché fosco de dupla gramatura. Mas, sem muitas comemorações. Como dizia a música de Ivan Lins por outras razões e motivos, “os tempos eram assim…”. Mais que merecia, mas, os desafios da “CoronaCrise”, mais que atrapalharam a mais que merecida comemoração. Mais, mais, mais… Menos. Quando chegou, o principal dos jornais desse território, a Gazeta Mercantil encontrava-se agonizante. E assim seguiu durante esses 20 anos… E depois do fim da Gazeta Mercantil, sem nenhum concorrente específico. Mas com muitos concorrentes genéricos, na medida em que os principais jornais do país, todos, passaram a ter cadernos de economia e negócios. Todos, sem exceção. Na edição comemorativa, Valor não retornou ao início, apresentou um gráfico sobre a evolução da circulação. Restringindo-se aos últimos 5 anos. Em 2015, Valor registrou uma circulação média no impresso de 41.431 exemplares, e no digital, de 18.291. O digital, como de certa forma vem acontecendo com todas as demais plataformas de comunicação, cresceu em todos esses 5 anos. Saltando dos 18 mil de 2015, para 24 mil em 2016, 26 mil em 2017, 57 mil em 2018, 70 mil em 2019, e neste momento, 2020, uma circulação de 81 mil exemplares… Já no papel, no analógico, vem caindo. Dos 41 mil e 2015, para 36 mil 2016; 31 mil 2017; 30 mil 2018; 27 mil 2019; e, 25 mil neste ano de 2020. Originalmente Valor era uma parceria entre o Grupo Globo e o Grupo Folha. No dia 13 de janeiro de 2016, os dois grupos sócios em Valor anunciam a venda da participação da Folha para O Globo. E agora, meses atrás, em plena pandemia, e comemorando seu 20º aniversário, a diretoria de redação do jornal assim se posicionou, “Registramos com os jornalistas isolados em suas residências e com a mesma incredulidade das pessoas em todo o mundo, essa avassaladora pandemia e suas consequências. Contamos, consternados, as mortes, as dificuldades de nosso sistema de saúde, a queda abrupta da renda das pessoas, as crises em muitas empresas cujas histórias de expansão acompanhamos, a brutal destruição de riquezas e as muitas manifestações de solidariedade. Nunca as histórias que contamos foram tão tristes em seu conjunto, mas nunca, nesses vinte anos, nosso trabalho deixou de levar informações aos leitores das mais relevantes”. Assim, e em nosso nome, consultores da Madia, e de todos os empresários, profissionais e estudantes empreendedores do Brasil, Parabéns, Valor, pelo Valor inestimável que tem agregado às nossas vidas, empresas, conhecimento. Ainda que não possamos neste momento, nem ajudá-lo a apagar as 20 velas, nem cortar o bolo, e nem mesmo brindarmos com uma taça de champanhe. Independente dos desafios do momento, Mais que Valeu, Valor!
Negócio

HU – A – WEI, aprendam a falar, acostumem-se com essa marca…

É suficiente proceder à leitura naturalmente. “HU A WEY!” Vem aí uma das maiores guerras de todos os tempos. E uma das principais empresas protagonistas – talvez a maior de todas – é chinesa que nasceu há pouco mais de 20 anos. Ren Zhengfei passou sua infância e adolescência numa cidade de montanhas, parecida com Campos do Jordão, e na província de Guizhou, China. No ano de 1963, 19 anos de idade, passa a estudar no consagrado instituto de engenharia civil e arquitetura de Chongquing, o que faz com que muitas pessoas coloquem em dúvida sua origem humilde. Ren, responde, “tínhamos sal para cozinhar, por essa razão pensavam que éramos ricos…”. Toda a primeira parte de sua vida profissional trabalhou como engenheiro de tecnologia militar no Exército de Libertação Popular, braço armado da China comunista. Assim, e com mais de 40 anos, decide empreender. Batiza sua empresa como Huawei. Hua de China, poderoso, flor. Wei de Ação. China, Flor Poderosa em Ação. Mais ou menos por aí. Ou, se preferirem, um sonoro Grito de Guerra. “H-U-A-W-E-Y!”. Ren é produto da Nova China, a de Deng Xiaoping, após a morte de Mao Tse-Tung. No início a Huawei importava PBX de fabricantes de Hong Kong. Meses depois passa a produzir seus próprios modelos, tendo em pequenas empresas seus principais clientes. Cria a área de pesquisa e desenvolvimento no início dos anos 1990, e qualifica-se como um dos principais fornecedores do governo chinês em seu território de atuação. Há 23 anos, 1997, Ren decide conhecer alguns dos principais players do território de atuação da Huawei. E constata a grande distância que sua empresa encontrava-se. No ano seguinte fecha uma parceria com a IBM, e de quem recebe os serviços de consultoria com o objetivo de converter-se em importante player no mercado mundial. Antes da virada do milênio monta seu primeiro laboratório de pesquisa na Índia. Mergulha sua Huawei em transmissão e telefonia. Investe em redes e conectividade. Aos poucos instala novos laboratórios na Holanda, Canadá, Estados Unidos e Suécia. Cria a divisão mobile em 2003. O primeiro produto é o C300. Em 2005 sai na frente com um modelo próprio de 3G. Pontifica pelo binômio qualidade e preço. Ingressa nesta década já considerada como uma das 3 maiores fabricantes globais de smartphones. O Huawei C8500, alcança a marca de 1 milhão de unidades vendidas em menos de 100 dias e apenas na China. O resto é história. Ren Zhengfei, seu principal acionista, tem menos de 2% do controle da empresa. Meses atrás, Dezembro de 2019. Huawei convida jornalistas da América Latina mais Espanha para uma primeira entrevista de Ren. Maria Cristina Fernandes, de Valor, encontra-se presente. No relato de Maria Cristina às 13:55 Ren chega para a entrevista. Diz Cristina, “Ex-oficial do Exército de Libertação Popular nos anos 1980 quando a China decidiu reduzir seus feitos militares, Ren, 75 anos, permanece integrante do partido comunista que aproxima-se de superar o antigo da União Soviética em permanência no poder.” Ren abre a entrevista afirmando, “Os Estados Unidos tratam a América Latina como seu quintal. Nosso objetivo é ajudar o continente a sair dessa armadilha e manter a soberania dos países”. Deu pra entender a dimensão da encrenca que vem pela frente?! Um dos principais empresários da nova China enfiando o dedo nos Estados Unidos e fazendo uma acusação de tamanha gravidade. E, numa espécie de declaração de guerra vai detalhando… “A América Latina foi colocada numa armadilha desde a doutrina Monroe…”.“A China investe na América Latina, mas a soberania permanece com cada país…”. O discurso de guerra de Ren está tão ensaiado que tem manifestações específicas para cada um dos países presentes, como – diz Ren em relação a nosso país…“O Brasil é um grande país. Não entendo porque Deus deu tanto a um único país. Sempre fico impressionado quando vou ao Brasil com as riquezas naturais…”. “Com distribuição de riqueza pelo governo e o desenvolvimento tecnológico das empresas, o brasileiro poderá se dedicar mais ao samba, que nunca poderá ser substituído pela inteligência artificial…”. Uma afirmação meio para boba ou ingênua, de certa forma até, e para alguns desrespeitosa, mas forte, consistente, e cá entre nós, verdadeira. Portanto, amigos, a guerra está apenas começando. Vamos acompanhar todos os dias, detalhe por detalhe porque todos nós e nossas empresas, em maiores ou menores proporções, seremos impactados. Mesmo sendo uma guerra silenciosa, ainda que cruel, em alguns momentos muitos movimentos acontecem de forma clara e ostensiva, até porque terão como objetivo conseguir a simpatia da opinião pública. No ano passado, por exemplo, e quando Ren encontrava-se na Argentina, sua filha Meng Wanzhou, principal executiva financeira da Huawei foi detida em Vancouver, Canadá, sob acusação de ter violado as sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos. A partir desse movimento mais ostensivo, seu pai, Ren, tem evitado sair da China. E assim, e na guerra de comunicação que só cresce e sobe de tom, e na medida em que não sai mais de seu país, Ren leva a imprensa mundial a seu encontro. Desde a prisão de sua filha e até o final de dezembro de 2019, a Huawei já levou mais de 3000 jornalistas do mundo inteiro a sua sede para conhecer sua visão, opinião, posicionamento e planos. Todos os encontros estão documentados e convertem-se em livros. Até agora três livros: “Entrevistas à Imprensa – Palavras de Ren”. No final da entrevista, segundo Maria Cristina Fernandes de Valor, “Zen repetiu a ideia de que os equipamentos de sua empresa não têm ideologia, apenas conduzem informação. No correr das duas horas de sua entrevista disse ser a Huawei totalmente independente do governo chinês, e repetiu… A CHINA QUER CONTRIBUIR PARA A AMÉRICA LATINA, E QUE É O MELHOR LUGAR DO MUNDO…”. Na nossa infância, nós, os mais velhos, acostumamo-nos com o bordão dos domingos que dizia: Silvio Santos Vem Aí… A China já chegou e, aconteça o que acontecer, existe uma nova história do mundo sendo escrita…
Negócio

As infinitas lições da resiliente Barbie

Em tempos de crise na Mattel, e que foram muitas, Ruth e Elliot sempre olharam e recorreram a uma boneca. Vamos falar sobre essa boneca, talvez, traga alguma inspiração para estes terríveis tempos de pandemia. Quando o casal Ruth e Elliot Handler decidiu criar uma boneca para a filha Barbara, pensaram no padrão de boneca dos antigamente. Lembram? Uma boneca adulta, com vestido, sapatinho, bolsa, fita no cabelo, e tudo o mais que sempre foi a marca registada das bonecas. Por via das dúvidas decidiram recorrer aos serviços do gênio Ernest Dichter, o pai da pesquisa motivacional. Dichter perguntou ao casal: “Vocês conversaram com as meninas para saber se é essa boneca que querem?”. E a resposta que ouviu, foi, “Claro que não, Conversamos com os pais delas…”. Dichter foi conversar com as meninas, e recomendou ao casal que esquecessem aquela bobagem. O que as meninas queriam, disse ele, eram bonecas louras, peitudas, pernas compridas, e sensuais. E, assim, nasceu Barbie. E foi e voltou, passaram-se anos e décadas, alguns profissionais despreparados e literalmente ignorantes, tentaram matar Barbie, mas, todas as vezes que a Mattel, empresa de Ruth e Elliot metia-se em enrascada financeira, lá vinha a loura peituda, pernuda e sensual e salvava a empresa. No mínimo em três situações Barbie salvou a Mattel da falência. O mundo seguiu, acelerou, escalou, e com muita competência e sensibilidade a Mattel preserva sua Barbie mais que na onda. Absolutamente relevante, consistente, e emblemática diante das novas causas e manifestações, muito especialmente as conquistas das mulheres e da sociedade nas 3 últimas décadas, na luta por uma sociedade mais igualitária e múltipla. No início do ano de 2020, Barbie apresentou as novas versões de Barbie. Uma Barbie com Vitiligo, e outra Careca. Em manifestação emocionante de sensibilidade, mas, e simultaneamente, com uma competência de marketing de excepcional qualidade. As duas novas Barbies integram a coleção Fashionistas, e que tem por objetivo promover a diversidade. Minha sensação é que poucos recursos, como recorrer-se a plataforma Brinquedos, terão eficácia maior na promoção da diversidade. Os romanos diziam, “ridendo castigat mores” ´corrige os costumes rindo; se possível, gargalhando! – e eu adaptaria para “ludens castigat mores” – corrige os costumes brincando. Stella Pavlides, presidente da Fundação Americana para Pesquisa sobre Vitiligo, da Flórida, USA, falando ao The New York Times, declarou, “É o que de melhor poderia acontecer para as crianças… uma boneca com o rosto parecido com o delas é uma importante e decisiva alavanca para apoiá-las na superação do estigma”. A linha Fashionista foi lançada pela Mattel em 2016. Incluindo novos formatos de corpo, tons de pele, traços faciais e textura de cabelo. No ano passado começaram a ser vendidas as primeiras Barbies em cadeiras de rodas e prótese de perna. É isso amigos. Em tempos de crise nada como olhar no exemplo da bonequinha. Merecidamente a sensibilidade da Mattel e sua Barbie vêm sendo reconhecida pelo mercado. Vendas crescentes da boneca nas diferentes versões e nos últimos 5 anos. E dentre as mais vendidas, uma versão da Barbie negra, curvas pra valer, e cabelo afro. Isso é marketing de excepcional qualidade. Barbie, “ludens castigat mores”! Nota 10!