Autor: Francisco Madia

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Um recall sem fim…

Um dos maiores recalls de todos os tempos ainda continuará presente no noticiário por no mínimo mais 10 anos. O mega recall de airbags da antiga Takata, que, devido ao recall rebatizou-se para Joyson Safety. Foram convocados, para consertar os defeitos nos airbags, e que em situações específicas corriam o risco de explodir e disparar peças de metal mortais nos motoristas e passageiros, mais de 30 milhões de automóveis em todo o mundo. No Brasil os convocados foram em número de 5,4 milhões de diferentes marcas, sendo que apenas 2,7 milhões, até o final do ano passado, atenderam à convocação. Até hoje e em decorrência desse defeito de fabricação, registraram-se 22 mortes e mais de 200 feridos. E o recall da Takata passou para a história, consagrando, o doloroso aprendizado, de que o açodamento nos lançamentos de produtos é injustificável e pode se tornar criminoso. Reiterando, uma vez mais o mantra que corre pelas empresas que apressam-se em colocar produtos no mercado sem todos os testes realizados, e como é o caso monumental dos dias de hoje com o absurdo dos absurdos chamado Boeing 737 Max, o avião feito para voar mas, que cai, mantra que é, “A pressa passa e a merda fica”. É isso amigos, a história do marketing, da administração e dos negócios coleciona – não deveria – milhares de situações onde o açodamento tomou conta da empresa, e por razões das mais estapafúrdias, decidiram-se enfiar os dois pés no acelerador, mesmo faltando muitos e muitos testes para se comprovar a verdadeira qualidade do produto. Paraquedas feitos com fios de nylon “fakes” e que acabaram caindo depois do salto, Pílulas Anticoncepcionais de mentira e feitas de farinha que resultavam em gravidez nem previstas e muito menos desejadas, Smartphones Dobráveis que prometiam dobrar… Dobravam… e, quebravam. Latas Precárias para envasamento de cerveja, que desprendiam o verniz interno, que misturava-se com a cerveja, produzindo uma monumental e tóxica gororoba, Smartphones que explodiam, Uísques que embranqueciam depois de poucos dias nas gondolas dos supermercados, e… Poderia passar o dia e invadir a manhã relacionando as milhares de barbaridades cometidas em nome do açodamento e da pressa. Lembrando e repetindo, A PRESSA PASSA, A MERDA FICA.
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Lições circunstanciais de Branding por um cirurgião plástico

Na página 20 da revista Veja, edição de 12 de fevereiro de 2020, uma entrevista com um cirurgião plástico. De quem jamais ouvíramos falar, e de quem jamais pretendemos assistir seu reality na TV. Paul Nassif, do canal E!, programa especializado em mostrar as competências dele em refazer cirurgias plásticas que deram errado. Mas, e de qualquer maneira, traz algumas manifestações de sabedoria e sensibilidade, como Mother Mary falava na canção dos Beatles, “speaking words of wisdom… Let it be, let it be…”, e absolutamente essenciais nos processos de Branding. Por exemplo, Paul Nassif diz: “Diversas pessoas se submetem a uma cirurgia para agradar aos outros, e não a elas mesmas. No programa, é comum vermos também os viciados em plástica. Essas pessoas não são realistas, querem algo que não podem alcançar…”. Nós, consultores do MadiaMundoMarketing, temos participado  do processo de Branding de mais de 3.000 marcas, incluindo as duas de maior valor do Brasil, e cansamos de ver profissionais recém-chegados nas empresas,  e que em suas primeiras manifestações, recomendavam proceder mudanças ou, até mesmo, trocas de marca. Queriam porque queriam. Porque achavam, não dando a menor importância ao dna, cultura, trajetória e propósito do business. Muitas vezes, e quando como consultores registrávamos esse tipo de comportamento mal o profissional chegara à empresa e o CEO pedia nossa orientação se devia ou não mudar a marca, examinávamos os desempenhos anteriores desse profissional em outras empresas, e quase sempre, com poucas e honrosas exceções, o mesmo comportamento. Viam na mudança uma suposta oportunidade de demonstrarem competência e talento, e tudo o que conseguiram produzir, nas empresas anteriores, foram desastres monumentais, crimes e prejuízos irreparáveis, Brandicídios! Segue Paul Nassif em sua entrevista à Veja dizendo, “Quem busca uma plástica quer, no fundo, continuar sendo o mesmo, mas melhorado. Assim o que percebo com frequência são pessoas com Transtorno Dismórfico – distúrbio mental que faz o paciente ver na própria aparência muitos possíveis defeitos, além daqueles que eventualmente tem”. Em verdade, quando uma empresa busca um retrofit ou atualização de uma marca, apenas procura garantir que o ótimo continue ótimo, atualizado. Não corrigir supostos e eventuais defeitos. Depois de décadas de sucesso, conhecimento e consagração, uma MARCA é o que é! Salvo raríssimas exceções e em casos terminais, deve se considerar sua mudança e redesenho. Excepcionalmente, sua designação, naming. E, por decorrência, percepção e leitura. Apenas, proceder-se a eventuais e mínimas atualizações, para conseguir-se alcançar, nos 2020, e provocar nas pessoas, semelhante sensação que provocava nos 1980,1990,2000,2010… “OOOHHHHHHHH!!!!!!”. Paul Nassif fala também sobre penduricalhos. Todos nós nascemos com alguns penduricalhos em nossos rostos. Talvez o mais proeminente, para o bem ou para o mal, seja o Nariz. Em segundo lugar, dissimuladas, as orelhas. E segundo Nassif, é onde se encontram os maiores riscos nas plásticas. Diz, Nassif, “Dentre as plásticas, a que têm maiores possibilidades de dar errado são as do nariz. Se o médico for ruim, uma pequena alteração no nariz poderá não cicatrizar bem e trazer um resultado insatisfatório. Narizes são difíceis, por isso são poucos os bons cirurgiões de rinoplastia. Já atendi pacientes que tinham passado por cirurgia há mais de dez anos e estava tudo bem. Mas, o nariz pode mudar, entortar, ou a ponta cair, e, assim, precisar ser refeito…”. Os narizes das marcas são os penduricalhos. Adereços que empresários, profissionais, gestores de produtos, e algumas empresas de design adoram colocar nas marcas. De simples e quase imperceptíveis detalhes, passando por guarda-chuvas, árvores, chapéus, estrelinhas, repolhos monumentais que escondem o naming – a designação –, e convertem-se em manifestações patéticas e constrangedoras. Uma marca escondendo-se tendo a sua frente, atrás, ou, sob, ou sobre um penduricalho. Aqui na MADIA, somos radicais e definitivos. Por décadas e séculos nenhuma empresa, independente de porte e especialização, deveria recorrer à muleta, ou a um penduricalho nariz, orelha, brinco, colar, piercing. Por mais discreto que venha a ser. No processo de multiplicação ao infinito em escala monumental de sinais e códigos de comunicação presentes na nova economia, e exacerbados pelas diferentes plataformas digitais, pelo amor de Deus, empresas, restrinjam-se ao naming. Curto, simples, memorável, mais consoantes menos vogais, se possível duas sílabas no máximo, e jamais recorrer a consoantes fracas. E desde a primeira vez, um naming escrito ou desenhado de forma limpa, elegante, e única. Mais que possível! E capriche sempre no Positioning Statement – quanto mais corresponder ao propósito da empresa, maiores as chances de rápida memorização e sucesso. Just Do It!  Se alguma empresa de design vier propor a sua empresa um penduricalho em sua marca chame a polícia, ou expulse com humilhação. Maria, José, Tereza, Tonico, Tião, Ana, Pedro, João, no máximo, Ricardo, Elisa, Sônia. Namings simples, sonoros, memoráveis, gostosos de se falar, ver, ouvir, conviver… E pelos quais nos apaixonaremos. Repetimos, pedindo tomando emprestado da Nike, Just Do It!
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Escalabilidade das novas fortunas. E o tempero corrosivo do coronavírus

Dentre as principais questões a serem discutidas globalmente e sob o viés ético nestes anos 2020, a possibilidade de se construir fortunas monumentais em uma ou duas décadas. O que no passado, na economia analógica, eram necessárias de 2 a 4 gerações de uma mesma família para que se chegasse a condição de bilionário, hoje, existem casos de menos de uma década, 5 anos, e até 2 anos e, ou, meses… Talvez a mais emblemática referência da escalabilidade decorrente da tecnologia, e onde se inclui a construção de fortunas em tempo recorde, é o todo poderoso Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, com um patrimônio pessoal que caminha de forma acelerada em direção aos US$ 200 bilhões. Tudo começou há pouco mais de 25 anos quando a Amazon foi fundada, e para vender exclusivamente livros, convertendo-se, muito rapidamente, num dos dois maiores marketplaces de todo o mundo. Assim, e sem esconder sua riqueza, semanas atrás, Jeff Bezos comprou a mansão mais cara da cidade de Los Angeles, e que se soma a uma série de outras propriedades que tem ao redor do mundo, e alguns apartamentos na ilha de Manhattan. Por US$ 165 milhões comprou uma propriedade de 1 alqueire e meio – quase 40 mil metros quadrados de terreno, toda cercada de terraços, com casa para hóspedes, piscina, quadras de tênis e campo de golfe… E no meio do caminho, e para atenuar eventuais sentimentos de culpa, tentou e vem tentando ressuscitar um dos mais importantes jornais do mundo, o The Washington Post. Ou seja, se a urgência de spinoffs – desmembramentos – das Bigtechs já constava da pauta de todas as discussões que hoje se trava em todo mundo, e diante do aumento exponencial das desigualdades, a exibição pública da pessoa mais rica do mundo – Bezos – apimenta ainda mais o tema. E é o que o mundo vai discutir em todos os próximos meses, enquanto vai se defendendo do Coronavírus. Que apimenta ainda mais os ânimos e o constrangimento sobre as desigualdades. Por outro lado, e hoje, indo direto para os finalmente, Sergey Brin, Larry Page e Mark Zuckerberg, SÃO OS DONOS DO MUNDO. Isso mesmo, vamos repetir, os três são os donos do mundo. Com exceção da China, e de poucos outros países, Sergey e Larry, Google, e Zuckerberg, “Feice”, Whatsapp e Instagram dominam o mundo. Mandam, fiscalizam, imprimem a tal de verdade, cobram por tudo isso, e dia após dia veem seus domínios e riquezas crescerem ao infinito. Assim, amigos, podem escrever, não passa de 2022 o trio ser encostado na parede, por um mundo pego de surpresas e que não soube reagir a tempo, para exigir um spinoff drástico, e enquadramento a uma nova e radical regulação. Há meses o Whatsapp comemorou 2 bilhões de usuários. Que somados aos 2,3 bi do “Feice”, e 1 bi do Instagram totalizam mais de 5 bilhões de usuários sob o domínio, controle e influência, de Mark Zuckerberg. Por maiores que sejam as superposições. Já o Google, com exceção de poucos países, tem o domínio absoluto de todas as buscas realizadas na digisfera, no chamado ambiente digital. Conhece todos os caminhos, inquietações, dúvidas, ansiedades, merdas, esquizofrenias que todos nós manifestamos, no automático, e no correr de cada novo dia, infinitas vezes por dia. Sabe, com um índice de acerto superior a 80%, o que vamos dizer, o que pretendemos comprar, e com estão nossos sentimentos. Assim, e no momento em que o Whatsapp comemora seus primeiros 2 bilhões de usuários, mais que na hora de considerarmos uma grande conferência mundial, para uma nova regulação da economia global, definitivamente destroçada por todas as conquistas maravilhosas do tsunami tecnológico, claro, com todos os exageros, absurdos e toxidades, inerentes. A última vez que o mundo parou e fez isso foi no ano de 1944, para costurar os estragos de duas Grandes guerras, e em Bretton Woods. Os estragos decorrentes do tsunami tecnológico – e claro, todas as conquistas também – sem derramar uma única gota de sangue, foram e continuam sendo infinitamente, e ainda escalando, mais devastadores que todas as guerras de todos os últimos séculos. Muito especialmente, a Primeira e a Segunda Grandes Guerras. Mais que na hora do mundo organizar a bagunça. Mais que na hora de darmos uma organizada no caos. Antes que…
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Cingapura, apenas uma referência, e nada mais

Dentre as cidades mais festejadas dos dias que vivemos, do tsunami tecnológico, da travessia do mundo velho para o admirável mundo novo, Cingapura ocupa um das, ou, talvez, a primeira colocação. Oferece importantes lições e constitui-se num ótimo “case” a ser discutido e analisado para todos os demais países. E ponto. Absolutamente impossível replicar-se em países maiores e com séculos de problemas e desafios nas costas, às mesmas soluções encontradas por Cingapura. Começa que o país todo, Cingapura, é uma ilha com 719 Km2, pouca coisa menor que a metade da cidade de São Paulo, e 12 vezes apenas maior que a ilha de Manhattan. Ou seja, um país pequeno, ou, mínimo. Mas, tem um outro e importante detalhe. Cingapura é como se fosse um Neon, um Nubank. O Brasil é um Bradesco ou um Itaú, Banco Do Brasil. E como o Bradesco e o Itaú, e os demais grandes bancos, têm um passado para resolver e descartar a maior parte. São milhares de metros quadrados de espaços, mais móveis, mais milhares de agências que não servem para mais nada, enquanto as fintechs ou novos bancos só olham para o futuro. Se nossa história vai completar 520 anos, a de Cingapura tem 54. O Brasil também tem que resolver as encrencas que construiu no passado. Como, e, por exemplo, um Estado balofo e voraz que debilita dia após dia nossa economia. Em 1965, Cingapura separa-se da Malásia, renasce como estado independente, só olha para frente, já que a natureza é pobre e tem que importar até água, concentra-se na industrialização, e mergulha na tecnologia. Sai da frente! Hoje a pequenininha Cingapura é o quarto maior centro financeiro do mundo, registra a presença de 7 mil empresas multinacionais. 97% da população são alfabetizadas, de verdade; 77% têm curso superior; É o país mais competitivo segundo o Fórum Econômico Mundial; 91% dos habitantes têm acesso a banda larga, e é o segundo lugar mais fácil de se fazer negócios em todo o planeta. Considerando a dimensão do país, a forma moderna como se planeja, organiza e trabalha, definiu suas metas para 2030 e certamente vai alcançar todas. Nenhuma casa a mais que 10 minutos a pé de uma estação do Metrô; Ninguém pode morar e trabalhar a mais de uma hora de distância; Ninguém pode morar a uma distância superior a 400 metros de um parque; 30% das posições de diretorias e conselhos das empresas ocupados por mulheres, e por aí vai. Ou seja, amigos, Cingapura é uma maquete. Um sonho que se realiza. Temos muito que, mais que aprender e aproveitar de todas as experiências que a cidade vem realizando, mas nossos desafios são de outra ordem e dimensão. Talvez, um exercício que deveríamos fazer, numa espécie de Projeto Brasil Cingapura, é analisarmos nossas 500 principais cidades, e ver o que poderíamos aproveitar e replicar daquele país cidade, por aqui. É só isso. Mas, só isso, e já é muito! Vamos refletir, considerar, e, quem sabe, replicar algumas dessas iniciativas.
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Princesa Isabel, Socorro!

Estaríamos voltando aos velhos e péssimos tempos da escravatura. Acho que sim, ainda que movida a tecnologia, inteligência artificial, aplicativos, e tudo o de mais moderno. No ar, as Dark Kitchens! No início, os aplicativos de entregas de comida, trabalhavam com os restaurantes existentes. E assim passaram-se os primeiros anos, os anos de implantação do sistema ou da nova cadeia de valor. Os preços cobrados pelos restaurantes já existentes incluíam todos os custos, impostos, aluguel, marca, decoração, aparelhagem, enfim, tudo o que caracteriza um restaurante de verdade. Portanto, e mesmo comendo-se em casa e a distância, no preço do prato estava tudo incluído. E ainda era necessário agregar-se o custo da empresa de delivery, de entrega da comida. Ou seja, em relação aos preços praticados, os entregues em casa, custavam entre 8% a 12%, até 20% a mais. Assim, só pediam comida em casa as pessoas que tinham dinheiro e poderiam comer nos restaurantes, mas, por preguiça ou falta de tempo, preferiam pedir pelo smartphone. Queriam maratonar na Netflix e não tinham tempo para perder. Se todos se conformassem com isso, tudo estaria acomodado e nada mais aconteceria. Mas as novas empresas de entrega, turbinadas com o capital de investidores, não podiam parar de crescer, de melhorar a margem, rentabilidade… Em síntese, precisavam escalar. Aditivadas pela inteligência artificial sabiam muito mais do que os donos dos restaurantes, quais eram os clientes e o que queriam, e sabiam também que para poderem continuar crescendo na velocidade desejada pelos investidores, precisavam ser acessíveis às classes C e D. E se continuassem entregando comida de restaurantes que pagam aluguel, impostos, encargos sociais, e tudo o mais, não conseguiriam tornar-se acessíveis a esse universo e mundo maior das classes Cs e Ds. Solução, Dark Kitchens! Cozinhas que ninguém tem a mais pálida ideia onde é, de quem é, e que funcionam exclusivamente para o delivery, eliminam infinitos custos, e têm condição de praticar preços menores e acessíveis às classes C e D. Ou seja, antigos donos de restaurantes, e novos donos de restaurantes, estão multiplicando a quantidade de Dark Kitchens e passam a trabalhar para os aplicativos. Uma espécie de escravos dos tempos modernos, ou Digital Slaves. Inclusive com direito a música composta e cantada pelo Bayside Kings. Lembram,“Alienated, you choose to live in a world that was built to entertain you and distance you from what’s real…”. Daniele Madureira, do jornal Valor, foi atrás, e escreveu, no título de sua matérira, “Aplicativos de entrega dão as ordens na cozinha”. Daniele começa assim, a descrever o que encontrou, “Se depender dos grandes aplicativos de entrega de comida o tradicional convite “visite a nossa cozinha”, exposto em boa parte dos restaurantes, tende a desaparecer…” e conclui, “empresas como o iFood, Rappi, e Uber Eats estão investindo nas chamadas Dark Kitchens que só funcionam para atender às demandas dos serviços de delivery…”. Nas chamadas Dark Kitchens, os chefes de cozinha cozinham de olhos vendados. Não têm a mais pálida ideia de quem é que compra e come sua comida. Seu horizonte termina no motoboy que retira e faz a entrega. Fim. Uma perna só. Silêncio. Segundo Daniele, o roteiro é o seguinte: “Os aplicativos usam os imensos bancos de dados que possuem para identificar a demanda por um determinado tipo de refeição em um bairro ou vizinhança da cidade. De posse dessa informação, buscam um dos restaurantes que já usa a plataforma para a entrega e orienta na escolha de um ponto para a montagem de mais uma Dark Kitchens. O investimento fica por conta do restaurante que fecha um contrato de exclusividade com o aplicativo. A cozinha trabalha a portas fechadas e apenas para atender os clientes do aplicativo. Como se fosse a cozinha de uma casa. E recebe toda a orientação do aplicativo, inclusive passa a trabalhar com uma marca específica do aplicativo criada para esse serviço…”. Todos os aplicativos escondem o número das tais Dark Kitchens. Mas o Uber Eats abriu para Daniela uma pequena pista: “Nos 36 países onde encontra-se presente são mais de 5,5 mil dark kitchens”… É isso amigos. Evolução? Involução? Por enquanto é o que temos. E ainda tudo isso condimentado em nosso país pela crise econômica nossa, conjuntural. Acredito, no entanto, e que um pouco mais adiante, e quando a situação econômica melhorar, voltaremos a nos emocionar com as alegrias e felicidades de comermos num bom restaurante, ao lado de muitas e outras pessoas, contando com os serviços de maîtres e garçons, e a comida saindo direto da cozinha para nossas mesas, sem a necessidade de garupas de motos e temperos de fumaça e gasolina. Nada de errado, mas, no mínimo, constrangedor.
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Logística Reversa

Até o final do século passado, em 99% das situações, colocava-se, o que não se queria mais no lixo, e fechava-se os olhos, tapava-se os ouvidos, e continha-se a respiração para não correr o risco de ter que tomar conhecimento do estrago provocado. Uma vergonha. Ignorância. Selvageria. Irresponsabilidade. Éramos absolutamente lamentáveis. Nos anos 1990, era recorrente nos depararmos com sofás, fogões e geladeiras velejando nas águas detonadas e apodrecidas dos rios que cortam a cidade de São Paulo, por exemplo. E foi então, início do novo milênio que começaram a se formar as empresas de Logística Reversa. Hoje, e antes de lançarmos ao lixo o que quer que seja, e se temos um mínimo de consciência, corremos atrás de informações para sabermos qual a forma correta do descarte. Assim, a logística reversa vai se adensando, ganhando corpo, e convertendo-se em um business. Quem sabe e mais adiante, num Big Business. Dentre os Lixos Desejáveis, os eletrônicos são os mais disputados. Pelo valor residual, e pelo porte relativamente pequeno de notebooks, impressoras, eletrônicos de escritórios, eletrônicos domésticos de pequeno porte, câmeras, cabos e carregadores, ferramentas elétricas, e por aí vai. Dentre as novas empresas desse território, a Green Eletrônica, gestora do programa de logística reversa dos associados da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Eletro e Eletrônica. Foi criada no ano de 2016, e em atendimento à lei 12.305/2010, e que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Embora de iniciativa dos associados da Abinee está aberta a todas as demais empresas que queiram aderir aos seus serviços. Tudo começou com a necessidade de atender o descarte de pilhas, baterias e eletrônicos. E depois, a lista de produtos resgatáveis foi crescendo. Toda essa introdução para comentar sobre seu crescimento… Que dia após dia a logística reversa vai ganhando corpo em nosso país. Nos 60 dias anteriores a pandemia a Green aumentou em mais de 50% os pontos de coleta. De 104 de dezembro para 172 em fevereiro. Dentre as empresas parceiras da Green, a Kalunga, Makro, Pontofrio, Senac, Sesc, Tenda, ViaVarejo, Carrefour, Bahia, Extra, Pão de Açúcar… Assim, e daqui para frente, antes de lançarmos qualquer coisa onde quer que seja, antes de acusarmos políticos e gestores, e culpar outras pessoas e instituições, sempre recomendável uma pequena pergunta. Pergunta que cada um de nós sabe qual é, e que a maioria de nós recusa-se a enfrentar e muito menos responder. Temos feito a nossa parte?
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Reflexos da longevidade, ou, do envelhecimento

Como é do conhecimento de todos, nos últimos 100 anos, muito especialmente em decorrência da medicina preventiva, nós, seres humanos, ganhamos mais 40 anos de vida. Até os 1800 vivia-se pouco mais de 40 anos. No final dos 1900 aproximamo-nos dos 80. E assim, não só os mercados de uma forma geral dobraram de tamanho, como passaram a existir novos produtos em decorrência de pessoas que vivem mais anos. Na divulgação de seus resultados de 2019, uma das empresas que tem sabido tirar proveito dessa conquista, a Kimberly-Clark, registrou um crescimento médio de 10% na totalidade de seus produtos, fortemente alavancados pelo crescimento específico nos produtos para a população de 60 e mais anos, e que foi um crescimento de 20%! Uma das empresas que metrifica o consumo no Brasil, a Euromonitor International, revela que só na categoria dos produtos para incontinência urinária um salto do patamar de R$ 1.92 bi, para R$ 3.87 bi. Hoje, já totalizando mais de 1/3 do principal produto da outra ponta da cadeia, a de fraldas para crianças e que totalizou um mercado de R$ 9.34 bi. Em algum momento mais adiante, talvez 5 anos, e considerando-se os ganhos de vida, e a redução no número de crianças nas famílias, os dois mercados serão equivalentes: fraldas para crianças, e fraldas para incontinência urinária. Talvez, e até mesmo, venda-se mais fraldas para adultos do que para crianças… Mas por pouco tempo. Com a Medicina Corretiva, pequenos e constrangedores problemas como esses serão superados. Quem em algum momento de sua vida imaginou que isso um dia poderia acontecer…?
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Os cães agonizam?

Certamente não. As pessoas são apaixonadas pelos cães por infinitas razões. Jamais, eu disse jamais, deixarão de perder o posto e título de melhor amigo do homem. Do Homem, das Mulheres e, muito especialmente das Crianças. Aqui na Madia, quase todos têm cães, com exceção do Madia. E ele explica, “Não que não goste e muito menos admire e me emocione. É que tenho certeza absoluta, pela maluquice que é minha vida, que jamais conseguiria retribuir tanto amor e infinita lealdade, com a atenção mínima necessária e merecida…”. De qualquer maneira, e considerando as atribulações da vida moderna, o fato é que em todo o mundo a população de gatos cresce numa velocidade maior que a de cães. Pela simples razão que mesmo menos afetivos e amorosos, os gatos não requerem nem prática, nem habilidade, e muito menos todas as atenções e carinhos demandados pelos cães. E assim, em alguns países o número de gatos deverá superar o de cães em toda a próxima década, e, se as curvas permanecerem nas tendências atuais, em 2039 a população de gatos será maior que a de cães no Brasil. Mas a razão de nosso comentário é que meses atrás os cães começaram a perder mais uma de suas missões. A da vigilância e serviços em certas situações onde até então eram insubstituíveis. A Robótica Boston Dynamics, uma das startups que mereceu investimentos substanciais do maluco Masa – Masayoshi e seu Softbank começou a vender seu cão robô para empresas. Trata-se do Spot, que tem todo o jeitão de um cachorro e é capaz de “farejar”, leia-se, mapear terrenos, desviar-se de obstáculos, e manter-se equilibrado em situações limites, onde os adorados cães costumam sofrer e angustiar-se. Checa vazamentos, monitora drogas em bagagens, tem uma sensibilidade olfativa mega desenvolvida, e também, assim como os cães, pode participar de espetáculos artísticos. Uma das primeiras empresas a receber o Spot é o Cirque Du Soleil que pretende escalá-lo para seus próximos espetáculos. Claro depois que se recuperar da recuperação judicial que se encontra, neste momento pandêmico… Portanto, sem choros nem lamentações. Cada vez mais, seres humanos e cães, parceiros inseparáveis, voltando-se para aquilo que foram feitos, onde são insubstituíveis por máquinas, robôs e inteligência artificial. Para reagirem naturalmente diante de todas as situações muito especialmente as imprevistas, e para tudo o que diga respeito aos sentimentos e ao coração. Viva, nós e os cães, com mais tempo para fazer o que nos compete, e de uma forma cada vez mais profunda, sensível e melhor. Deixando o trabalho ruim para os robôs…
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ExOS, ou, OrEx

Hoje vamos refletir sobre a palavra, o código, a denominação mais instigante da atualidade, e que tem duas possibilidades. ExOs, ou, OrEx. Você escolhe, em inglês, ExOs – Exponential Organizations -, ou, em português, OrEx – Organizações Exponenciais. Uma manifestação que se tornou crescente no correr da primeira década deste milênio, mas que ganha conceituação, forma e paternidade por ocasião da fundação da SU – Singularity University – iniciativa de Peter H. Diamandis e Ray Kurzweil, diretor de inteligência artificial do Google na época, ano de 2008. Segundo Diamandis, na introdução do livro que acabou tangibilizando sua paternidade, livro que tem por título Organizações Exponenciais, a razão de ser e de criarem a SU, a Singularity University foi a de dar vida a uma instituição de ensino com curriculum atualizado da forma mais rápida, e, assim, impossível de ser reconhecida pelos mecanismos formais. Diz Diamandis que a ideia eclodiu numa palestra da Founding Conference, sediada no Ames Research Center da Nasa, Vale do Silício, no mês de setembro de 2008. Numa manifestação não prevista de Larry Page, co-fundador do Google, e quase no final do primeiro dia do evento. Ao concluir sua fala Larry Page praticamente fez uma conclamação aos mais de 100 profissionais e empresários presentes, os desafiando a criar uma instituição com o seguinte propósito: “Você está trabalhando em algo que pode mudar o mundo? Sim, ou, Não?”. E completou, “A resposta para 99,9999% das pessoas é NÃO! Eu acho que chegou a hora de treinarmos as pessoas a dizer SIM! em como mudar o mundo. E as tecnologias são o meio de fazer isso…”, ou seja, no depoimento de um dos criadores da Singularity, a conclamação ou briefing foi passado publicamente por Larry Page. Segundo Peter Diamandis, ouvindo a conclamação, na plateia, encontrava-se presente Salim Ismail. Semanas depois nascia a SU, a Singularity, tendo Salim como seu primeiro diretor executivo, e, também, fundador. Assim, e no livro prefaciado por Diamandis, de autoria de Salim Ismail, Michael Malone e Yuri Van Geest, na página 19, a definição para as OrEx, ou, ExOs – Organizações Exponenciais. Vamos lá: “Uma organização exponencial é aquela cujo impacto ou resultado é desproporcionalmente grande – pelo menos dez vezes maior – comparado ao das organizações convencionais, e devido à utilização de novos formatos organizacionais que se alavancam a partir de tecnologias de aceleração; assim, e ao invés de recorrer a um exército de colaboradores, são construídas tendo como base as tecnologias de informação, que desmaterializam o que antes era de natureza física emigrando para o universo digital e sempre sob demanda.” Sempre que surge o tema imediatamente as pessoas socorrem-se da Lei de Moore, do ano de 1971, no momento em que a Intel entregava uma encomenda feita pela indústria de calculadoras japonesa Busicom, e o VP da Intel, Gordon Earle Moore criou essa Lei, referindo-se ao microchip. Naquele dia e momento único do século passado, entregando o microchip 4004, Moore disse, “O seu poder de processamento dobrará a cada 18 meses e terá seu preço reduzido pela metade”. De certa forma, uma OrEx tem esse comportamento, em maiores ou menores proporções. Dobrar de tamanho num período de tempo curto, e reduzir substancialmente o preço daquilo que faz. Talvez, quem mais tenha se debruçado sobre o entendimento, compreensão e decodificação das OrEx, tenha sido Ray Kurzweil. Segundo ele, foram mais de 30 anos tentando compreender e explicar o fenômeno. Diz Kurzweil que as OrEx são melhor compreendidas a partir de 4 ângulos diferentes de observação: A – O que Moore disse sobre os microchips, por ocasião de seu lançamento, 1971, e guardada as devidas proporções para mais e para menos, aplica-se a qualquer tecnologia de informação. Kurzweil traduz isso no que batizou de Loar – Lei de Retornos Acelerados. B – A energia, ou combustível, que impulsiona esse fenômeno chama-se Informação. C – Uma vez iniciado o processo exponencial, não para. Diz Kurzweil, “usamos os computadores atuais para projetarmos computadores mais rápidos, que, por sua vez, projetarão computadores mais rápidos…”. D – E para que isso aconteça, várias tecnologias são utilizadas simultaneamente, como, inteligência artificial, robótica, biotecnologia, bioinformática, medicina, neurociência, ciência de dados, impressão 3D, nanotecnologia… Desde o primeiro dia do MadiaMundoMarketing, 1 de setembro de 1980, e lastreado nas previsões de Peter Drucker do ano de 1968, em seu monumental livro Uma Era de Descontinuidades, começamos a preparar nossa unidade de consultoria para apoiar as empresas da velha economia na travessia inadiável e desafiadora para a Nova Economia. Uma travessia que passa inexoravelmente pela Indução de uma Nova Cultura. No correr das últimas décadas prestávamos esses serviços através de nossa unidade de consultoria, mas, e a partir de agora, e lastreados na experiência de mais de uma centena de travessias realizadas com total sucesso, criamos um produto específico e com esse propósito. É o Projeto Tebas, que começamos a oferecer ao mercado no dia 1 de setembro – a previsão era março, mas, com a pandemia… Se sua empresa é de porte médio para a grande, e quer de forma rápida, segura e consistente, migrar para os trilhos das OrEx, Organizações Exponenciais, estamos a sua disposição para uma primeira reunião, sem nenhum compromisso. É isso amigos. O futuro chegou. Mais que na hora de realizar a travessia. De colocar a sua empresa dentro do contexto, espírito e ritmo da Lei de Moore.
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Brasil, o paraíso dos aditivos!

E assim, nós, contribuintes Brasileiros, pagamos R$ 48 milhões para que tirassem fotografias de operações do BNDES. Tudo o que tinha que ser feito era uma devassa e investigação sobre o que aconteceu durante anos. Portanto, INVESTIGAÇÃO. Mas, contrataram uma AUDITORIA, isso mesmo, um grupo de profissionais a quem entregaram um monte de papéis e pediram a eles que conferissem se o que estava escrito naqueles papéis, obedecia as normas. Pediram que tirassem fotografias e conferissem. Que olhassem do alto. O que tinha que ser feito era uma investigação profunda. Que se vasculhasse o que estava por trás da fotografia, o que de verdade aconteceu, quantas e quais trocas de interesse e favores ilícitos foram praticados. Enfim, tudo o que precisávamos para escancarar a roubalheira praticada com nosso dinheiro confiado ao BNDES era a contratação de uma empresa comprovadamente competente de investigação. E contratou-se uma auditoria, um fotógrafo. Precisávamos de um médico legista. Que revirasse as vísceras do BNDES. Contratamos um crítico literário. De gosto discutível, e que gostou do que viu… No entendimento dessa empresa, e como não poderia deixar de ser, a fotografia saiu perfeita, irretocável. O que deveria ter sido feito, conforme dizem normas e procedimentos, foi feito. O que está por trás dos números permaneceu absolutamente intocado, exalando um odor de corrupção, trambique e falcatruas insuportável. E para tirar essa fotografia absolutamente irrelevante e perfunctória, zombando com todos nós brasileiros, ainda foram providenciados dois aditivos ao contrato, o que elevou o valor inicial da fotografia, de R$ 16 milhões para R$ 48 milhões. Esses mesmos contratos, que saíram impecáveis e imaculados na fotografia medíocre e ofensiva a todos nós brasileiros, resultaram em prejuízos de apenas R$ 2 bi para o BNDES, para o nosso dinheiro, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Um dia consertaremos de vez nosso país. É da pior prática da cultura de falcatruas do Brasil, empresas oferecerem preços competitivos em concorrências, muitas vezes mesmo cobrando abaixo dos custos, pela certeza que têm que o importante é vencer e ficar dentro. E que depois, vai se fazendo um aditivo atrás do outro. A maior parte dos rombos monumentais acontecidos em nosso país nos últimos 50 anos nada tem a ver com o valor inicial dos contratos. Mas tudo a ver com a tempestade de aditivos concedidos durante a vigência dos contratos. Somos um país parecido com as pessoas desastradas que dão topadas em todo o canto. E terminam suas vidas com o corpo coberto por gesso e esparadrapo… BRASIL, O PAÍS DOS ADITIVOS. ATÉ QUANDO?