Autor: Francisco Madia

Logística Reversa

Até o final do século passado, em 99% das situações, colocava-se, o que não se queria mais no lixo, e fechava-se os olhos, tapava-se os ouvidos, e continha-se a respiração para não correr o risco de ter que tomar conhecimento do estrago provocado. Uma vergonha. Ignorância. Selvageria. Irresponsabilidade. Éramos absolutamente lamentáveis. Nos anos 1990, era recorrente nos depararmos com sofás, fogões e geladeiras velejando nas águas detonadas e apodrecidas dos rios que cortam a cidade de São Paulo, por exemplo. E foi então, início do novo milênio que começaram a se formar as empresas de Logística Reversa. Hoje, e antes de lançarmos ao lixo o que quer que seja, e se temos um mínimo de consciência, corremos atrás de informações para sabermos qual a forma correta do descarte. Assim, a logística reversa vai se adensando, ganhando corpo, e convertendo-se em um business. Quem sabe e mais adiante, num Big Business. Dentre os Lixos Desejáveis, os eletrônicos são os mais disputados. Pelo valor residual, e pelo porte relativamente pequeno de notebooks, impressoras, eletrônicos de escritórios, eletrônicos domésticos de pequeno porte, câmeras, cabos e carregadores, ferramentas elétricas, e por aí vai. Dentre as novas empresas desse território, a Green Eletrônica, gestora do programa de logística reversa dos associados da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Eletro e Eletrônica. Foi criada no ano de 2016, e em atendimento à lei 12.305/2010, e que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Embora de iniciativa dos associados da Abinee está aberta a todas as demais empresas que queiram aderir aos seus serviços. Tudo começou com a necessidade de atender o descarte de pilhas, baterias e eletrônicos. E depois, a lista de produtos resgatáveis foi crescendo. Toda essa introdução para comentar sobre seu crescimento… Que dia após dia a logística reversa vai ganhando corpo em nosso país. Nos 60 dias anteriores a pandemia a Green aumentou em mais de 50% os pontos de coleta. De 104 de dezembro para 172 em fevereiro. Dentre as empresas parceiras da Green, a Kalunga, Makro, Pontofrio, Senac, Sesc, Tenda, ViaVarejo, Carrefour, Bahia, Extra, Pão de Açúcar… Assim, e daqui para frente, antes de lançarmos qualquer coisa onde quer que seja, antes de acusarmos políticos e gestores, e culpar outras pessoas e instituições, sempre recomendável uma pequena pergunta. Pergunta que cada um de nós sabe qual é, e que a maioria de nós recusa-se a enfrentar e muito menos responder. Temos feito a nossa parte?

Reflexos da longevidade, ou, do envelhecimento

Como é do conhecimento de todos, nos últimos 100 anos, muito especialmente em decorrência da medicina preventiva, nós, seres humanos, ganhamos mais 40 anos de vida. Até os 1800 vivia-se pouco mais de 40 anos. No final dos 1900 aproximamo-nos dos 80. E assim, não só os mercados de uma forma geral dobraram de tamanho, como passaram a existir novos produtos em decorrência de pessoas que vivem mais anos. Na divulgação de seus resultados de 2019, uma das empresas que tem sabido tirar proveito dessa conquista, a Kimberley-Clark, registrou um crescimento médio de 10% na totalidade de seus produtos, fortemente alavancados pelo crescimento específico nos produtos para a população de 60 e mais anos, e que foi um crescimento de 20%! Uma das empresas que metrifica o consumo no Brasil, a Euromonitor International, revela que só na categoria dos produtos para incontinência urinária um salto do patamar de R$ 1.92 bi, para R$ 3.87 bi. Hoje, já totalizando mais de 1/3 do principal produto da outra ponta da cadeia, a de fraldas para crianças e que totalizou um mercado de R$ 9.34 bi. Em algum momento mais adiante, talvez 5 anos, e considerando-se os ganhos de vida, e a redução no número de crianças nas famílias, os dois mercados serão equivalentes: fraldas para crianças, e fraldas para incontinência urinária. Talvez, e até mesmo, venda-se mais fraldas para adultos do que para crianças… Mas por pouco tempo. Com a Medicina Corretiva, pequenos e constrangedores problemas como esses serão superados. Quem em algum momento de sua vida imaginou que isso um dia poderia acontecer…?

Os cães agonizam?

Certamente não. As pessoas são apaixonadas pelos cães por infinitas razões. Jamais, eu disse jamais, deixarão de perder o posto e título de melhor amigo do homem. Do Homem, das Mulheres e, muito especialmente das Crianças. Aqui na Madia, quase todos têm cães, com exceção do Madia. E ele explica, “Não que não goste e muito menos admire e me emocione. É que tenho certeza absoluta, pela maluquice que é minha vida, que jamais conseguiria retribuir tanto amor e infinita lealdade, com a atenção mínima necessária e merecida…”. De qualquer maneira, e considerando as atribulações da vida moderna, o fato é que em todo o mundo a população de gatos cresce numa velocidade maior que a de cães. Pela simples razão que mesmo menos afetivos e amorosos, os gatos não requerem nem prática, nem habilidade, e muito menos todas as atenções e carinhos demandados pelos cães. E assim, em alguns países o número de gatos deverá superar o de cães em toda a próxima década, e, se as curvas permanecerem nas tendências atuais, em 2039 a população de gatos será maior que a de cães no Brasil. Mas a razão de nosso comentário é que meses atrás os cães começaram a perder mais uma de suas missões. A da vigilância e serviços em certas situações onde até então eram insubstituíveis. A Robótica Boston Dynamics, uma das startups que mereceu investimentos substanciais do maluco Masa – Masayoshi e seu Softbank começou a vender seu cão robô para empresas. Trata-se do Spot, que tem todo o jeitão de um cachorro e é capaz de “farejar”, leia-se, mapear terrenos, desviar-se de obstáculos, e manter-se equilibrado em situações limites, onde os adorados cães costumam sofrer e angustiar-se. Checa vazamentos, monitora drogas em bagagens, tem uma sensibilidade olfativa mega desenvolvida, e também, assim como os cães, pode participar de espetáculos artísticos. Uma das primeiras empresas a receber o Spot é o Cirque Du Soleil que pretende escalá-lo para seus próximos espetáculos. Claro depois que se recuperar da recuperação judicial que se encontra, neste momento pandêmico… Portanto, sem choros nem lamentações. Cada vez mais, seres humanos e cães, parceiros inseparáveis, voltando-se para aquilo que foram feitos, onde são insubstituíveis por máquinas, robôs e inteligência artificial. Para reagirem naturalmente diante de todas as situações muito especialmente as imprevistas, e para tudo o que diga respeito aos sentimentos e ao coração. Viva, nós e os cães, com mais tempo para fazer o que nos compete, e de uma forma cada vez mais profunda, sensível e melhor. Deixando o trabalho ruim para os robôs…

ExOS, ou, OrEx

Hoje vamos refletir sobre a palavra, o código, a denominação mais instigante da atualidade, e que tem duas possibilidades. ExOs, ou, OrEx. Você escolhe, em inglês, ExOs – Exponential Organizations -, ou, em português, OrEx – Organizações Exponenciais. Uma manifestação que se tornou crescente no correr da primeira década deste milênio, mas que ganha conceituação, forma e paternidade por ocasião da fundação da SU – Singularity University – iniciativa de Peter H. Diamandis e Ray Kurzweil, diretor de inteligência artificial do Google na época, ano de 2008. Segundo Diamandis, na introdução do livro que acabou tangibilizando sua paternidade, livro que tem por título Organizações Exponenciais, a razão de ser e de criarem a SU, a Singularity University foi a de dar vida a uma instituição de ensino com curriculum atualizado da forma mais rápida, e, assim, impossível de ser reconhecida pelos mecanismos formais. Diz Diamandis que a ideia eclodiu numa palestra da Founding Conference, sediada no Ames Research Center da Nasa, Vale do Silício, no mês de setembro de 2008. Numa manifestação não prevista de Larry Page, co-fundador do Google, e quase no final do primeiro dia do evento. Ao concluir sua fala Larry Page praticamente fez uma conclamação aos mais de 100 profissionais e empresários presentes, os desafiando a criar uma instituição com o seguinte propósito: “Você está trabalhando em algo que pode mudar o mundo? Sim, ou, Não?”. E completou, “A resposta para 99,9999% das pessoas é NÃO! Eu acho que chegou a hora de treinarmos as pessoas a dizer SIM! em como mudar o mundo. E as tecnologias são o meio de fazer isso…”, ou seja, no depoimento de um dos criadores da Singularity, a conclamação ou briefing foi passado publicamente por Larry Page. Segundo Peter Diamandis, ouvindo a conclamação, na plateia, encontrava-se presente Salim Ismail. Semanas depois nascia a SU, a Singularity, tendo Salim como seu primeiro diretor executivo, e, também, fundador. Assim, e no livro prefaciado por Diamandis, de autoria de Salim Ismail, Michael Malone e Yuri Van Geest, na página 19, a definição para as OrEx, ou, ExOs – Organizações Exponenciais. Vamos lá: “Uma organização exponencial é aquela cujo impacto ou resultado é desproporcionalmente grande – pelo menos dez vezes maior – comparado ao das organizações convencionais, e devido à utilização de novos formatos organizacionais que se alavancam a partir de tecnologias de aceleração; assim, e ao invés de recorrer a um exército de colaboradores, são construídas tendo como base as tecnologias de informação, que desmaterializam o que antes era de natureza física emigrando para o universo digital e sempre sob demanda.” Sempre que surge o tema imediatamente as pessoas socorrem-se da Lei de Moore, do ano de 1971, no momento em que a Intel entregava uma encomenda feita pela indústria de calculadoras japonesa Busicom, e o VP da Intel, Gordon Earle Moore criou essa Lei, referindo-se ao microchip. Naquele dia e momento único do século passado, entregando o microchip 4004, Moore disse, “O seu poder de processamento dobrará a cada 18 meses e terá seu preço reduzido pela metade”. De certa forma, uma OrEx tem esse comportamento, em maiores ou menores proporções. Dobrar de tamanho num período de tempo curto, e reduzir substancialmente o preço daquilo que faz. Talvez, quem mais tenha se debruçado sobre o entendimento, compreensão e decodificação das OrEx, tenha sido Ray Kurzweil. Segundo ele, foram mais de 30 anos tentando compreender e explicar o fenômeno. Diz Kurzweil que as OrEx são melhor compreendidas a partir de 4 ângulos diferentes de observação: A – O que Moore disse sobre os microchips, por ocasião de seu lançamento, 1971, e guardada as devidas proporções para mais e para menos, aplica-se a qualquer tecnologia de informação. Kurzweil traduz isso no que batizou de Loar – Lei de Retornos Acelerados. B – A energia, ou combustível, que impulsiona esse fenômeno chama-se Informação. C – Uma vez iniciado o processo exponencial, não para. Diz Kurzweil, “usamos os computadores atuais para projetarmos computadores mais rápidos, que, por sua vez, projetarão computadores mais rápidos…”. D – E para que isso aconteça, várias tecnologias são utilizadas simultaneamente, como, inteligência artificial, robótica, biotecnologia, bioinformática, medicina, neurociência, ciência de dados, impressão 3D, nanotecnologia… Desde o primeiro dia do MadiaMundoMarketing, 1 de setembro de 1980, e lastreado nas previsões de Peter Drucker do ano de 1968, em seu monumental livro Uma Era de Descontinuidades, começamos a preparar nossa unidade de consultoria para apoiar as empresas da velha economia na travessia inadiável e desafiadora para a Nova Economia. Uma travessia que passa inexoravelmente pela Indução de uma Nova Cultura. No correr das últimas décadas prestávamos esses serviços através de nossa unidade de consultoria, mas, e a partir de agora, e lastreados na experiência de mais de uma centena de travessias realizadas com total sucesso, criamos um produto específico e com esse propósito. É o Projeto Tebas, que começamos a oferecer ao mercado no dia 1 de setembro – a previsão era março, mas, com a pandemia… Se sua empresa é de porte médio para a grande, e quer de forma rápida, segura e consistente, migrar para os trilhos das OrEx, Organizações Exponenciais, estamos a sua disposição para uma primeira reunião, sem nenhum compromisso. É isso amigos. O futuro chegou. Mais que na hora de realizar a travessia. De colocar a sua empresa dentro do contexto, espírito e ritmo da Lei de Moore.

Brasil, o paraíso dos aditivos!

E assim, nós, contribuintes Brasileiros, pagamos R$ 48 milhões para que tirassem fotografias de operações do BNDES. Tudo o que tinha que ser feito era uma devassa e investigação sobre o que aconteceu durante anos. Portanto, INVESTIGAÇÃO. Mas, contrataram uma AUDITORIA, isso mesmo, um grupo de profissionais a quem entregaram um monte de papéis e pediram a eles que conferissem se o que estava escrito naqueles papéis, obedecia as normas. Pediram que tirassem fotografias e conferissem. Que olhassem do alto. O que tinha que ser feito era uma investigação profunda. Que se vasculhasse o que estava por trás da fotografia, o que de verdade aconteceu, quantas e quais trocas de interesse e favores ilícitos foram praticados. Enfim, tudo o que precisávamos para escancarar a roubalheira praticada com nosso dinheiro confiado ao BNDES era a contratação de uma empresa comprovadamente competente de investigação. E contratou-se uma auditoria, um fotógrafo. Precisávamos de um médico legista. Que revirasse as vísceras do BNDES. Contratamos um crítico literário. De gosto discutível, e que gostou do que viu… No entendimento dessa empresa, e como não poderia deixar de ser, a fotografia saiu perfeita, irretocável. O que deveria ter sido feito, conforme dizem normas e procedimentos, foi feito. O que está por trás dos números permaneceu absolutamente intocado, exalando um odor de corrupção, trambique e falcatruas insuportável. E para tirar essa fotografia absolutamente irrelevante e perfunctória, zombando com todos nós brasileiros, ainda foram providenciados dois aditivos ao contrato, o que elevou o valor inicial da fotografia, de R$ 16 milhões para R$ 48 milhões. Esses mesmos contratos, que saíram impecáveis e imaculados na fotografia medíocre e ofensiva a todos nós brasileiros, resultaram em prejuízos de apenas R$ 2 bi para o BNDES, para o nosso dinheiro, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Um dia consertaremos de vez nosso país. É da pior prática da cultura de falcatruas do Brasil, empresas oferecerem preços competitivos em concorrências, muitas vezes mesmo cobrando abaixo dos custos, pela certeza que têm que o importante é vencer e ficar dentro. E que depois, vai se fazendo um aditivo atrás do outro. A maior parte dos rombos monumentais acontecidos em nosso país nos últimos 50 anos nada tem a ver com o valor inicial dos contratos. Mas tudo a ver com a tempestade de aditivos concedidos durante a vigência dos contratos. Somos um país parecido com as pessoas desastradas que dão topadas em todo o canto. E terminam suas vidas com o corpo coberto por gesso e esparadrapo… BRASIL, O PAÍS DOS ADITIVOS. ATÉ QUANDO?

Sábios Conselhos

Na última página de um dos cadernos da Folha MPME – Micros, Pequenas e Médias Empresas – deste ano de 2020, uma série de manifestações de pequenos investidores. Na síntese, esses conselhos constituem-se em Ouro Puro de Excepcional Qualidade. Que nossos consultores mineraram, separaram, poliram, e agora compartilham com vocês. Claudio Sassaki, 45, presidente da rede Geekie… “É preciso conhecer muito o cliente. Não é suficiente os bate-papos no balcão das lojas ou em outros lugares, e jamais deixar-se conduzir exclusivamente pelo ‘feeling’. Se você quiser vender mais e melhor é preciso pensar em como o cliente vai comprar e como vai utilizar o produto…”. Tatiana Pimenta, 38, da Vittude, empresa de terapia online… “Da maior importância como você contrata e demite pessoas. No início e por ser pequena todas as pessoas encontram-se muito juntas. Isso faz com que você demore para se decidir pela demissão de um funcionário. E essa demora nos custou muito no começo em termos de resultados e principalmente no clima da equipe”. Dominique Oliver, 35, presidente da empresa de moda Amaro. “Nosso maior erro foi o de acreditar que o mercado online iria se desenvolver mais rápido do que efetivamente está acontecendo… demos um passo atrás e criamos guide shops” – onde as pessoas que têm receio de comprar online podem iniciar um relacionamento físico e presencial com a marca…. Renata Citron, 32, criadora do Cantinho de Brincar. “A ideia era a de criar um Cantinho de Brincar – espaços para o desenvolvimento para crianças da periferia. Eu não fazia parte desse público, não morava na periferia, e nem era mãe. Mergulhei em creches, escolas públicas, para finalmente entender qual a verdadeira realidade dos que se converteriam em clientes do Cantinho de Brincar. O que eu mais gostaria que tivessem me dito é que o meu capital mais importante é o Tempo. E não ter consciência disso, atrasou o desenvolvimento do negócio.” Marcelo Abrileri, 54, Clube de Vinhos ENIWINE… “Meu principal conselho para quem está pensando em empreender é: 1 – faça um plano o mais detalhado possível, em especial no tocante aos gastos; 2 – Verifique se bate com suas possibilidades e reservas; 3 – Confie em seus melhores amigos e peça que apontem todos os problemas que você não consegue ver. Em síntese, transforme todos seus melhores amigos no que poderíamos chamar de Advogados do Diabo…”. Janine Rodrigues, 38, da Piraporiando, editora de arte-educação. “Gostaria que as pessoas tivessem me falado que as coisas seriam menos difíceis do que me fizeram acreditar. Há um prazer quase que sádico em dizer que as coisas serão complicadas… A propósito, cuidado com as redes sociais, curtidas não dão dinheiro. Ter curtidas é bom, mas não é suficiente.” Recordando, É preciso conhecer muito o cliente;Todo cuidado na contratação de pessoas é pouco;Jamais acreditar que do dia para a noite todos só comprarão pelo online;Mais que dinheiro, e logo após o conhecimento, o capital mais importante é o tempo;Planejar é preciso. Tudo e sempre.Cuidado com seus amigos terroristas e apavorados. Nada é fácil, mas não tão difícil e muito menos impossível. É Isso Amigos, 6 empreendedores, 6 conselhos de ouro. Reflita sobre.

Pagando para vender

Já comentamos com vocês o dia em que o Madia chegou à Disney, e foi fazer check-in no Hilton Disney Village, em Orlando. E a recepcionista o convidou para conhecer um café da manhã – disse ela, “o melhor café da manhã do mundo” – de um novo hotel da rede e que estavam inaugurando na Universal. Além do café, oferecia limousine com motorista para ir e voltar, e ainda pagava US$ 150. Caso a Katinha, mulher do Madia, fosse junto outros US$ 150. Agradeceram e declinaram do convite. Mas, um susto. Foi a primeira vez na vida de um de nossos consultores que alguém pagava para que a experimentação acontecesse. Anos depois, e como o digital, o freemium foi prevalecendo. Oferecer-se por um determinado tempo e de graça o que custa alguns ou muitos dinheiros. Na plataforma de mentoria de negócios Perennials, do MadiaMundoMarketing, oferecemos os primeiros 30 dias para degustação sem custo. O valor mensal é de R$ 58. Na Black Friday de 2019, o Pagar para as Pessoas Comprarem prevaleceu em muitos negócios. Muito especialmente no território da alimentação e na briga histórica – quase histérica – entre o McDonald’s e o Burger King. Na crença que comprando por um preço simbólico que nem mesmo pagaria o valor da entrega, as pessoas acabariam gostando, e na medida em que ofereceram e liberaram seus dados para ter o benefício, poderiam ser motivadas na sequência. Assim, e para a perplexidade de muitos, testemunhamos, – McDonald’s e Burger King estapeando-se publicamente vendendo alguns de seus sanduíches, que custam na faixa dos R$ 20, por R$ 1 ou R$ 2. Menos que o que custa um pão de queijo pequeno. Os aplicativos de entrega entraram na mesma “vibe” e o Uber Eats passou a oferecer o Big Mac por R$ 1 para os novos clientes do aplicativo… Legal, mas, imagino que os clientes de sempre não ficaram muitos felizes e sentiram-se, de certa forma, punidos pela preferência e lealdade. Uma espécie de tiro no pé…O McDonald’s também vendeu 10 cheeseburgers por R$ 20, desde que o comprador utilizasse o cupom presente no aplicativo…Já quem usou o Mercado Pago, sistema de pagamento do Mercado Livre, comprou e comeu um Quarteirão e um Cheddar Mcmelt por R$ 4,90.O Burger King respondeu através do mesmo aplicativo de pagamento do Mercado Livre oferecendo 6 lanches por R$ 15. E assim foi no correr de todo aquele dia, da Black Friday 2019… E aí vem a pergunta, Terá válido a pena? O tempo dirá. Mas os concorrentes alegam que jamais, e para não decepcionar seus admiradores, poderiam ter fugido da briga. O que nossos consultores acham? Que talvez se tivessem se planejado de forma mais consistente, poderiam praticar os mesmos preços de sempre, oferecendo brindes e contrapartidas competentes e exclusivas para permanecerem e serem lembrados por um tempo infinitamente maior do que apenas uma única e tumultuada sexta-feira. Lembrança de qualidade, de apreço e admiração. Como, e, por exemplo, um brinde fora do comércio, irresistível, e apenas acessível mediante as compras naquela data. Quando se compra a experimentação ou preferência, derrubando o preço, tudo o que se consegue é conversar com o lado oportunista das pessoas. Uma compra de uma única vez e ponto. Quando se estimula a experimentação, sem mexer no preço, mas iniciando uma conversa com a emoção e com os sentimentos das pessoas, oferecendo em contrapartida uma recompensa memorável e exclusiva, e que é impossível de se comprar de outra forma, tem tudo para evoluir para uma relação duradora e permanente. E que devidamente alimentada, poderá converter ex-compradores oportunistas, em clientes pra valer, para sempre, e ainda apóstolos e disseminadores da marca. Já quem deixa pra última hora, tem mesmo é que recorrer ao lado oportunista de todos nós. E que começa e termina numa única compra. De qualquer forma, cada empresa escolhe aquela que acredita ser a melhor forma de traduzir seu posicionamento. E, depois, vai colher, com total merecimento, o que plantou. Lembrando que, quem nada planta, nada colhe. Tão simples quanto… A propósito, será que repetirão a mesma “barbeiragem” no próximo dia 27 de novembro, Black Friday 2020? Não duvidamos…

Teria, o mundo, enlouquecido?

É o que muitas pessoas se perguntam diante do contingente gigantesco de investidores medrosos ou previdentes, que preferem aplicar suas economias em bancos que não pagam absolutamente nada de juros… E até mesmo em outros, que além de não pagar, cobram para prestar os serviços. Nada a ver com a pandemia. A pandemia só escalou a “involução” natural de taxas e juros. E isso só acontece em momentos de disrupção radical como estamos vivendo. Assim, e no final do ano passado, segundo dados divulgados pelos organismos internacionais, o montante de dinheiro dormindo nos bancos, não recebendo nenhuma remuneração, e ainda pagando taxas de serviços, era da ordem de US$ 15 trilhões! Existe essa possibilidade disso vir a acontecer no Brasil? Remota. Impossível não, mas existe uma chance de mais de 90% de que um dia, muito em breve, isso venha a acontecer, independente das especificidades da economia de nosso país. Muitas pessoas, que temem perder o que economizaram, especialmente nos países da Europa, e não querendo arcar com os custos de Money Storage – da guarda do dinheiro nos bancos – o quanto cobram para guardar o dinheiro –, optam por correr riscos, comprando cofres, e neles guardando suas economias. Por essa razão, e nos últimos anos, nunca se vendeu tantos cofres em muitos países, muito especialmente no Japão e na Suíça, por exemplo, como acontece agora. No final de 2019, e segundo os organismos internacionais, 9 países pagavam juros negativos por seus títulos de 10 anos. Isso significa o que? Que no final de 10 anos, se a pessoa for retirar, terá menos do que colocou. Nos títulos dos governos da Alemanha e da Dinamarca, quem for comprar um título de 10 anos por 100, daqui a 10 anos vai receber um pouco menos de 95. Além da Alemanha e Dinamarca, outros países como Holanda, Áustria, Finlândia, Suécia, França, Japão e Bélgica praticam juros negativos em seus títulos de 10 anos. Tudo a ver com o atual momento da economia mundial, mas, dois fatores, tão ou mais importantes reforçam o comportamento dos juros tendendo a zero, e, em alguns países, abaixo de zero. Primeiro, o impacto da tecnologia na redução drástica do preço de produtos pela escalabilidade. Hoje e cada vez mais, em mesmas situações de compras de um mesmíssimo produto, paga-se significativamente menos do que se pagava há 10 anos. E o segundo é que os investidores mais tradicionais, conservadores, a maior parcela de recursos do mundo, recusam-se a especular com as chamadas empresas da Nova Economia. Passam a quilômetros de distância de Softbanks, não confiam no Masayoshi, assim como em todas as demais instituições financeiras especializadas na especulação irracional. É isso, amigos. No Brasil, repito, estamos distantes dessa possibilidade, porém, nunca os juros foram tão baixos em nosso país como são hoje. Repito, antes da pandemia. E se a inflação subir um pouco é bem provável que muitos investimentos registrem renda negativa durante um determinado tempo. Tipo, aplicar 100, e receber, meses depois, 95! O que chamávamos de renda fixa, de repente teremos que rebatizar por uma espécie de “prejuízo certo”. Portanto, e em diferentes partes do mundo e em muitas cadeias de valor, chegaremos ao que sempre nos disseram ser impossível. Em função da escalabilidade, filha preferida da tecnologia, é bem possível que com os mesmos 100 aplicados meses atrás, e que hoje valem 97, compremos uma quantidade muito maior de um determinado produto, porque a velocidade de queda em seu preço foi maior do que a velocidade da renda negativa que nos foi paga. Ou melhor, debitada, dependendo de nosso ângulo de visão e entendimento. Complicado? É assim mesmo. Vá acostumando sua cabeça…

Eu sou do tempo da uva com semente…

É muito comum na conversa das pessoas alguém sacar um “eu sou do tempo”. Do tempo do bonde, dos verdureiros, do cinema, do vinil, do papel carbono, do bambolê, da TV preto e branco e de botão do videocassete, do retroprojetor… Ao bonde, verdureiros, cinema, vinil, papel carbono, bambolê, nossos eternos, reconhecidos e emocionados agradecimentos pelos inestimáveis serviços prestados, mas, diante de uma alternativa nova e que presta os mesmos e mais serviços, de uma forma melhor, mudamos no dia seguinte. Às vezes, nós, os “desalmados”, no mesmo dia. No ato. Agora uma nova expressão começa a ganhar corpo nas conversas. Eu sou do tempo da uva com caroço. Todos nós, aqui da Madia, somos! Era um porre, grosseiro, deselegante. Enfiava-se a uva na boca e com a língua começava-se a caça aos caroços. Depois de encontrados, levávamos com a ponta da língua para o mais próximo da boca. Abríamos a boca, e com as mãos retirávamos os caroços. E íamos colocando em algum lugar. Os menos civilizados, jogavam no chão. Os mais menos civilizados, ainda, cuspiam e não se davam nem ao trabalho de fazer os caroços passarem pelos dedos. Um dia a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – talvez uma das poucas instituições públicas que vem oferecendo contribuições inestimáveis para o progresso e desenvolvimento do país – no ano de 2012, deu início a um programa de desenvolvimento genético em busca da Uva sem Semente. A BRS Vitória. Abençoado nome que busca o que todos buscamos em nossas vidas. Uva preta, com baixo custo de cultivo, tolerante à chuva, e, sem sementes. Em uma ou duas das primeiras safras constatou-se a sua espetacular adaptação a diferentes tipos de terra e de clima. Ótima no Rio Grande do Sul, no clima da Serra Gaúcha; ótima no semiárido do nordeste. Em pouco tempo passou a ser a espécie de uva dominante em Petrolina, Lagoa Santa, Juazeiro, Casa Nova, Caruaru. Nos anos seguintes a pesquisa procurou dominar o ciclo da Uva sem Semente. E conseguiu! E assim os viticultores do nordeste foram substituindo as espécies Crimson e Thompson pela Vitória. Vitória! Hoje definem quando a produção começa e quando termina. Dominaram o ciclo produtivo, e o planejam em função da demanda. O oposto do que acontecia secularmente, lembram, tempo de uva, tempo de caqui, tempo de pitanga… E se as uvas com sementes eram decadentes e não estavam com nada, perguntadas, as crianças disseram que as uvas com semente eram “…eeecccaaaa”… Já, as sem sementes, tudo de bom, deliciosas. Mas, e mesmo antes que as crianças se manifestassem seus pais já tinham providenciado a troca. Ainda que custando, e por enquanto, o dobro para o consumidor final, a sem semente vende tudo e a com semente encalha. Salta para o final de 2018. CEAGESP. Na parede a fotografia de 2013. 8 milhares de toneladas de uvas produzidas no Vale do São Francisco, contra 7,4 milhares de toneladas importadas muito especialmente do Chile. E a fotografia tirada 5 anos depois, em dezembro de 2018. 12 milhares de toneladas do Vale do São Francisco, e 3,6 milhares de toneladas do Chile. Tendendo para zero, em 2022. Agora, a uva brasileira prepara-se para invadir o mundo. E quem sabe, muito brevemente, o Brasil se converta num dos principais e melhores produtores de vinho do mundo. Não duvide. Mais que na hora do Brasil descobrir sua maior dentre todas as riquezas. Como temos repetido mais que a exaustão com vocês. A Terra. O que temos em baixo da terra. Espetacular tesouro mineral. O que temos em cima da terra, onde se plantando tudo dá, e o que temos na frente da terra, uma natureza exuberante. Esperamos, todos, viver mais alguns anos para dizer, EU SOU DO TEMPO DA UVA COM SEMENTE. Nós e nossos queridos amigos, filhos, netos. Netos que hoje são quase moços e que nos faziam partir a uva ao meio para retirar o caroço… Se nós não atrapalharmos, se nós ajudarmos, o Brasil tem tudo para dar certo… Contamos com todos vocês para aprimorarmos e revolucionarmos tudo, como fizemos com a agora UVA SEM SEMENTE…

Riquelmes em profusão

Uma das maneiras mais fáceis de descobrir a idade de uma pessoa é pelo nome. Muito especialmente e desde que sejam daqueles nomes diferentes e que pontificam em determinados momentos, em função de algum acontecimento onde prevaleçam ou destaquem-se personalidades e celebridades, ainda que, repetindo, momentâneas. Dentre as fontes inspiradoras de nomes para gerações e gerações de brasileiros nos últimos 50 anos, as novelas da Globo são imbatíveis. Calcula-se que hoje, 20% dos brasileiros, que nasceram nas últimas décadas, tenha, nomes de heróis e até mesmo vilões das novelas da Globo. Nomes jamais considerados pelas famílias brasileiras, do dia para a noite, como que por milagre, passaram a batizar milhares de meninos e meninas em todo o país. Claro tinham a ver com o nome de um personagem marcante da novela das 6, 7 ou 8. O mesmo acontece com outras atividades que inspiram mães e pais. Na Copinha São Paulo de 2020, e que reuniu times de todo o Brasil, a maior incidência, foi a profusão de Riquelmes. Doze jogadores de times de diferentes cidades com jogadores homenageando o craque argentino em seus nomes. Riquelmes procedentes de Minas, Ceará, São Paulo, Acre, Rio, Goiás, Amapá… Até o craque argentino jamais, qualquer brasileiro, foi batizado com esse nome. Um dos 12 Riquelmes, entrevistado pela Folha, disse sobre a razão da escolha de seu nome: “Quando eu nasci, 2001, o Riquelme estava no auge da carreira dele. E foi o carrasco do Palmeiras. E como meu pai é corintiano…”. Definitivamente “naming” é uma ciência das mais desafiadoras. Pode facilitar tudo na vida de uma pessoa, ou converter-se num tremendo empecilho. Lembro a vocês uma história que já contei de um taxista do ponto em frente ao MMM. Tinha um irmão gêmeo.  Ao irmão deram o nome de Douglas, e a ele, Orofoncio.  O irmão, o Douglas, estudou medicina e hoje é um médico de sucesso. Já o Orofoncio não é chamado pelo nome; e como lembra fisicamente e muito o negociador de Fernando Collor e que teve um fim trágico, só era chamado de… PC. E o que vale para pessoas, vale rigorosamente, e talvez mais, mesmo, para empresas, produtos e serviços. Naming, o primeiro, o inicial, e um dos maiores desafios do Branding. Assim, não entregue a alguém da família que tem jeito para a coisa, ou a qualquer engraçadinho, a semente da única propriedade de sua empresa e produto. Sua denominação. A semente a partir da qual origina-se a marca. Um ótimo e abençoado começo, ou, uma dificuldade para sempre. Em muitas situações, insuperável. Em tempo, fuja de adornos, penduricalhos e adereços em sua marca. Nada mais constrangedor. Sempre que possível, e sempre é possível, restrinja-se a construir sua marca exclusivamente com letras.