Autor: Francisco Madia

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De como ganhar a vida vendendo medo!

Hoje vamos homenagear um brasileiro que transformou um galinheiro em estúdio e reinou na escuridão das sombras e do sobrenatural pop. Se as pessoas revelam-se ao nascer – são raríssimos os casos – José Mojica Marins é um desses. Chegou ao mundo numa sexta-feira 13, março de 1936. Isso mesmo, sexta, 13! No galinheiro de sua casa, com uma câmera que ganhou de seu pai, fazendo o casting na vizinhança, rodava seus primeiros ensaios cinematográficos. Paupérrimos, mas, verdadeiros. André Barcinski, jornalista, roteirista e diretor de TV, crítico de cinema e música da Folha, que viveu muitos anos e aventuras ao lado de Mojica Marins vai direto ao ponto e diz, “A força e magia das fábulas criadas por Mojica não chegam perto de sua história maior, sua própria vida”. Barcinski conviveu com Mojica durante 35 anos. Viajou com Zé do Caixão pelo mundo, frequentando e cobrindo festivais, e testemunhou cenas inacreditáveis. Com Mojica sendo reverenciado por Paul Schrader (Taxi Driver) por seu filme O Despertar da Besta. Ou alguns roqueiros famosos como Rob Zombie e Johnny Ramone que, literalmente, se ajoelharam diante do Zé. E cineastas de grande curriculum parecendo quase que colegiais na presença do ídolo… Um dia Mojica tem um pesadelo. Ano, 1963. Ele com 27 anos. No sonho, Mojica era arrastado para uma cova com um homem todo de preto e que era ele mesmo… Acorda e decide incorporar o personagem que protagonizou no sonho. Converte-se no coveiro Josefel Zanatas, mais conhecido como Zé do Caixão. Nasce o gênero “horror brasileiro”. Em 2013, quando comemorava os 50 anos de Zé do Caixão, contou ao jornal O Globo que, “O nome Josefel veio de um cara que eu conhecia e que mexia com defuntos, um agente funerário chamado Josef. Zanatas era brincadeira com Satanás…”. A personagem decola no filme de 1963, A Meia Noite Levarei Sua Alma. E ganha corpo e institucionaliza-se na sequência com Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver… Seus filmes de maior sucesso passaram de pouco mais de 1 milhão de ingressos, mas, tornaram-se uma referência na história do cinema brasileiro e mundial. A ideia de Zé do Caixão era completar a trilogia com o filme Encarnação. Mas, além da censura, o filme foi sofrendo percalços pelo caminho. No ano de 1987, o produtor Augusto de Cervantes decide retomar a obra, mas, morre por infecção pulmonar. Na sequência, outro produtor, Ivan Novais chama para si essa missão. Marca um almoço com Zé do Caixão para fechar o contrato. Decide preparar uma peixada para o amigo, sente-se mal durante, e também morre… Finalmente Encarnação é concluída, contando no casting com Jece Valadão. Na última etapa de sua trajetória, Mojica ganhou espaço na televisão, e teve sua obra reconhecida em vida. No Festival de Sundance de 2001, Zé do Caixão mereceu uma retrospectiva de sua obra. E deu seu depoimento: “Estava meio sonolento, entre dormindo e acordado, e foi aí que tudo aconteceu: vi num sonho um vulto me arrastando para um cemitério. Logo ele me deixou em frente a uma lápide, lá havia duas datas, a do meu nascimento e a da minha morte. As pessoas em casa ficaram bastante assustadas, chamaram até um pai-de-santo por achar que eu estava com o diabo no corpo. Acordei aos berros, e naquele momento decidi que faria um filme diferente de tudo que já havia realizado”. José Mojica Marins, deixou sete filhos, doze netos, e uma obra única. E um dos melhores exemplos de muitos dos 50 dos Mandamentos do Marketing. Preferimos relacioná-lo ao mandamento de número 44: Além de Inovar, é Preciso Coragem e Determinação… Coragem e determinação para sobreviver, prosperar e consagrar-se, vendendo um mesmo e único produto: o medo.
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Prego, parafuso, roela, rebimboca

De uns anos para cá, mais ou menos duas décadas, com a multiplicação das áreas de compras nas empresas, a ignorância tomou conta do ambiente corporativo. Uma espécie de epidemia de burrice crônica e acelerada. E assim, por total falta de sensibilidade e inteligência, as empresas tentam comparar e equiparar trabalho intelectual, onde existe um autor e sua equipe assinando e se responsabilizando, e que, se de qualidade, é único, exclusivo, e absolutamente impossível de comparação. Ou a empresa convence-se de que verdadeiramente precisa do conhecimento e competências daquela empresa prestadora de serviços e a contrata, ou arrisca-se a uma concorrência sem o menor sentido, e cujos resultados, em mais de 90% das situações, conforme todas as estatísticas comprovam, serão simplesmente desastrosos. Muito especialmente quando a empresa busca um prestador de serviços para integrar seu time, fazer parte da equipe, agregar-se e agregar ao seu capital humano, por um tempo maior, e não apenas para uma ação ou desafio específico. Recentemente fomos procurados por uma empresa que chegou até nós mediante mais de uma dezena de recomendações, com um desafio grande pela frente, mais que carecendo de orientação, e nos pedindo uma proposta por nossos serviços de consultoria. Sem nenhum problema, sempre que solicitados e nos julgamos capazes de corresponder às expectativas e prestar serviços preparamos e apresentamos propostas. No final de toda a conversa, no entanto, e empolgado com tudo o que viu e ouviu, o profissional pediu a proposta. Mas… Que a encaminhássemos a área de compras porque tudo, absolutamente tudo na sua empresa, de cadeira, ventilador a vaso sanitário, incluindo gente: médicos, arquitetos, consultores, precisava passar por concorrência. De forma delicada e sensível, agradecemos muito pelas referências que coletaram sobre nossa empresa, por terem nos procurado, manifestamos nossa felicidade por poder contar sobre nossa forma de trabalhar tangibilizando e qualificando nossas credenciais, mas disse que não iriamos enviar a proposta e muito menos participar daquela, ou de qualquer outra concorrência. O profissional levou um susto, insistiu, pediu, ”por favor,” que participássemos porque era uma mera formalidade e que certamente ganharíamos… E uma vez mais agradecemos, despedimo-nos e fomos embora. Em chegando ao MMM decidimos escrever um pequeno texto que desde então passa a integrar nossas apresentações e onde manifestamos nossos sentimentos sobre o tema. O texto diz, “Não somos prego, rosca, ruela, nem rebimboca da parafuseta. Com todo o respeito pelos inestimáveis serviços que esses artefatos prestam. Somos únicos. Nosso conhecimento é exclusivo. Impossível de ser comparado a outro prestador de serviços ou profissional. Não necessariamente melhor ou pior; repito, ÚNICO! Mais de 500 empresas confiaram em nós. Mais de 1200 trabalhos realizados, mais de 3000 marcas planejadas, criadas, posicionadas, e de total sucesso, constituem parte das nossas credenciais. Assim, qualquer comparação em concorrências lamentáveis, e, se topássemos, e como sempre, injustas, e, burras. Injustas para todos os envolvidos numa espécie de circo. E burras porque absolutamente impossível comparar-se laranja com banana e abacaxi. Cada um com suas credenciais, competências e merecimentos. Por essa e muitas outras razões, não nos sentamos diante de uma mesa de compras nem por 1 milhão de cacetes e muito menos por 1 pote de ouro. “Tamo fora”. Definitivamente. Assim, se você e sua empresa consideram e querem ter a seu lado a única consultoria empresarial de todo o mundo ideologicamente comprometida com o marketing – clientes e mercado –; a única que colocou em prática, testou e comprovou os ensinamentos monumentais de Peter Ferdinand Drucker, estamos a sua disposição para quantas conversas forem necessárias sem nenhum custo – até porque precisamos saber se é de nossos serviços que sua empresa verdadeiramente precisa –, e, depois, e se for o caso, o encaminhamento de uma proposta. E isso não custa absolutamente nada. É um prazer, uma honra, motivo de alegria e felicidade. Agora, se por acaso você está pensando em nos convidar para participar de uma concorrência, por favor, nem nos deixe saber. Temos uma ótima impressão de sua empresa e não gostaríamos de reconsiderar nossos sentimentos… Este comentário de hoje é uma homenagem a todos os verdadeiros e qualificados prestadores de serviços. Se você é prestador de serviços jamais se submeta a essa manifestação de burrice monumental, e que é, participar de concorrências. Seu trabalho é único. Intelectual. De autor. Portanto, impossível de ser comparado com o que quer que seja. Respeite-se, respeitando todos os demais autores, e que são todos os prestadores de serviços. De todos e quaisquer serviços. E na Sociedade do Conhecimento.
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Podcast, esquece! Livros sim, e o sol a caminho…

E o desespero bateu na quase totalidade das plataformas de comunicação analógicas. Exauridas, e na tentativa de segurar leitores e audiências em processo de derretimento e migração irreversível, e diante das mudanças de comportamento a partir das novas alternativas de mídia do dia para noite, e numa manifestação clara de perda de juízo e desespero, a maioria das plataformas, em comportamento típico de manada, ou de rebanho como se diz agora em tempos de pandemia, converge para uma mesma, inócua e patética solução: o velho e bom podcast. Sob a ótica de quem olha de fora, o velho e bom rádio sem propaganda e, em tese, com maior qualidade de som. Assim, parcela expressiva dos grandes players da mídia analógica: jornais, rádios, emissoras de tv, e até mesmo os portais das novas mídias, todos, sem exceção, oferecendo, milhares de alternativas de podcasts. Estadão, Folha, O Globo, a Globo, Veja, Exame, Jovem Pan, Época, centenas de revistas e jornais de bairro, rádio manicômio, murais de escolas, e muito e muito mais. Isso posto, e se a concorrência pelos olhos já era monumental, com os canais de streaming, com vídeos nas redes sociais, e com 500 mil youtubers no Brasil, por exemplo, agora com um número calculado entre 20 a 50 mil podcasts, multipliquem-se os ouvidos para se ouvir o que quer que seja. Vivemos um momento da história de causar perplexidade. Até supostamente os mais sensíveis e capazes, no desespero, cometem as maiores tolices. O que leva competentes profissionais a engrossarem a loucura e apostarem que todos vão sair pela vida e pelo mundo ouvindo podcasts? Diante de tanto ruído e barulho o grande beneficiado, depois da maior crise e diante de todas as novidades dos últimos 50 anos, e desde o advento do microchip, ano de 1971, é, repito, e em meu entendimento, o… Livro. E nestes dias de quarentena pela Covid-19 então, livros e livros redescobertos nas estantes das casas e das empresas e das escolas e das bibliotecas, e outra grande quantidade comprada pela Amazon e demais marketplaces… Nestas semanas, quem diria, o Covid-19 está resgatando leitores. Pessoas que no passado não passavam um mês sem ler um livro estão voltando com uma saudade abençoada e redentora, para os velhos, novos, e bons livros. E carregando consigo, alguns e novos leitores que vendo a felicidade no olhar de seus avós, pais, mães e tios decidem experimentar. Não todos, mas em número suficiente para que os livros voltem a ocupar o lugar que sempre mereceram em nossas vidas. O de melhor e mais consistente fonte de informação e cultura. Mas, consultores da Madia, lá vêm vocês uma vez mais em defesa dos livros… É verdade. E por uma simples e única razão. Não conhecemos nenhuma outra obra artística individual, produzida de forma tão profunda, reflexiva, sensível, no correr de anos, décadas, muitas vezes de toda uma vida, que não seja o livro. É como se alguém tivesse produzido uma mega sopa de sabedoria no correr de toda uma vida e em fogo brando, e generosamente compartilhasse conosco. E assim, e para que possamos realizar toda a sabedoria e conhecimento contido em cada uma das páginas do livro, não dá, definitivamente não dá, para ler esses mesmos textos perdidos dentre milhares de outras alternativas, por exemplo, no ambiente digital. Precisa ser físico, no papel, sensível a nossos dedos, olhos, coração. Costuma-se dizer que todas as crises, desgraças, tsunamis, acabam por trazer poucas e boas notícias. Em nosso entendimento, e além de reaproximar as famílias, além de resgatar os chamados jogos de salão, o Covid-19 dá um empurrão decisivo no processo de se resgatar o livro. Já os podcasts… Esquece! Apenas mais uma das infinitas manifestações da chamada cauda longa. Esperança amigos. Mais alguns meses, no máximo, voltaremos a ver o sol. Aos pouquinhos, mas, o sol. E poderemos voltar a ler nos parques, ruas, e cafés da cidade.
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Panetone Bauducco

O primeiro é aquele que as pessoas reconhecem como primeiro. Ainda que, não tenha sido… E o melhor e sempre, o que as pessoas elegem como melhor… tudo o mais é decorrência. Tanto quanto as árvores de natal, bolas, luzes, renas, Papai Noel, o panetone é o sinal, código, referência que remete, imediatamente ao Natal. De forma especial, em nosso país. Por culpa, mérito e obra de uma mesma empresa, a Bauducco. Muitas são as histórias a respeito da origem do Panetone. Dentre todas, e pela graça da narrativa, a que ano após ano vai prevalecendo é a de que um dia, um padeiro, o Toni, funcionário da padaria Della Grazia na cidade de Milão, governada por Ludovico, O Mouro, entre 1452 e 1508, apaixonado pela filha de seu patrão, criou um doce para cair nas graças dele e inventou a iguaria. Que era pedida por todos os fregueses da padaria, como, o Pani de Toni. Se essa dúvida resiste e persiste em termos globais, no Brasil não existe qualquer dúvida. Mesmo muitos alegando que anos antes algumas padarias já produziam uma iguaria semelhante, o fato é que o marco inicial da história do panetone em nosso país é o desembarque, no ano de 1948, do imigrante italiano Carlos Bauducco, trazendo em sua bagagem, cabeça e coração uma receita em que colocaria a responsabilidade do sustento de sua família. E sem o saber nem imaginar, das gerações seguintes. Porém, essa preciosidade, também se encontrava adormecida dentro de Carlos, mesmo porque, sua missão em nosso país era outra… Carlos ao desembarcar era um representante comercial, originário da cidade de Turim. Veio cobrar uma dívida de um cafeicultor que importara uma máquina de torrefação de café. Conseguiu receber parte da dívida, apaixonou-se pela cidade de São Paulo, e nas comemorações de seu primeiro Natal por aqui reparou no pouco ou nenhum apreço que os brasileiros tinham pelo tal do “Pão do Toni…”. E aí a receita dormente despertou, decidiu ficar, e assim começa a história do mais forte, obrigatório e essencial produto do natal brasileiro. O Panetone. Não, não qualquer Panetone. O Panetone Bauducco. Todos os demais, na cabeça e no coração da maioria dos brasileiros, mesmos os mais metidos, são contrafacções grosseiras… Terminou o Natal do fatídico ano da pandemia. E o aroma do Panetone Bauducco segue nos supermercados, lojas, e, casas brasileiras. É o perfume do Natal. Ou, se preferirem, o Aroma do Natal e que ainda resiste até o final de janeiro. Hoje, a Bauducco do representante comercial e imigrante Carlos, que nasceu em Turim em 1906, e partiu para sempre, imortalizado por sua obra monumental na cidade de São Paulo, em 1972, é uma empresa de R$ 3 bi de faturamento. Setenta anos depois é comandada por seu neto Massimo, tem 6 mil funcionários, e é, disparado, a maior fábrica de panetones de todo o mundo. No correr dos próximos meses, e de suas três fábricas em Extrema (MG), Guarulhos (SP), e Maceió (AL), saem 75 milhões de panetones. A grosso modo, 1 para cada 2,5 brasileiros. E hoje, além da marca Bauducco, comercializa também com as marcas Visconti e Tommy. Anos atrás, 2012, numa das reuniões da Academia Brasileira de Marketing, criação do MMM, e presidida pelo Madia, o acadêmico Marcelo Cherto, comentou sobre um projeto que sua empresa vinha fazendo para a Bauducco. E que em poucos meses nasceria com uma primeira unidade na esquina da Haddock Lobo com a Lorena. No primeiro dia os consultores da Madia foram conferir a novidade. Nascia a franquia CASAS BAUDUCCO. Hoje, quase 9 anos depois, são 80 lojas franqueadas, e segundo Massimo Bauducco, em entrevista ao Estadão, serão 400 nos próximos 5 anos. Assim, e para sempre, Bauducco confirma o que dissemos ao começarmos este comentário. O primeiro é aquele que as pessoas reconhecem como primeiro. ainda que, não tenha sido… E o melhor e sempre, o que as pessoas elegem como melhor… Tudo o mais é decorrência. Em todos os infinitos concursos que se fazia no Brasil para saber qual era o melhor panetone, e onde participam panetones de docerias gourmets, com ingredientes mais que sofisticados, determinando que um panetone de 1 quilo chegue a custar de 3 a 5 vezes mais do que custa o Bauducco, o Bauducco ganhava de goleada. Decisão, o Bauducco não concorre mais. É Hor Concours. Converteu-se na referência, no paradigma, na fita métrica, na cabeça e no coração dos brasileiros. E quando um produto converte-se em paradigma, em designação genérica de produto, torna-se imbatível, ascende a condição de Perennials, reina. Isso posto, salvo acidentes de percurso ou imprevistos de última hora, Panetone, para a maioria dos brasileiros, em seus corações e mentes, na plenitude de suas capacidades olfativas, Panetone é Bauducco, todos os outros são simpáticas, inocentes e irrelevantes contrafacções.
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Nem o Newseum sobreviveu

Claro, ainda muitas manifestações da chamada mídia analógica permanecem em pé. Vivas, mas envelhecidas. Resistentes, mas debilitadas. Firmes, mas pouco a pouco, desfiguradas. E o museu, síntese de um século de prosperidade, muito especialmente dos jornais, fechou suas portas. Resistirão os poucos jornais sobreviventes? Depois de 22 anos de portas abertas, o Newseum, Museu da Notícia da cidade de Washington, USA, fechou suas portas no dia 31 de dezembro de 2019. Em verdade, e se tivessem um pouco mais de sensibilidade, seus criadores jamais deveriam ter levado adiante a ideia. Al Neuharth, fundador do US Today, foi seu idealizador. Jornalista que Converteu a Gannett Company na maior rede de jornais nos Estados Unidos – 75 publicações – e que criou o Freedom Forum, o grande patrocinador do Newseum, e pilotado pela sua filha Jan Neuharth. Ele, Allen Harold “Al” Neuharth, 22 de março de 1924, 19 de abril de 2013, nascido em Eureka, South Dakota. O Newseum, em verdade, começa no ano de 1997, em Arlington, Virginia, e no fatídico ano de 2008, inaugura sua sede própria em Washington, num prédio que custou US$ 450 milhões, entre o Capitólio e a Casa Branca. Na cidade dos museus, Washington, até que e diante da concorrência, o Newseum recebia ótimo público. Mais ou menos 10 milhões de visitantes a cada ano, e realizando centenas de eventos e conferências. Mas quase nunca conseguia cobrar o ingresso em seu preço cheio, diante da concorrência de duas dezenas de outros museus gratuitos. Falando sobre o fechamento, Michael Hiltzik, escreveu em editorial do Los Angeles Times, que: “O Newseum teve o papel louvável de lembrar a milhões de visitantes que a história do jornalismo é repleta de glórias, mas também de malfeitos; de informação que liberta, mas de muita desinformação, também. E que a liberdade de imprensa sempre está, embora não pareça, por um fio”. No memorial do extinto Newseum dos jornalistas tombados em combate – trabalhando, figuravam 3 brasileiros. Tim Lopes, Vladimir Herzog e Alexandre Von Baumgarten. Falando sobre o fechamento do Newseum, o correspondente do jornal Valor em Washington lembrou que, “Em seu melhor ano, 2017, o Newseum atraiu 855 mil visitantes. E os sucessivos déficits foram determinando 5 sucessivos cortes de pessoal. Em 10 anos recebeu injeções de capital do Freedom Forum da ordem de US$ 272 milhões sem jamais sair do vermelho. Em janeiro de 2019, e com a decisão tomada de fechar suas portas, o prédio de menos de 20 anos foi vendido para a Universidade John Hopkins por US$ 375 milhões. É isso, amigos, a instituição que nasceu para celebrar e imortalizar os jornais, morreu antes da pandemia. Assim, a pergunta que muitos se fazem, é, se até o Newseum não suportou a crise estrutural que mudou para sempre a forma como as pessoas acessam a informação, alguns dos velhos e resilientes jornais resistirão? Nós, consultores da Madia acreditamos que sim. No máximo meia dúzia de grandes jornais, devidamente reinventados e complementados, e milhares de pequenos jornais de periodicidade semanal ou mensal, cobrindo e informando regiões específicas dos países, ou comunidades que se somam e reúnem em torno de determinados temas e assuntos. Os jornais como conhecemos nos últimos 100 anos despediram-se como fez o museu de todos eles, o Newseum. Os que definham e sobrevivem, de forma constrangedora, se não se reinventarem diante da nova realidade, adeus.
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A invasão chinesa, não obstante o coronavírus

Nosso país, passou, no correr de 5 séculos por sucessivas invasões estrangeiras. Até mesmo os chineses pontificaram de forma mais consistente por aqui, nos anos 1950, mas eram… Os velhos chineses da velha China. Nada a ver com os novos chineses da nova, instigante e revolucionária China, que se converteu no maior parceiro comercial do Brasil. Da virada do milênio para cá, os novos chineses começaram a chegar. Muito especialmente na cidade de São Paulo. Hoje já são mais de 300 mil chineses só na capital paulista, que vieram para fincar raízes e participar da reconstrução de nosso país. Gradativamente vão se organizando, somando, e querendo pontuar sua presença em nosso país, a partir de São Paulo, mediante gestos e movimentos institucionais. Assim, e por ocasião do aniversário da cidade no último 25 de janeiro, e que coincidiu com a celebração do ano novo chinês, o ano do rato, uma série de manifestações aconteceram. Muito especialmente, a de plantar as raízes de uma Chinatown na cidade, e como acontece em algumas das principais cidades do mundo. Em todos os próximos anos sentiremos, e superada a coronacrise, e a cada novo mês, uma presença maior de imigrantes chineses entre nós. E com a chegada pra valer, dos grandes players chineses do território da tecnologia, a “invasão” ganhará nova e maiores dimensões. Dos integrantes da primeira leva, início dos anos 1950, e em matéria de O Globo, a manifestação do médico Wong Chiu Ping, cardiologista de 83 anos, que aqui desembarcou em 1951, com a família, e após uma viagem de 83 dias de navio, fugindo da revolução comunista. O Dr. Wong é um dos expoentes e pioneiros da comunidade chinesa no Brasil, tendo comandado a área de cardiologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, e depois de trabalhar no Sírio Libanês… Diz o Dr. Wong: “Finalmente, a comunidade está muito mais aberta e participativa… e isso é bom para os brasileiros e para os chineses…”. Isso posto, amigos, nunca estivemos tão próximos da China, embora geograficamente muito distantes, do que nos encontramos hoje. E quem sabe, o que nasceu mais como uma brincadeira de economistas e jornalistas, décadas atrás, e formalmente encampada pelo Goldman Sachs, o Brics, acabe se revelando na prática, e definindo a segunda ou primeira força da economia mundial. Brics, que começa com B de Brasil, segue com R de Rússia, I, de Índia, e C de China… E com a admissão recente – 14 de abril de 2011 – da África do Sul, e com muitos e outros importantes candidatos na fila aguardando para aderirem. Como, Coreia do Sul, e México. Assim, amigos, os 2021 dentre outras novidades e revelações, institucionalizarão uma aproximação inimaginável, e finalmente, entre Brasil e China. E fazem muito bem as instituições que deixaram de esperar e passaram a agir. Como um Colégio São Bento que hoje é o preferido de parcela expressiva dos filhos de chineses que moram em São Paulo. Muitos, que já nasceram aqui. Quem diria, 30% dos alunos do tradicional São Bento é de origem chinesa. Há 20 anos, se alguém dissesse que um de seus filhos levantou a possibilidade de estudar mandarim, você provavelmente recomendaria uma consulta médica. Hoje, milhares de famílias correm atrás de escolas de mandarim, e milhares de crianças da cidade de São Paulo iniciam-se no aprendizado. 2021, Brasil-China. China-Brasil. Podem apostar, uma das principais características e componentes que reconheceremos, no futuro, quando olharmos e pesquisarmos sobre como foram os anos 2021. Os anos que agora começamos a viver. Brasil-China, China-Brasil.
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Comunicação, a batalha perdida

Onde quase todos os países fracassaram na coronavírus crise? Alguns, como o Brasil, além de não adotarem desde o primeiro dia, o uso da máscara. Jamais por imposição, mas decorrente da motivação e convencimento das pessoas por uma comunicação com um mínimo de qualidade. Mas, os governantes preferiram tentar enfiar goela a baixo a salvadora máscara, com quase 3 meses de atraso, e na porrada: Use máscara, fique em casa, e só faltou encerrar com um palavrão… E, lamentavelmente, foi o que testemunhamos e deu no que deu. Até hoje e ainda, a única vacina de efeitos comprovados, com uma efetividade entre 60% a 80%, e que significaria reduzir a dimensão da pandemia em todos os países que adotassem essa santa providência, para 1 ou dois contaminados, ao invés de cinco que acabaram contaminando-se, e agora não estaríamos considerando o patético e absurdo lockdown! Mas a grande derrota, o não entendimento que a mais eficaz dentre todas as armas era e continua sendo a comunicação. Sempre, na vida e em tudo. A comunicação de qualidade salva. A comunicação medíocre mata. Os governantes, por incompetência, ignorância e medo, decidiram-se pela comunicação medíocre. E, assim, ainda que não fosse essa a intenção, mataram. Comunicação que, e se bem-feita, poderia ter na máscara – sempre no lugar mais alto das pessoas, com mensagens de diferentes tipos – o símbolo da resistência. E da adesão decidida e empolgada das pessoas. E claro, da orientação motivadora, positiva, que enaltece e engrandece as pessoas, e não a tentativa tosca, medíocre, pueril, de tentar conseguir a adesão das pessoas pelo medo e pela porrada, repito. Definitivamente, o pior dos caminhos. E que foi o escolhido por boa parte dos países, sob o comando de políticos despreparados, incapazes e lamentáveis, também repito. Assim, assistimos espetáculos degradantes no Brasil, fazendo com que policiais constrangidos prendessem mulheres que cometiam o crime de andarem ou correrem em praias desertas, ou cidadãos pacatos sentados em bancos de praças. Em outros países da América Latina a truculência foi então maior. Em, Bogotá, Colômbia, e durante um certo momento, decidiu-se pelo rodízio de gênero. Nos dias ímpares só homens na rua; nos pares, só mulher. A respeito de todos os novos gêneros nada foi definido. E multiplicaram-se homens vestidos de mulheres e vice-versa pelas ruas de Bogotá, como acontecia nos carnavais antigos do Brasil. No Peru estabeleceram-se regras tão exóticas que as pessoas ou ignoraram, ou não entenderam, e assim, em poucos dias, e por violarem essas regras absurdas, mais de 60 mil pessoas foram presas. No Peru, e num determinado momento, passou-se a divulgar o número de contaminados, internados, internados em estado grave, e… Presos. Ou seja, amigos, hoje, e próximos de completarmos 10 meses de coronacrise em todo o mundo, a síntese possível do amontoado de erros, é, o mundo não sabe comunicar-se, e, o mundo – a maioria – não entendeu que vacina é muito mais do que alguma coisa que se injeta no organismo. Vacina é o que protege e evita, ou, reduz, as chances de contaminação. Capa de chuva, galocha, camisinha, e máscara! Sim são vacinas provisórias e temporárias. Mas são vacinas. Máscaras! E, também, comunicação de qualidade. Duas cidades médias praticamente gêmeas nos Estados Unidos, optaram por caminhos diferentes e contrários. O da porrada, o da intimidação, uma; e a da comunicação de qualidade, sensibilização, convencimento, adesão. A da porrada continua até hoje contando os mortos. A da comunicação de qualidade voltou à normalidade em duas semanas. Será que aprendemos a lição…?
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O que virá depois? O novo normal, ou, o velho normal?

O que virá depois, e como seremos, é o que muitos se perguntam. Nas últimas duas semanas lemos mais de 100 depoimentos de pessoas esboçando seus primeiros traços sobre um suposto e Novo Normal. Separamos três para este comentário. Dois depoimentos que procuram alertar as pessoas enternecidas com a pandemia de bondade que inundou os corações, e fazem seus alertas, e um carregado de esperanças. Vamos começar com o pianista e maestro argentino, Daniel Barenboim. Que diz: “Acho muito difícil imaginar como será a vida depois deste maldito vírus. As pessoas otimistas pensam que agora vimos como somos todos iguais, que não há pessoas privilegiadas, que este é um vírus que nos iguala e, então, vamos mudar para sempre, cuidar dos outros e ajudaremos quem mais precisa… Eu, francamente não acredito nisso, diz Barenboim… “O instinto de fazer as coisas para o bem é um instituto maravilhoso, mas que não dura”. O ódio, e tudo que é negativo, é muito mais excitante do que o bem. O bom e positivo transmitem calma. Quando você encontra uma pessoa de bom caráter e bem disposto, é um grande prazer, mas não é excitante… Assim, não tenho a menor esperança de que as pessoas mudem por causa do coronavírus…”. Esse é o sentimento do excepcional músico e maestro Daniel Barenboim. O segundo depoimento é do escritor e doutor em filosofia pela USP, Luiz Felipe Pondé … Vai direto ao ponto. “A epidemia das utopias fala coisas do tipo, iremos respeitar mais os humildes, seremos mais solidários… ok, diz Pondé, durante a epidemia, sim, mas, passada a peste a maioria voltará a ser e se comportar como sempre foi. Os humanistas da quarentena voltarão a fazer lives dos hotéis caros que frequentam… O mundo estará mais pobre. Os pobres mais pobres e menos dinheiro circulando. A economia será uma ciência ainda mais triste… o mundo será mais competitivo porque estará mais inseguro… a segurança dará de sete a um na liberdade. O mundo será mais remoto e dos solitários… Encaremos os fatos. No Brasil só classes média e alta podem fazer quarentena. Só eles têm reserva financeira. A maioria esmagadora da população vai pedir esmola, seja do Estado, seja nas ruas… Perguntar porque pobre não faz quarentena é o mesmo que perguntar porque eles não comem bolo, já que não têm pão…”. E o terceiro do escritor mais lido dos últimos 10 anos, Yuval Harari. “Será um mundo diferente. Se melhor ou pior, isso dependerá de nossas decisões de agora. O mais importante é perceber que não há apenas um único resultado determinístico para esta crise. Temos escolhas a fazer. E, se fizermos as escolhas certas, poderemos não apenas superar o vírus, mas emergir da pandemia tendo construído um mundo melhor”. E vocês o que acham? Passada a Pandemia o novo normal será rigorosamente o velho normal? Piorado, talvez para os sinceros, ou melhorado, talvez para os cínicos… Quem sabe, otimistas… E você, já pensou como você amanhecerá no Day After? Algumas pessoas decidiram escrever agora, como acham que serão no Day After Coronacrise. Escrever e guardar, e só abrir dois ou três anos depois para ver se verdadeiramente se conhecem…
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Em meio à covid-19, uma… Língua!

Parou as redações, ainda que por poucos momentos. Mas, parou. Mais que na hora de mostrar essa língua de 50 anos para o Coronavírus… Em tempo, Andy Warhol passou perto, mas jamais colocou a mão na língua… Uma Língua com 50 anos de idade. Em meio à coronacrise, onde a única vacina comprovadamente eficaz e existente é a Máscara, além, claro, de uma comunicação de excepcional qualidade e capaz de mobilizar as pessoas, coisa que definitivamente não aconteceu em nosso país, muito especialmente em São Paulo pela bateção de cabeça infernal e patética de João e Bruno, uma língua com 50 anos de idade impõem-se e ocupa toda a cena. A língua vermelha, espichada, boca afora, concebida no mês de abril de 1970 – 50 anos – para ilustrar o cartaz da turnê dos Rolling Stones. Um dia toca o telefone do Royal College of Art. Era a assistente do empresário do conjunto de rock Rolling Stones. Diz o assistente, “Estamos precisando de uma indicação de um designer para criar o cartaz da turnê pela Europa de uma banda de música… o nome, sim, Rolling Stones…”. Dias depois… “É do escritório do Rolling Stones. Foi daí que pediram uma indicação de designer? Estamos indicando o John Pasche… um jovem e talentoso artista de 24 anos…”. Na semana seguinte Pasche encontra-se com Mick Jagger. Recebe o briefing e marcam uma segunda reunião para dali a uma semana. Pasche chega com duas dúzias de sugestões. Jagger recusa todas, mas, estimula… “tem algumas boas ideias, mas, por favor, tente um pouco mais…”. Na semana seguinte Pasche volta e Jagger escolhe uma língua saindo de uma boca. E pede pequenas modificações. E a partir daí provas, idas e vindas, um pedido adicional de adaptação para aplicação na capa de um programa… Numa terceira reunião, e diante de uma língua saindo de uma boca, mas, e ainda originalmente, em preto e branco Jagger mostrou para Pasche a ilustração da divindade hindu Kali, também com uma língua saindo pela boca… Gesto típico, segundo Pasche, das divindades e das crianças. Jagger bateu o martelo! Antes do natal de 1970, a língua mais vista, publicada e comentada da história moderna estava finalizada, pronta e aprovada. Faltava definir a data de seu lançamento. Abril de 1971, álbum Sticky Fingers – a Língua faz, finalmente, seu debut. O álbum seria lançado na sequência nos Estados Unidos, e, naquele momento, decidiu-se mandar uma versão oficial da língua via fax. Ao receber o fax, razoavelmente borrado, Craig Braun, que trabalhava com Andy Wharol, decidiu dar uma arrumada. E ao arrumar, não deixou de proceder a pequenas e relevantes modificações. Alongou a língua e colocou pequenos detalhes adicionais. E essa versão, converteu-se na versão oficial da língua mais famosa e publicada dos tempos modernos. A única capaz de parar as redações, dar uma pausa nas matérias sobre o Coronavírus, 50 anos depois, e para falar dela, a Língua. John Pasche recebeu 50 libras por seu trabalho, e, no final do primeiro ano, um bônus de performance de 200 libras. A partir de 1976, e com o sucesso da língua, assina um contrato sobre a venda de merchandising, e passa a receber 10% do total das vendas líquidas. Durante 12 anos ganhou um bom dinheiro, e, diante de uma proposta irrecusável da banda, vendeu seus direitos autorais sobre a língua. Essa a língua. Que, repetimos, 50 anos depois, continua parando as redações e mexendo com o mundo. Mais que na hora de mostrar a língua para a Covid-19 para que desapareça e nos devolva a paz.
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O day after coronavírus, das pessoas…

Quase impossível pessoas terem um mínimo de cabeça para começarem a conversar sobre os dias pós-crise, mesmo às vésperas da vacinação. Quando a pandemia estiver sob controle e precisarmos olhar para frente, e dar início a reconstrução, aí sim, sentiremos a dimensão do estrago. Temos testemunhado momentos como esses em nossa vida e a distância, uma vez que essa realidade é comum a uma minoria, e, quase sempre, pessoas e famílias desprovidas de recursos. Quando ocorre alguma tragédia natural, chuvas fortes, enchentes, desabamentos, por exemplo, e, em minutos ou horas, perdem tudo do pouco que tinham. No que viraram a cabeça, ou, abriram os olhos, fim! E têm que recomeçar do zero. Algumas pessoas e famílias, pela segunda vez… É o que nos aguarda para os próximos meses, em maiores ou menores dimensões. Em termos materiais, com sorte e competência, e acima de tudo resiliência e esperança, no correr dos anos concretizaremos a recuperação. Seja essa recuperação qual for. Mas, e para que isso aconteça, a cabeça precisa, custe o que custar, permanecer no lugar. Assim, muitos já começam a refletir sobre como sairemos, como pessoas, e psicológica e mentalmente, dessa crise. Luciana Medeiros, do jornal O Globo, conseguiu entrevistar Andrew Solomon, escritor e professor de psicologia, e autor de um dos livros de maior sucesso em todo o mundo sobre depressão, O Demônio da Meia-Noite, lançado no ano de 2000 e publicado em 25 idiomas. O curioso é que Andrew viveu, semanas atrás, um momento de grande tensão. Depois de participar do evento da American Group Psychotherapy Association, no início de março, com centenas de pessoas, onde vendeu, autografou e se confraternizou corpo a corpo com mais de 70 pessoas, começou a se sentir mal. Desmarcou todos os compromissos, e teve dificuldade em encontrar vagas nos hospitais de Nova Iorque. Sentiu-se mal, veio a tosse, febre, cansaço e optou pelo confinamento. Foi diagnosticado com pneumonia, e recorreu a repouso e antibióticos. E, curou-se. Conversou com a Luciana Medeiros. Vamos conferir agora suas mais importantes reflexões, recomendações e advertências. Sobre se o atual isolamento a que estão submetidas milhões de pessoas pode levar a uma depressão coletiva diz ele, “Esqueceremos a crise, assim que for superada. O trauma, não; permanecerá! A maior parte das pessoas que nasceram em países dominados pelo nazismo, por exemplo, são mais susceptíveis a doenças mentais na sequência de suas vidas. Somos criaturas complexas, programadas para competir no árduo processo de seleção natural e, como grupo, para nos somarmos diante dos desafios da vida. Sem essa energia gregária seria impossível cidades, governos, aviões, amor. Mas, e simultaneamente, existem pessoas que compram todo o estoque de álcool gel para lucrar. Enquanto profissionais da saúde não pensam duas vezes em arriscar suas vidas para salvar a dos outros. Todos temos os dois impulsos. Mas, e na maioria, a civilização humana é pródiga em gentileza e generosidade. E tem consciência de que sem nos ajudarmos a maioria de nós vai morrer…”.Se isolamento é causa ou consequência de depressão ‒ Diz Andrew, “Depressão é doença de solidão. E assim, solidão é causa e sintoma. Meu primeiro episódio de depressão foi aos 25 anos. Meu pai me levou para sua casa. Essa decisão, mais terapia e medicação, salvou a minha vida. É comum um deprimido verbalizar que não suporta a presença de pessoas, mas, deixá-lo só, é um tremendo erro”.Métodos para minimizar as possibilidades de depressão. Em especial, nos mais velhos. “O que está acontecendo na China é uma ótima reflexão. Psicólogos e psiquiatras foram deslocados pelo governo chinês para a cidade de Wuhan, o epicentro global e gênese da pandemia. Cuiyan Wang, uma dessas profissionais deu o seguinte depoimento: ‘Durante a fase inicial, mais da metade das pessoas classificou o impacto psicológico decorrente do vírus, como algo entre moderado e grave. E um terço manifestou ansiedade severa’”. A partir de sua experiência recomendou uma série de procedimentos, muito especialmente aos Estados Unidos, e com a concordância do CDC – Centro de Prevenção e Combate a Doenças daquele País. Mas, o governo americano priorizou as componentes físicas e só depois, disse, cuidará dos cuidados psicológicos. Assim terapeutas voluntários vêm atendendo as pessoas naquele país. Efeitos do Confinamento “As quarentenas pelo mundo criam situações complicadas. Os relacionamentos verdadeiramente sólidos se fortalecerão. Os frágeis, não resistirão. Definitivamente, agora não é o momento de discutir relações…”.Depressão nos mais pobres “A comunidade pobre é quem mais sofre. Nos mais pobres o Covid-19 vai se espalhar a semelhança de um rastilho de pólvora. Nas classes média e alta as pessoas sentem-se no controle por poderem lavar as mãos desinfetar objetos. Já os pobres, que não têm essa possibilidade, são muito mais sensíveis aos riscos e depressão…”.Se a internet, ajuda ou atrapalha… “Além de trazer muito lixo em termos de informação, ainda produz pessoas de olhos vidrados e coladas no celular o dia todo. Mas, e mesmo assim, e em situações de isolamento, é melhor ter do que não ter internet. Conversar, ter notícias, manifestar sentimentos, sentir-se vivo. E ainda, distrair-se com diferentes conteúdos…”. No final, a Luciana, e no capítulo de um dos atenuantes que Andrew Solomon recomenda, que é recorrer a conteúdos relevantes no digital, pediu indicações… E Andrew recomenda, dentre outros… “O MET – Metropolitan Museum de Nova York tem um maravilhoso programa online, e o Museu Dorsay uma incrível coleção de impressionistas acessível pelo notebook, tablet, ou smartphone”. No território dos livros a recomendação dele é “Um Diário do Ano da Peste”, da autoria de Daniel Dafoe. E para os que procuram descontração e o caminho do escapismo recomenda toda a obra de Jane Austen. “E ainda indica as conferências no TED, e os Living Room Concerts, promovidos pela revista Broadway World, e acessíveis pela internet…”. É isso amigos. No Day After, e principalmente agora onde ainda nos encontramos a razoável distância desse momento, é preciso nos mantermos íntegros, intelectualmente, e tomarmos todos os cuidados e providências para nos preservarmos ao máximo e na medida do possível, saudáveis, mentalmente.