Autor: Francisco Madia

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Virgin continua Virgin

Dentre nossos “malucos favoritos”, consultores da Madia, Richard Branson disputa a primeira colocação com Elon Musk. Talvez Musk seja mais criativo e intenso, mas Branson é bem mais divertido e exuberante em suas realizações. Um dia Richard Branson, em quem o pai não apostava um tostão furado pela sua dislexia, colocou na cabeça que colocaria em pé um monte de negócios com uma única e mesma marca. Virgin. E assim fez. Não conhecemos outra história igual. Mais de 300 negócios e todos com a marca Virgin… Especificamente no território da aviação, tudo começou porque estava preparando-se para ir em direção às Ilhas Virgens Britânicas, depois de um dia de trabalho em Porto Rico, quando foi avisado, minutos antes da decolagem, que o voo fora cancelado. Em suas palavras explica o constrangimento pelo voo cancelado, “Tinha uma linda mulher me esperando nas Ilhas Virgens Britânicas, e decidi não decepcionar. Aluguei um avião, comprei uma lousa na loja do aeroporto, e antes que os outros passageiros voltassem para casa escrevi no topo da lousa ‘Voo para as Ilhas Virgens por US$ 39,00 o assento. Rapidamente enchi o meu primeiro voo…’. No final do voo foi aplaudido pelos passageiros e decidiu alugar um primeiro Boeing 747”. Em seu livro de memórias, diz: “Minhas maiores fontes de inspiração para novas ideias são as coisas que me frustram. Se algo está me incomodando, é porque tenho um problema a ser resolvido…”. E assim nasceu a Virgin Atlantic, uma das maiores empresas aéreas do Reino Unido, no ano de 1984. Um dia encasquetou que teria uma linha para o Brasil. Que sua Virgin pousaria em Guarulhos. E começou a montar seu circo numa primeira turnê pelo Brasil. Estadão, 04 de setembro de 2019: “Virgin Atlantic voará para o Brasil a partir de março…”. A companhia aérea britânica Virgin Atlantic vai começar a voar para o Brasil a partir de 2020. O primeiro voo entre o aeroporto de Heathrow, em Londres, e Guarulhos, em São Paulo, está previsto para o dia 29 de março. Mas as passagens começam a ser vendidas na próxima semana, dia 10… Estadão, 28 de maio de 2020: “Virgin Atlantic deixa o Brasil sem nunca ter realizado um voo”. “A aérea britânica Virgin Atlantic, do bilionário Richard Branson, vai encerrar os contratos de trabalho da equipe brasileira nesta sexta-feira. Cancelou os planos de atuar no Brasil sem nunca ter saído do chão…”. Assim, e quem diria, a que tentou voar sem jamais ter feito uma única decolagem, é mais uma das marcas da coronacrise em nosso país. Uma empresa aérea que desistiu sem ao menos ter realizado um único voo. Primeiro adiou o voo previsto de março para outubro. Depois, jogou a toalha… Mas, aguardem. Quando tempos melhores voltarem ou vierem, e como Branson não aceita ficar irritado e nem perder, muito brevemente resgatará seu sonho provisoriamente cancelado. Como sempre diz, “Se perder um ônibus não se desespere. Logo atrás vem outro”. Ou, como dizia, o Barão de Itararé, “Nunca desista de seu sonho. Se ele acabou numa padaria, procure em outra”. Faz parte da vida. Ganha-se duas perde uma e vai-se em frente. Esse é o placar nas centenas de negócios que Branson montou até hoje. De cada três negócios, um não deu certo. Mas dois, deram. Próximo!
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A paz pessoal

Sim, mais que concordamos que em momentos como o que estamos vivendo, nessa pandemia a que fomos submetidos, uma parte de nosso tempo deve ser reservada pra reflexões de ordem pessoal. Na realidade, e mesmo que esse não fosse nosso desejo, muitas vezes no correr dos dias nos descobrimos pensando e refletindo sobre… E todo o restante do tempo, claro, rascunhando, exercitando, e definindo o plano para a volta. O momento em que retomaremos a jornada, provisoriamente interrompida, para que possamos no espaço de tempo mais curto possível, conseguir resgatar a sustentabilidade de nossas empresas e negócios. Em paralelo, a nossa pessoal e de todos que amamos. Especificamente no território da reflexão pessoal, que seguramente todos nós também estamos fazendo, naqueles momentos em que sentamos no sofá para respirar, ou quando nos deitamos e a cabeça não para de funcionar, uma boa recomendação é recorrermos à reflexão de um dos mais importantes escritores e filósofos dos tempos modernos, Alain de Botton. Suíço de Zurique, 1969, residente na cidade de Londres, hoje, e ao lado de Harari, um dos escritores que vêm conseguindo tornar acessíveis temas relevantes e que precisam ser do conhecimento de todos; acima de tudo, pela acessibilidade na e da linguagem. De família originária da vila castelhana de Boton, na Península Ibérica, e hoje desabitada, família que nos anos de 1392, estabeleceu-se na cidade de Alexandria. E onde acabou nascendo, séculos depois, Gilbert de Botton, pai do Alain, investidor e colecionador de artes. Alain viveu até os oito anos na Suíça, domina o francês e o alemão, e aperfeiçoou seu inglês, que também domina, no colégio na cidade de Harrow. Finalmente mudou-se para Londres, acompanhando a família aos 12 anos de idade, e onde se encontra até hoje. Mas vamos aos conselhos de Alain de Botton, nestes tempos de paradeira, de angústias decorrentes da calma que antecede o enfrentamento das consequências das tragédias, exatamente o que estamos vivendo agora enquanto esperamos pelo fim da crise do coronavírus. Alain de Botton diz que “estar confinado é um ótimo estímulo para pensar”. E cria uma espécie de undecágono, ou, undecalátero, polígono de 11 lados, para uma tentativa de guia de sobrevivência em tempos de crise: Aceitar – Somos improváveis e frágeis. Nunca fomos nem seremos mestres das circunstâncias.Admitir – A impotência de nossos poderosos cérebros, humilhação infringida a nós pela natureza, a vulnerabilidade aos absurdos da vida.Deixar ir – Os ideais de perfeição, vidas e trajetórias perfeitas.Sem perseguição – Nada disso foi feito com a gente em mente. Não fomos escolhidos.Amar – Fazer amizades em torno da vulnerabilidade mútua.Servir – Sentir alívio por ser tão mais rico amar do que ser amado e quão mais gratificante é servir que ser servido.Pessimismo – Obtenha paz não esperando o melhor, mas analisando o pior e se vendo bem nesse cenário. Tire o horror de suas dimensões conhecidas.Apreciar – Canto dos pássaros, desenhos de menores de sete anos, e lembranças de praias e abraços.Rir – Insista num humor desafiador a caminho da forca.Autoperdão – É normal ser alienado na maioria das vezes.Pequenos prazeres – Um dia de cada vez, com prazeres modestos: “visão de flores, chocolate e banhos quentes…”. Se você dispuser de algum tempo, e quiser ampliar a reflexão, agregue mais e muitos lados a esse polígono, que nos ajuda a refletir sobre nós mesmos, e em tempos de coronavírus. Confessamos a vocês que esse tipo de pensamento ou atitude não se inserem exatamente no que consideramos essencial para as nossas pessoas, mas como a maior, ou, boa parte das pessoas gosta e acredita, decidimos trazer essas reflexões para compartilhar com vocês, nestes dias de sombras e indefinições…
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Chanel

Se um dia, alguém conseguiu construir uma marca de inquestionável e reconhecido valor, não é, definitivamente, e em tempos de crise, por maior que seja, que tem que buscar sua sobrevivência mediante descontos no preço. Ou como se diz na linguagem chula e vulgar, “abaixando as calças”. É nessa hora que se comprova, se, e verdadeiramente é uma marca forte e de qualidade, e, se tem gestores à altura de todas as suas conquistas. Semanas atrás a redação do Financial Times de Paris produziu importante matéria sobre uma das marcas mais emblemáticas dentre todas; a Chanel. Ainda uma empresa familiar e controlada pelos Wertheimer, divulgou seus resultados referentes a 2019, o primeiro ano sem o comando de seu legendário estilista Karl Lagerfeld. A empresa fundada pela genial Coco Chanel, na cidade de Paris no ano de 1910, registrou receitas de quase US$ 13 bilhões, com um crescimento próximo dos 15% e um lucro de US$ 3,5 bilhões. Ao comentar os resultados com a imprensa, Philippe Blondiaux, diretor financeiro da grife, e dentre outras declarações, disse: A – “Não pretendemos sair desembestados vendendo nossos produtos – roupas, bolsas, relógios – pela internet, ainda que alguns de nossos principais concorrentes, como Gucci e Vuitton tenham mergulhado de cabeça. Só vendemos alguns de nossos produtos de beleza ou no chanel.com, ou no Tmall da China e exclusivamente…”. B – “Continuamos convencidos de que as relações pessoais entre o consultor de moda e o cliente continuarão como o ponto central da experiência em artigos de luxo…”. C – “Jamais concederemos descontos de preço. Ajustamos as encomendas aos nossos fornecedores e não teremos problemas. Descontos e liquidações não fazem e jamais farão parte da filosofia de Chanel…”. É isso amigos. A importância essencial de se ter, sempre, uma política de preços consistente. Mesmo tendo partido no dia 10 de janeiro de 1971, os fundamentos da marca, criados por Gabrielle Bonheur Chanel, permanecem vivos e inabaláveis. Em seu legado e pensamento, Coco Chanel ensinou que: 1 – “Um homem será o que quiser ser, mas jamais deixará de ser o acessório da mulher”. 2 – “A melhor cor do mundo é a que fica bem em você”. 3 – “As melhores coisas da vida são de graça. As segundas melhores custam uma fortuna”. 4 – “Esquece esse negócio de que moda é passageira. Não conheço ninguém que jogue roupa fora só porque aproxima-se a primavera”. 5 – “A escolha é sua. Você pode ser bonita aos 30, charmosa aos 40, e deslumbrante e irresistível pelo resto da vida. Ou não”. 6 – “Se a moda não chega às ruas é qualquer outra coisa menos moda”. 7 – “Vista-se sempre, como se fosse ao encontro de seu pior inimigo”. 8 – “Luxo não é o antônimo de pobreza. Luxo é o antônimo de vulgaridade”. 9 – “A verdadeira elegância acontece quando o interior é tão bonito quanto o exterior”. 10 – “A moda passa. O estilo, jamais”. Ela, Coco Chanel, eterna referência. Sua última citação, ou lição, – “A moda passa. O estilo, jamais” – talvez seja a mais essencial em todos os processos de branding: a importância definitiva de estilo e da personalidade. A verdadeira essência de todas as marcas de excepcional qualidade. Exemplo? Chanel!
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Delirius Digital Tremens

Supostamente o beato Antonio Conselheiro teria previsto, que, “o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão”. Quando olhamos no que se apresenta, e vemos a Nestlé e a Unilever atropelando desembestadas a cadeia de valor e vendendo direto ao tal do consumidor final, leia-se, nós, pelo Facebook, começamos a sorrir de nervosismo. Quando do dia para a noite os grandes bancos são atacados por milhares de bichinhos chamados fintechs, e que até ontem eram lojas, sites, farmácias, barracas de feira, sorveteiro da esquina e todos os Zé Manés possíveis e inimagináveis, abrimos um sorrisão, mas nossas mãos tremem. Quando as casas de leilões de móveis, geladeiras, fogões, tapetes, recusam-se a receber mercadoria porque não têm mais onde literalmente enfiar, tão grave é a ressaca da coronacrise já não conseguimos nem mesmo esboçar um sorriso. Quando João Doria e Jair Bolsonaro se estapeiam na disputa de uma luta de boxe só programada para novembro de 2022, começamos a nos coçar e ter vontade de espancar os irresponsáveis. Mas, de repente, e quando chegamos mais perto, o Doria que tem uma casa de um quarteirão nos Jardins e um Palácio no Morumbi, de dedo em riste, cuspindo fogo pelos olhos e de chicote nas mãos manda os miseráveis trancarem-se em seus barracos e cubículos, e Bolsonaro, em sua tosca normalidade, manda demitir todos os que os cercam exclusive e tão somente seus santos filhos começamos a colocar em dúvida nossa sanidade mental. Onde foram parar as almas abençoadas e generosas? As pessoas de boa-fé, dotadas de imensa compaixão e infinita empatia? O gato comeu? Em 20 anos cinco empresas, as tais das big techs apoderaram-se do mundo. Incomodava-nos, antes, vizinhos bisbilhoteiros que sempre encontravam um jeito de invadirem nossas vidas. E palpitarem… Hoje, sorrimos de felicidade, entregamos tudo, numa boa, de uma forma mais absurda do que os índios encantados com pentes e fivelas. E quando circunstancialmente, assim como no filme Awakenings, temos breves despertares e esboçando alguma reclamação, as top five nos mandam calar a boca mesmo porque elas não têm nada com isso, mesmo porque e quando perguntados se aceitávamos, dissemos, açodados e excitados, Sim! Sim! Sim! As top fives são capazes de prever com uma margem de erro inferior a 1% o que vamos comprar nas próximas horas, quando soltaremos o próximo pum, e se as eleições fossem hoje, com absoluta certeza e precisão o nome dos vencedores. A AI – Artificial Intelligence – mais que encontrar todas as respostas é capaz de fazer perguntas que somos incapazes de formular, e assim, descobrir coisas sobre os carneirinhos, nós, que jamais consideramos. Mas um dia… Diminuímos na bebida e nos intoxicamos nas redes sociais. DDT – Delirius Digital Tremens! Assim, e na primeira metade desta década, o mundo passará por uma geral, acionando um megafreio de arrumação. Joana I, rainha de Nápoles e condessa da Provença, estipulou os estatutos dos bordéis de Avinhão. E notabilizou-se por ser a proprietária da casa mais famosa do mundo, a Casa da Mãe Joana. E que é onde hoje estamos todos, provisória e precariamente, morando. Assim, chegou a hora do pit stop. Para uma água, regulação, antes de seguirmos em frente. E das big techs voltarem à Terra, respeitar incautos, ingênuos e inconsequentes, e, como dizia o Pequeno Príncipe, serem responsáveis pelos tontos que cativaram com muita tralha, bugigangas, e coisas extraordinárias e espetaculares.
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O dia em que o mágico asfixiou a pomba e matou o coelho…

Nos últimos dois anos, o mágico e sua mulher iam todos os dias para o aeroporto de Roraima para saber se havia lugares vazios nos voos. Se tivesse, lá iam os refugiados venezuelanos para o sul do país, recomeçarem suas vidas. Fez um acordo com as empresas aéreas que cediam os lugares vagos para essa nobre missão. Carlos Wizard Martins, Grupo Sforza, dono de uma fortuna de mais de R$ 2 bilhões: Grupo Sforza, leia-se, KFC, Pizza Hut, Taco Bell, Aloha, Rainha, Topper, Ronaldo, Orion, Logbras, Hickies, Number One, Wise Up, Neymar Sports, Mundo Verde, dentre outras. Dedicou os dois últimos anos de sua vida em mais uma obra social, dentre tantas que ele e sua família já protagonizaram. Toda essa história está sintetizada no livro de sua autoria lançado no início de 2020, “Meu Maior Empreendimento”. Mas, caiu em tentação… “Esse período em Roraima foi um grande exercício de humildade. No mundo corporativo, quando fazia viagens internacionais para a China ou Dubai, por exemplo, chegava ao aeroporto e já havia pessoas da companhia aérea me esperando. Assim que me reconheciam me levavam para frente da fila, carregavam minha bagagem, me levavam para a sala vip. Com os refugiados era o contrário. Eu ficava no final da fila esperando todo mundo embarcar, aguardava encerrar a lista de espera e, então, mendigava um lugar vago… Todos os dias eu ia para o aeroporto com os venezuelanos. Se houvesse lugares vagos eles embarcavam. Caso contrário, tentávamos no dia seguinte…”. Carlos entrevistado por Rodrigo Caetano, Revista Exame. “No que essa experiência de Roraima muda seus negócios?” Responde o mágico, “Um dos diferenciais de nosso grupo empresarial é um encontro toda a segunda-feira, às 8hs. No auditório cantamos o Hino Nacional, o hino da empresa, felicitamos os aniversariantes, as grávidas, as novas mães e encerramos com um café da manhã. Ninguém se atrasa… Tenho uma formação religiosa, sou membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Essa base me ajuda no mundo corporativo… A fé é uma forma de tratar bem o semelhante…”. Carlos Wizard Martins, um benchmark da melhor qualidade sobre como empresários e profissionais sempre deveriam comportar-se… Mas, caiu em tentação… Recebeu um convite e, sem refletir, disse sim… Aceitou ocupar uma vaga no Ministério da Saúde a convite do Messias e do ministro Pazuello, com elevadas chances de, em poucas semanas, ser o novo ministro e ocupar o lugar do interino Pazuello. Na empolgação, e acostumado sempre a dar declarações sobre seus negócios onde é o todo poderoso e domina todas as mágicas, Wizard, fez a perigosa mágica de falar pelos cotovelos. Querendo agradar o Messias, declarou ao O Globo: “tem muita gente morrendo por outras causas e os gestores públicos puramente por interesse de ter um orçamento maior nos seus municípios, nos seus estados, colocam todos os mortos como covid…”. A casa caiu… Em 48 horas o mágico desculpou-se, diante da indignação de políticos, e da pressão de seus sócios em seus negócios, e declarou: “Hoje, 7 de junho, deixo de atuar como Conselheiro do Ministério da Saúde. Além disso, também fui convidado para assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta. Agradeço ao Ministro Eduardo Pazuello pela confiança, porém decidi não aceitar para continuar me dedicando de forma solidária e independente aos trabalhos sociais que iniciei em 2018, em Roraima…” Depois de uma história de vida espetacular, de narrativa única, de grandes e muitas realizações, e sucessos, sempre, e, no mínimo, Wizard escorregou na vaidade e na crença que dominava todos os truques… Não dominava. Ninguém domina. A maiori, ad minus – “Quem pode mais pode menos.” Pode ser que isso funcione na Justiça. Na vida, a realidade é outra e completamente diferente. Se faltava um truque dar errado na vida de um mágico que jamais asfixiou pomba ou matou coelhos, finalmente chegou o dia. Que todos tenham aprendido a lição. Empresários, façam seus truques apenas nos territórios que dominem, e onde revelem total e comprovada competência. Como disse Dorothy, no final de O Mágico de Oz, “Não há lugar como nossa casa!”.
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Você é leitor, ou, ouvinte?

Pesquise-se. Conheça-se. Tire proveito de suas características, ou, atenue e proteja-se de suas limitações. A primeira coisa, a saber, sempre, e em seu processo de autobranding, de construir sua própria marca, é ter consciência se você é um leitor ou um ouvinte. Poucas pessoas nem ao menos sabem se são leitores ou ouvintes e que, e apenas excepcionalmente, podem ter as duas características. Alguns exemplos revelam esse desconhecimento. Quando Dwight Eisenhower ocupava o posto de comandante em chefe das forças aliadas na Europa, era o queridinho da imprensa. Suas coletivas eram concorridas por seu estilo. Demonstrava total conhecimento e domínio sobre qualquer pergunta que lhe fizessem, e respondia com frases elegantes e brilhantes. Exemplos literalmente selecionados a dedo… E eram! Dez anos mais tarde os mesmos jornalistas que foram seus admiradores o desprezavam de forma escancarada. Nunca respondia às perguntas e ficava enrolando ao infinito sobre outros assuntos. Respostas longas, incoerentes, e ainda repletas de erros gramaticais. Em verdade, Eisenhower não sabia que era um leitor, e não um ouvinte. Quando comandante em chefe da Europa, seus assessores certificavam-se que cada pergunta fosse apresentada no mínimo meia hora antes de cada coletiva. E então, quando começava a coletiva, ele tinha o comando total. Quando se tornou presidente, sucedeu Roosevelt e Truman, dois presidentes que sabiam que eram ouvintes e adoravam dar coletivas abertas. Eisenhower sentiu-se na obrigação de fazer o mesmo. E, arrebentou-se! Mais tarde, o mesmo aconteceu com Lyndon Johnson, porque não sabia que era um ouvinte. O ouvinte que tentar ser um leitor sofrerá o destino de Johnson, e o leitor que tentar ser um ouvinte terá o mesmo destino de Eisenhower. E vocês, queridos amigos, são leitores, ou, ouvintes? Ter-se consciência dessa característica, ao invés de limitação, converte-se em virtude, e evita e previne desastres monumentais. Você não precisa perguntar para ninguém no que você é bom. Você sabe. Tem facilidade, deita e rola numa discussão aberta, ou, é muito melhor preparando-se antes, e sempre que possível, tendo o suporte do teleprompter, quando vai gravar um vídeo… Não gostou do que acabamos de dizer? Brigue com o mestre. 90% de tudo o que acabamos de comentar com vocês foi escrito pelo adorado mestre e mentor Peter Drucker. Assim que começava um trabalho de consultoria numa empresa procurava identificar, dentre as lideranças, os que eram leitores e os que eram ouvintes. E, na hora de escalar o time, cuidava, mediante recomendações, que cada um explorasse ao máximo suas virtudes e competências naturais. Tentar converter-se leitores em ouvintes ou vice-versa, ouvintes em leitores, segundo o mestre era perda burra e estúpida de tempo e os resultados seriam os piores possíveis. Pior ainda, muitos grandes líderes, e na medida em que tinham um desempenho pífio em suas manifestações, acabavam encerrando a carreira precocemente, ou, trabalhando a meia curva e velocidade. Goleiro é leitor. Centroavante, ouvinte. Não tente transformar um goleiro em ouvinte e um atacante em leitor. O número de gols cairá para próximo de zero, em compensação os frangos vão se suceder e cantar até arrebentar seus ouvidos. Respeite as pessoas como são. E tudo fica mais fácil e rende mais. Sempre.
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Despertares, ou, devagar quase parando…

E assim, e aos poucos, de forma lenta e precária, algumas atividades começam a despertar. Dois business tentam estimar a dimensão do rombo, estrago, prejuízos. Automóveis e aviões. Algumas das montadoras de automóveis, com quase 50 dias de paralização total, retornaram aos poucos e apenas com parte dos trabalhadores. A Fiat reabriu suas fábricas em Betim (MG) e Goiana (PE), assim como a Mercedes em São Bernardo (SP) e Juiz de Fora (MG). Falando à imprensa, na semana anterior e no reinício das operações, Antonio Filosa, presidente da Fiat Chrysler, disse: “Na semana passada acompanhei pessoalmente todos os passos da nova jornada dos empregados, desde a viagem no ônibus até a volta para casa… Seguiremos vigilantes para garantir que a produção seja restabelecida dentro das melhores e mais rigorosas condições de segurança e saúde…”. Já na Mercedes, apenas metade dos funcionários voltou ao trabalho. Pouco mais de 2 mil dos 4,5 mil. E para o retorno foi montado um laboratório de campanha no pátio da unidade do ABC Paulista, com 30 médicos, enfermeiros e atendentes.. Já no business de aviões o efeito é muito mais devastador ainda. Em artigo no New York Times as previsões são as piores possíveis: “Serão necessários anos, para as empresas sobreviventes, voltarem a operar o mesmo volume de voos de 2019…”. No final de 2019, as grandes empresas aéreas americanas, e, finalmente, respiravam aliviadas. Tudo corria em céu de brigadeiro. Uma Delta Airlines exibia em seu balanço um lucro de US$ 1,6 bi com 90 mil funcionários. Hoje, 15 meses depois, com menos de 20% dos voos que fazia em dezembro passado, e ainda assim com uma média de 23 passageiros por voo, registra um prejuízo diário da ordem de US$ 300 milhões, em decorrência de uma folha de pagamento dos tempos de prosperidade, mais pagamento de aluguel e manutenção de aeronaves. Nos Estados Unidos, metade dos 6.215 aviões de todas as empresas aéreas encontram-se no solo há mais de 90 dias. Pior ainda. Além de um momento terrível, esperanças zero quanto ao retorno das empresas nas próximas semanas, e o novo comportamento das pessoas em relação às viagens aéreas. Não mais medo de avião. Medo de contaminação presas em espaços fechados durantes horas… E ainda à sombra das lições do passado. As maiores empresas aéreas do mundo, supostamente inexpugnáveis, tombaram de forma inimaginável diante de crises de menores proporções. Foi o que aconteceu com uma Pan Am e com uma TWA. A mais emblemática de todas as empresas americanas, a Southwest Airlines, e que jamais soube o que fosse prejuízo em seus 47 anos de existência, hoje perde US$ 35 milhões a cada novo dia. J.Scott Kirb, presidente da United, traduziu a situação da seguinte maneira: “Hoje, todas as empresas aéreas dos Estados Unidos e do mundo, continuam esperando pelo melhor, mas, preparando-se para o pior…”. Em nota, divulgada semanas atrás pela Iata, Associação Internacional de Transporte Aéreo, a previsão de que as viagens de avião terão um aumento inicial médio no preço das passagens da ordem de 50%. Será que algum dia nós voltaremos a voar em negócios, ou, em férias…? É o que muitos se perguntam na escuridão da crise… Claro que sim, o difícil é conseguirmos dizer quando isso acontecerá, e quais empresas aéreas permanecerão vivas. Aconteceu. Nada a fazer. Juntar os cacos e recomeçar novamente.
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Caoa falou

Para muitas pessoas, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o Dr. Caoa, é uma espécie de Nova Velhinha de Taubaté, lembram, personagem criada por Luiz Fernando Veríssimo, e que era, “a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo”. Pela energia que revela, pelos investimentos em publicidade que faz, parece ser a última pessoa no Brasil de hoje a acreditar no automóvel, na indústria automobilística, e em sua capacidade de convencer os últimos compradores de automóveis que os carros chineses são de excepcional qualidade. Hoje, nas principais plataformas impressas e sobreviventes, muito especialmente nos quatro grandes jornais do País, quase agonizantes: Estadão, O Globo, Folha e Valor é, de longe, o principal anunciante. Quase todos os dias duas ou três páginas duplas. Assim como é o grande anunciante das revistas sobreviventes, muito especialmente, a Veja. Imagino que as áreas comerciais dessas publicações rezem pelo Carlos Alberto Oliveira várias vezes, todos os dias da semana/mês/ano. É raro o Dr. Caoa conceder entrevistas, mas, semanas atrás, falou ao Valor e à jornalista Marli Olmos. De sua entrevista, separamos algumas de suas declarações. 1 – Planos de Exportação “Começamos a exportar um pequeno lote de automóveis para o Paraguai. E isso é apenas o início. Já recebemos autorização de nosso parceiro Chery para vender também para a Argentina e outros países. Incluindo toda a América Latina e, em especial, o México…”. 2 – Pandemia “Esse sistema de reuniões virtuais tem sido muito bacana. A gente fala com tranquilidade porque não se distrai. Temos tomado importantes decisões nessas reuniões virtuais…”. 3 – Otimista ou Pessimista? “Muito otimista. Por uma simples razão. Tenho percebido que os carros da China têm muita tecnologia. Quando estive na China em 2017, me levaram ao centro de pesquisa e desenvolvimento da Chery e me impressionei muito. Eles têm uma estrutura violenta. Um negócio gigantesco. 4 – Tecnologia Chinesa “A tecnologia chinesa sem dúvida vai superar a todas as demais. A Chery, por exemplo, tem uma marca de luxo, a Exeed, para brigar com Mercedes e BMW. Vou lançar essa marca no Brasil em janeiro… E, vamos fabricar aqui!”. 5 – Sobre Bolsonaro “O presidente tem um jeitão que muitas vezes penso que é tática dele. Mas não existe corrupção. Os escândalos em compras de materiais hospitalares foram debelados rapidamente. Antigamente isso não existia…”. Esse, o Dr. Caoa. O médico que se converteu num dos maiores vendedores de automóveis do mundo. Um empresário absolutamente fora da curva. Em seu comportamento, movimentos, decisões, e raras entrevistas. E que, e por enquanto, e não necessariamente seguindo os fundamentos, permanece alcançando grande sucesso. Uma espécie de principal e/ou último cliente das plataformas analógicas impressas sobreviventes.
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Silvio Santos

Um dia o camelô Senior Abravanel, que nasceu na Travessa Bemtevi no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, no dia 12 de dezembro de 1930, que esbanja saúde e acaba de completar 90 anos, filho de um emigrante grego, Alberto, sefardita de Tessalônica, e Rebeca, judia de Esmirna, parte do antigo império Otomano, enveredou pela carreira artística, sem prática e nem habilidade além das de camelô. Mas, e com talento vazando por todos os poros, emplacou um primeiro programa na televisão em 1962 – Vamos Brincar de Forca, TV Paulista – e que mais adiante virou o Programa Silvio Santos, na sequência comprou o Baú da Felicidade de seu amigo Manoel de Nóbrega, e, finalmente, no dia 22 de outubro de 1975, o maior comunicador que o Brasil já teve até hoje, recebeu de Ernesto Geisel o direito a um canal de televisão, um canal no Rio de Janeiro. E que no correr dos anos evoluiu para uma rede, o atual SBT. No meio do caminho montou um banco que, e como todos os seus demais negócios, foi ficando pelo caminho, quebrando, salvando-se sempre, e exclusivamente, só o que dependida de seu talento de comunicador. A televisão, o SBT. Grosso modo, um homem de um sucesso só. Mas, que sucesso! Dentre suas tentativas precárias, decidiu porque decidiu mergulhar no território da beleza. E em outubro de 2006, lançou a Jequiti. Hoje, 14 anos depois, a Jequiti é uma promessa que não sai do lugar. Mesmo com o espaço desproporcional em publicidade que tem no SBT, continua sendo um dos negócios perspectiva zero de Silvio Santos. Que segue colocando em risco sua galinha de ovos de ouro, o SBT, como aconteceu com suas perdas monumentais no Banco PanAmericano. Conclusão, mais uma vez volta-se a falar na venda da Jequiti. E a pergunta, quem teria interesse em comprar uma empresa que 14 anos depois, e não obstante a injeção desproporcional de espaços publicitários, é uma máquina de perder dinheiro? Os últimos números disponíveis falam de uma venda total de R$ 470 milhões em 2019, para um exército de 250 mil revendedoras, ou seja, um desempenho pífio. A história da Jequiti, assim como de outros negócios de Silvio Santos, é uma sucessão de equívocos. Como empresa de beleza, jamais conseguiu ter um posicionamento minimamente consistente, e com qualquer possibilidade de sucesso. Uma empresa que mantem-se em pé, repito, anabolizada pelos espaços e presença que tem no SBT, e pelas sucessivas e infindáveis promoções que são feitas com resultados decepcionantes e insuficientes, sempre. Anos atrás Guilherme Stoliar, na época o principal executivo do SBT, e sobrinho de Silvio Santos, recomendou o fechamento da Jequiti. Hoje, imagino, e para fechar, Silvio Santos e família terão que realizar elevado prejuízo. Jequiti, objetivamente, e diante de tudo o que fez de forma equivocada, e do sucesso de empresas como Natura e Boticário, não faz mais o menor sentido. Salvo, um milagre excepcional. Como há tempos não testemunhamos no mundo dos negócios.
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Amontoa office

De repente, parcela expressiva de pessoas trabalhando de suas casas, e recorrendo às dezenas de plataformas de trabalho e reuniões a distância. Quase todos fazendo zoooommmmmmmm! Tudo precário e provisório. Se for para valer, mais adiante, é mais que indispensável organizar-se para. Não dá para fazer home office na base do “lá em casa”. Provisória e circunstancialmente, tudo bem. Finge-se que não se vê e nem se ouve as crianças correndo de lá para cá, mulher ou marido chegando das compras e sem perceber interrompendo reuniões, e até mesmo alguns descuidos nos trajes mais que registrados. Não é raro peladões passarem por trás de profissionais descuidados… Se um dia isso vier a ser para valer, home office, várias questões se colocam. E a primeira é mortal. Dispõe o profissional de espaço adequado em sua casa para um home office com um mínimo de qualidade? Se sim, a pergunta seguinte e pela ordem, como qualificar melhor seus hardwares para um desempenho adequado. Por último, mas não em último lugar, escrever a disciplina que obrigatoriamente precisará prevalecer em sua casa para que a decisão possa ser considerada séria e profissional. E para isso precisará contar com a adesão e comprometimento do marido, ou da mulher, dos filhos, da sogra, do cachorro, passarinhos, e eventualmente de vizinhos que cantam ou falam alto. Caso contrário… Caso contrário a solução continua válida, mas aí, o melhor mesmo, é profissionais e empresas negociarem um espaço num coworking o mais próximo da casa. Essa é a melhor solução, disparado. É isso ou é isso. E por isso, os coworks de bairro devem multiplicar-se dezenas de vezes em todos os próximos anos. E, se não for isso, é de faz de conta… De mentirinha. Não é trabalhar de casa. É trabalhar no lá em casa…