Tag: covid 19

Negócio

Procurando nemos

Ou melhor, taxistas de todas as cidades do mundo procurando por nós, nemos, passageiros. Desde março de 2020, os motoristas de táxi resistentes, teimosos, e muito especialmente os que não conseguem ficar em casa parados caso contrário a cabeça esquenta e acabarão com seus casamentos, saem todas as manhãs à cata de passageiros. Normalmente, e antes de março, e mesmo com a concorrência do Uber e assemelhados, os taxistas de uma cidade como São Paulo terminavam o dia fazendo entre 12 e 22 corridas, e entre R$ 300 e R$ 400 reais de faturamento. Hoje, com sorte, uma corrida de manhã, outra ou duas à tarde, e voltam para casa com menos de R$ 10 no bolso, na medida em que gastaram o restante em alimentação e combustível. Essa não é uma realidade exclusiva de nosso país. Isso vem acontecendo em maiores ou menores proporções em todos os países e principais cidades do mundo. Em Londres, que se notabilizou pela inteligência de ter um único e mesmo modelo para todos os táxis, criado e desenvolvido exclusivamente para ser táxi, facilitando a vida dos motoristas e garantindo o maior conforto para os passageiros, os tradicionais carrinhos pretos, praticamente… Desapareceram das ruas. Diferente do que acontece nas demais cidades onde os táxis são carros comuns convertidos, as empresas proprietárias dos carrinhos pretos, donas das frotas, não têm o que fazer com os milhares de automóveis devolvidos… Falando ao The New York Times, meses atrás, Steve McNamara, secretário-geral da associação de motoristas de táxis licenciados da cidade de Londres, disse, “Somos o único ícone que sobrou de nossa cidade, Londres… E nesse ritmo, teremos desaparecido por completo em no máximo três anos…”. Impossível pensar-se em Londres sem aqueles milhares de carrinhos pretos cruzando as ruas da cidade… Impossível não nos emocionarmos e carregarmos muita tristeza em nossos corações, pelos lugares, pessoas, e momentos queridos que perdemos para sempre nesta terrível pandemia. Fernando Pessoa, décadas atrás, celebrou esses pontos de referências de nossas vidas. Lembram, numa poesia chamada Tabacaria. Dizia: “Cruz na porta da tabacaria! Quem morreu? O próprio Alves? Dou ao diabo o bem-estar que trazia. Desde ontem a cidade mudou. Quem era? Ora, era quem eu via. Todos os dias o via. Estou agora sem essa monotonia. Desde ontem a cidade mudou. Ele era o dono da tabacaria. Um ponto de referência de quem sou. Eu passava ali de noite e de dia. Desde ontem a cidade mudou. Meu coração tem pouca alegria, E isto diz que é morte aquilo onde estou. Horror fechado da tabacaria! Desde ontem a cidade mudou. Mas ao menos a ele alguém o via, Ele era fixo, eu, o que vou, se morrer, não falto, e ninguém diria. Desde ontem a cidade mudou…”. É isso, amigos. Segue a vida. Mas vamos sentir muitas saudades de todas as referências que perdemos nos últimos 18 meses. E sem essas referências, mesmos vivos, também morremos um pouco. Nós, sobreviventes da Covid–19, daqui para frente e para sempre, com a sensação de que esquecemos ou perdemos alguma referência pelo caminho, que está faltando um pedaço em nós. Quem sabe um dedo… Talvez uma perna inteira… E volta e meia nos distraindo e desejando parabéns e muitos anos de vida nas redes sociais, para queridos amigos que não moram mais aqui, mas nossa memória, sabe-se lá por quais razões, recusa-se a dar baixa.
Negócio

A debandada dos imóveis comerciais

Faltava um pretexto. Ou, se preferirem, uma razão definitiva. E assim, o que estava previsto para acontecer mais adiante foi antecipado pela pandemia. Muitas funções nas empresas sempre foram realizadas a distância. Há mais de 50, 60, 80 anos… Utilizando-se os Correios, telefone, telex, e tudo o mais. Eram os milhares de vendedores que passavam dias, semanas, meses e anos viajando por todos os cantos deste país continental que é o Brasil. E a cada nova cidade mandavam os pedidos por cartas, telex, e tudo mais. De 2000 para cá passaram a mandar pelo digital, recorrendo à internet, tablets, celulares, smartphones. Mais adiante, as empresas de telemarketing, que empregam centenas de milhares de brasileiros, decidiram-se mudar das mesmas localidades das empresas para as quais prestavam serviços, para outros locais e cidades com farta mão de obra, de infraestrutura adequada de comunicação, e onde o vale refeição fosse menor. E assim, as empresas de telemarketing foram deixando os grandes centros. E nesse ritmo, e gradativamente, outras funções passíveis de serem realizadas a distância seguiram o mesmo caminho, mas, em ritmo lento e moderado. A pandemia acelerou tudo. E, assim, todas as funções que podem ser realizadas a distância, porque são mecânicas e operacionais sem maiores preocupações de estratégia, planejamento, reflexões, onde a presença física não é essencial, não voltarão para as matrizes e filiais das empresas. Permanecerão a distância. Com pessoas trabalhando para sempre em home office, e para tanto terão que ser treinadas, capacitadas e aparelhadas. Conclusão, o esvaziamento dos edifícios corporativos que só aconteceria pra valer na década de 2030 foi antecipado em 10 anos, e revela-se robusto e poderoso agora, em poucos meses, e no final ou controle da pandemia com a vacinação. Drucker, décadas atrás dizia de sua estupefação diante de empresas obrigarem seus funcionários de 80, 90 e 100 quilos passarem de duas a quatro horas de todos os dias empoleirados nos transportes coletivos, quando tudo o que as empresas precisavam eram de seus cérebros que pesam menos que 3 quilos. A Covid-19 determinou, agora, essa mudança definitiva. Conclusão, o esvaziamento dos edifícios corporativos nos grandes centros do Brasil é exponencial e muito maior do que admitem os proprietários de imóveis. Os proprietários mais sensíveis se deram conta do tsunami que vem pela frente e rapidamente antecipando-se, propõem reduções de até 50% nos aluguéis para preservar as empresas locatárias, e não terem que assumir o IPTU e o condomínio. Mas muitos ainda não se deram conta, e, muito rapidamente, verão suas propriedades vazias. Talvez, para sempre. Alguns dados que mais que documentam essa nova realidade. Entre os meses de abril e setembro do ano passado, apenas na cidade de São Paulo, foram desocupados e devolvidos 122 mil metros quadrados dos chamados edifícios classe A. Desse total, 73% ocupavam áreas com menos de mil metros quadrados. Na média, os aluguéis despencaram mais de 30%, e ainda continuam em queda devendo encontrar uma situação de nova realidade com uma queda final entre 50% e 60%. Grandes empresas começaram 2021 anunciando devolução da maior parte dos espaços que ocupavam. Dentre essas, e no Rio, a Vale. Dos 15 andares que ocupava na Torre Oscar Niemeyer, no Botafogo, devolvendo 11, numa primeira redução. Em São Paulo, mais da metade de todas as grandes empresas estão devolvendo, entre 30% a 70% dos espaços que ocupavam no início deste ano. Em janeiro de 2022 teremos enormes dificuldades em nos lembrar como era o mercado de imóveis corporativos 24 meses antes, janeiro de 2020, vésperas da coronacrise… É isso, amigos. Conviveremos nova década com milhares de metros quadrados e edifícios corporativos tentando revocacionarem-se em busca de novas utilizações. Dentre outras, e como já comentei com vocês, convertendo-se em hortas urbanas. Já que a pecuária urbana demora um pouco mais.
1
Negócio

Os novos hospitais

Os velhos e tradicionais hospitais, como a maioria continua sendo até hoje, ocupavam um prédio central ou em lugar de fácil acesso, prédio esse que, no correr dos anos, ia ganhando ampliações, compra dos terrenos vizinhos, novos prédios, e assim foi durante décadas. Aqui, na cidade de São Paulo, essa é a história do Einstein, Sírio, Oswaldo Cruz, Samaritano, 9 de Julho e praticamente todos os demais hospitais que nasceram no século passado. Não cresciam para novas distâncias e lugares. Cresciam a partir e em torno da base. Nas tabuletas lia-se, “obras de expansão de nossas instalações…”. E aí veio a tecnologia, a mobilidade, e tudo e todos passando por releituras radicais diante das novas realidades e se recriando, mais que reformando. Recriando mesmo. Não do zero mesmo porque uma boa parte continua fazendo sentido e pode ser aproveitada, mas recriando em termos de metodologia de planejamento, e visão estratégica. A mais que saudável descoberta que não se faz mais planos para o futuro olhando e projetando o passado. Exatamente o contrário. Primeiro se define o que e como se quer ser em 2040. E, depois, o planejamento é um caminho que se constrói de frente para traz até chegar-se aos dias de amanhã. Não pensando em como foi e é até agora e depois ir se modernizando. Mas olhando mais adiante, pensando como terá que ser, e só depois, considerando tudo o que tem que ser feito. Assim como as novas farmácias, que começam a brotar nas áreas centrais das grandes cidades brasileiras, os mais tradicionais e respeitados hospitais de nosso país seguem em processo acelerado de recriação. Que em verdade começou a acontecer a partir da virada do milênio. Em São Paulo tinha o Sírio, por exemplo, que ficava numa única e tradicional unidade, quase na 9 de Julho. Hoje o Sírio sob diferentes formatos e novas formas de prestação de serviços vai se espalhando pela cidade. Tinha o Beneficência, apenas Beneficência, que foi expandindo, reinventando-se e multiplicando. O mesmo aconteceu com o Samaritano, com o Oswaldo Cruz, e com o Einstein. Como com todos os demais, em maiores ou menores proporções. Semanas atrás, o Einstein, que não para de crescer e se multiplicar, anunciou mais uma novidade. Começa a atender em aeroportos. Uma medida que já constava de seus planos, e agora num mundo onde os viajantes muito provavelmente terão que correr atrás das vacinas, muitas vezes nas horas que antecedem a uma viagem, e mais todos os atendimentos que se fazem necessários num local por onde passam milhares de pessoas todos os dias, nasce o Einstein GRU, Guarulhos. E, no ano que vem, nasce o Einstein Galeão. E não nasce pequeno. Desde o primeiro dia oferece os serviços de testes do Covid-19, com resultados em 4 horas, e evitando que esses passageiros cheguem ao lugar de destino e passem 15 dias trancados em quarentena obrigatória. O Einstein GRU nasce com 65 profissionais entre médicos, enfermeiros e clínicos de laboratório. É isso, amigos. Enquanto as farmácias assumem mais e maiores responsabilidades ao lado de nossas casas, com muitos e novos serviços, o mesmo acontece com os principais hospitais que nos fazem companhia e agora e também, no chamado bota-fora. Lembram-se da música “Nos Bailes da Vida”, que o Milton Nascimento canta, “todo artista tem de ir aonde o povo está”. É o que prevalece no mundo novo em processo de construção. Ir, presencialmente, ou, garantir o acesso, pelo digital, mais delivery. Agora somos assim.
Negócio

“Já Que”: O vírus mortal no ambiente corporativo

Em meio à pandemia, e na sucessão das novidades no ambiente corporativo e dos negócios foi identificado um vírus mortal. Com poder de contaminação nas empresas tão ou mais devastador que o Coronavírus nas pessoas. Trata-se do vírus “Já Que”. Já que faço isso, porque não fazer aquilo, mais aquilo, aquilo outro também… E… Tudo! Semanas atrás se sentia no ar uma tendência de todos decidirem ser e fazer tudo. Da virada do ano para cá se constata a presença desse vírus numa dimensão e intensidade inimagináveis. Todas as vezes que o vírus foi diagnosticado a semelhança é total no processo de contaminação. Acontece no exato momento em que um outro vírus – o da estupidez –, inocula-se nas empresas. Os sócios, diretores e profissionais da empresa passam o tempo todo olhando para dentro, e, olhando para fora. “Fulano, você viu o que a empresa A fez? Agora, e além dos produtos e serviços que vende, está vendendo muitos e outros produtos e serviços também… Será que não poderíamos aproveitar e também fazer o mesmo?” E aí a galerinha ou galerona de tecnologia, preocupada apenas com o faturamento decorrente de milhares de horas a mais de programação, respondem, com empolgação – “claro que dá. Se quiser podemos começar a adaptar agora a nossa plataforma que foi desenvolvida para vender geladeira para também vender banana, automóvel, casas e apartamentos, planos de saúde, ingressos para o futebol, Bíblia, urinol e jaca…”. É o vírus do Já Que. Já Que faço isso, faço aquilo, aquilo outro também, e o que não faço posso fazer… Todos vendendo tudo! Decidimos fazer o “Já Que Teste” nos jornais de um dia qualquer. Abrimos no caderno econômico em busca de manifestações do vírus Já Que. Manchete, Bancos Digitais avançam em parceria com o varejo. Não vamos transcrever todas as manifestações da presença do Já Que em poucos parágrafos, mas separamos algumas. “O C6, banco digital, acaba de abrir seu Marketplace.” Seus clientes têm cartão de crédito e débito, e Já Que vão acionar o banco podem muito bem aproveitar e fazer suas compras no próprio aplicativo – marketplace – do banco. Diz o C6 no texto, “A estratégia é fazer dinheiro com a recorrência, aproveitar as várias visitas dos clientes do cartão ao banco para oferecer produtos e serviços… Nossos clientes entram em média 21 vezes por mês para consultar saldo, fazer pagamentos e transferências… Nosso marketplace – diz o C6 – atenção amigos, o marketplace de um banco, socorro! – têm 40 mil itens entre vestuário, eletrônicos, pet shop, livros, mediante parceria com o Magalu e agora pretendemos integrar supermercados e farmácias…”. Já o Já Que também contaminou o Banco Inter… Está na mesma matéria do Estadão, “O Banco Inter que no mês passado recebeu um aporte de R$ 1,2 bi quer usar metade dos recursos para aquisições de ponta, como um marketplace, por exemplo…”. E por aí vai. Não se fala em outra coisa. O Já Que, muito em breve, provocará um fastio e revolta monumental dos clientes, pessoas, nós. Usaremos uma espécie de máscaras-filtros todas as vezes em que acessarmos um aplicativo do que quer que seja, nos prevenindo dos aplicativos JQMP – Já Que Marketplaces. 100 anos atrás faltava tudo, nós éramos colocados em fila, brigávamos por senhas, para um dia, quem sabe, termos acesso a um produto. Dos anos 1990 para cá com a multiplicação ao infinito da concorrência saímos das filas e fomos tratados, pela parcela das empresas modernas, competentes e sensíveis como reis. E agora, na corrida desembestada de milhares de empresas contaminadas pelo Já Que, estamos sendo atropelados, desrespeitados, invadidos, por serviços precários. Se para a Covid-19 e a decorrente pandemia, alguns mecanismos preventivos foram se revelando e sendo adotados, para a Pandemia do Já Que a solução é muito mais fácil e está na ponta dos dedos. Delete. Delete para sempre. As milhares de empresas que no apetite desmesurado, pantagruélico de abraçar o mundo, Já Que abrimos a porta de nossas casas para elas, agora tentam enfiar goela abaixo de todos nós, com serviços de péssima qualidade, desde camisinha, passando por filé mignon, cartão de crédito, xarope São João, pen drive, palito de fósforo, macarrão, mega-sena, Chuchu, berinjela, pinga, alface, Biotônico Fontoura, e, Rum Creosotado, lembram?. “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado. E, no entanto acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rum Creosotado…”. Isso posto, mais que na hora de lançarmos baldes e baldes de Rum Creosotado nos milhares de empresas Já Que que atormentam nossas vidas, e caminham inexoravelmente para um mais que justo e merecido fracasso. O Já Que leva a pior das mortes. Sem dor, sem sofrimento, apenas milhares de empresas que passam a ser, mais que merecidamente, ignoradas pelos clientes. Clientes que confiaram nelas pela qualidade de suas especializações, e essas empresas, alucinadas, agora abusam tentando vender tudo, de todos, de forma porca e indiscriminada e medíocre. Parafraseando Mario Quintana, todas essas empresas aí Já Que, atravancando nosso caminho, computadores e smartphones, enchendo nossa paciência: “Elas passarão… Eu, passarinho!”
Negócio

Fake news existem de verdade? Onde tudo começou… Precisamos de censura e tutela?!!!

Da virada do milênio para cá, e em todo o mundo o tema é fake news. De uma forma cínica e enviesada, discute-se apenas as fake news que têm impacto na política. Todas as demais, com os mesmos ou maiores graus de perversão e crime, permanecem à margem. Em verdade, fake news sempre existiram. Porque pessoas de péssima índole e criminosos fazem parte da história da humanidade. Pessoas para as quais os fins mais que justificam os meios e mandam ver. A versão moderna das fake news na política tem uma pré-história, e o atual momento. A pré-história aqui em nosso país vai da redemocratização do Brasil, até o advento da internet, e o florescimento das redes sociais. E a partir das redes sociais, eclodem as tais das fake news. Com a redemocratização, e a volta das eleições, pessoas desqualificadas, ou até mesmo competentes e talentosos profissionais de marketing adeptos do “tudo por dinheiro”, decidiram colocar seus préstimos e competências a serviço de poucos e bons políticos, assim como de outros políticos bandidos e criminosos. Os tais marqueteiros… Esses bons profissionais ética zero passaram a recorrer às piores formas de crimes, na tentativa de alavancarem seus candidatos, mas sem dispor, naquele momento, de uma ferramenta para escalarem nas mentiras. Com a internet e as redes sociais, tudo o que faziam exclusivamente no analógico, migrou para o digital, e chegamos ao atual momento. Até aqui a introdução. Vamos entender, agora, como tudo começou depois da www. Gianroberto Casaleggio No dia 12 de abril de 2016, uma pequena comoção nas redes sociais e nos internautas mais ligados. Morria Gianroberto Casaleggio, que durante anos trabalhou na Olivetti, e foi contratado na virada do milênio para comandar a empresa de consultoria no ambiente digital, Webegg. Em três anos a empresa amargava um prejuízo de € 20 milhões, e Casaleggio foi substituído em 2003, por Giuseppe Longo. Decidiu então empreender com sua empresa de consultoria digital a Casaleggio Associati e prosperou. Em 2005, tornou-se editor do blog Grillo. Mesmo tendo morrido relativamente jovem, com 61 anos, deixou sua marca e criou o caminho para a adoção irrestrita de práticas tóxicas no ambiente político de muitos países. Com sua empresa de consultoria prosperando, associou-se ao humorista Beppe Grillo, criando o M5S – Movimento 5 Estrelas – que acabou se convertendo numa das principais siglas da direita na Itália. Se Beppe era barulhento e aparecia, Casallegio era o cérebro, e ficava distante dos refletores. Mas de sua cabeça nasceram algumas das iniciativas que passaram a pautar o marketing político no ambiente digital. O sucesso do M5S que em poucos anos converteu-se na terceira maior força política e no maior partido individual da Itália, e acabou inspirando outras lideranças e movimentos pelo mundo. Dentre outros, o Método de Casaleggio, de monumental sucesso no M5S, foi rapidamente assimilado pelo populista britânico Nigel Farage, e possibilitou, para a perplexidade do mundo, a vitória do Brexit. Rapidamente adotado por Steve Bannon, na campanha de Donald Trump, e replicado no Brasil pelo exército Brancaleone do Messias, que conseguiu o supostamente impossível. Eleger um pangaré, sem recursos, sem tempo de TV, que o Datafolha na sua infinita incompetência garantia que perderia para todos os demais candidatos no segundo turno, e ignorado e desprezado por todos demais políticos: O Método Casaleggio elegeu ele, Jair Messias Bolsonaro. O que é como funciona o Método Casaleggio? Seu objetivo é criar a sensação de movimento ou tendência, de forma planejada e organizada, no ambiente digital. Apenas isso. Vamos explicar. Toda vez que um tema é colocado em discussão e muitas pessoas se interessam, organiza-se um pequeno grupo de uma espécie de “Pastores de Rebanho”. Meia dúzia de pessoas que irão se apossar e dirigir o debate. Cada uma dessas pessoas trabalha com aproximadamente 50 contas falsas. Muitas vezes, se existirem recursos econômicos, utilizam robôs. E aí, e diante de uma enxurrada de opiniões convergentes de supostamente diferentes autores numa mesma direção, todos os demais participantes vão aderindo, numa espécie de efeito manada, ou, e para usar a linguagem da covid-19, uma espécie de contaminação de rebanho. Ou seja, amigos, manipulação da grossa. Crime. Como se fazia antes também, mas, e sem a possibilidade da escalabilidade fulminante, em curtíssimo espaço de tempo. E que só revelou-se possível nos primeiros anos do digital, pela absoluta falta de regulamentação. Assim, e hoje, e neste momento, e em que se discute em todo o mundo e no Brasil, também, as tais de fake news, estabelece-se a maior confusão. Na tentativa de acabar com o Método de Casaleggio, aproximamo-nos de práticas lamentáveis e sem o menor sentido; combater-se o veneno com um veneno maior, o de censura tosca e inaceitável. Pior ainda, em nosso país, sobre o patrocínio burro, criminoso e escatológico do Supremo, que se apequena e defeca, na maior e pior manifestação em relação às leis e aos costumes. Que literalmente caga, anda e sapateia sobre o que tem por obrigação e jurou defender, a Constituição. Aliás, e a bem da verdade, não se apequena, finalmente reduz-se às dimensões que sempre teve. De Supremo não tem nada. É insignificante, mínimo, desprezível. E aí você dirá, coberto de razões, e o que se faz? O que se faz, então, perguntamo-nos todos? Jamais proibir, apenas transferir o ônus de quem possibilita a prática desse crime de manipulação pública, as big techs, às grandes redes sociais. Como diz o ditado popular, quem pariu Mateus que o embale. Quem pariu e ganha montanhas de dinheiro com Mateus, as plataformas sociais, que as coloque em seu devido lugar e responsabilidade. Da mesma maneira que as demais plataformas de comunicação são responsáveis pelo que publicam e disseminam, que o mesmo aconteça com e dentre outros, o rei das redes sociais, Mark Zuckerberg, e com todas as demais plataformas que possibilitam essa manipulação deletéria da realidade. São as estradas, trilhas, caminhos, por onde multiplicam-se as fake news… O caminho por onde trafega a droga. Por outro lado, é um crime monumental contra a democracia proibir ou ameaçar a manifestação espontânea das pessoas e suas opiniões sobre diversos assuntos, evitando acontecimentos históricos e verdadeiros, que mudaram para sempre e para melhor a história da democracia ou sistemas políticos de diferentes países… Como aconteceu com as manifestações de junho de 2013 aqui no Brasil, com a Primavera Árabe, com o Occupy Wall Street, e dezenas de outros mais em todo o mundo. De 2019 para cá e finalmente, e no Congresso Americano, as big techs começam a ser chamadas à realidade. Ainda que tardiamente, mas, finalmente, a hora da verdade de Google, “Feice”, Apple, Amazon está chegando. E nos primeiros depoimentos, e uma vez mais as big techs tentaram tirar os delas da reta. Mentira que não tenham condição de resolver o problema que criaram na obsessão compulsiva para ganharem todo o dinheiro do mundo e converterem-se em empresas trilhonarias em dólares. Todas, sem exceção, são absolutamente dotadas das mais avançadas ferramentas de Inteligência Artificial. Inteligência que consegue rastrear, segundo a segundo, não o que sabemos que queremos, mas e até mesmo o que não imaginamos que iremos querer, mas que já se revela presente em todas as nossas movimentações. E assim, todas as big techs possuem ferramentas em excesso capazes de filtrar tudo o que flui através de suas plataformas. E dirigir de forma racional as mensagens certas para os lugares certos, e endereçar o lixo, as tais das fake news, para o lixo. De permitirem o fluxo do sangue para o cérebro e o coração, e destinarem a merda para o devido lugar. Portanto, mais que na hora de todos acordarmos. Não precisamos de regulamentação para o que quer que seja. Precisamos apenas que os irresponsáveis, as big techs, sejam devidamente enquadradas, e limpem a sujeira que fizeram e deem uma ordem na bagunça criminosa que patrocinam para entupirem-se de dinheiro. Censura nunca mais. Assim como tutela nem pensar. Portanto, mais que na hora das big techs dizerem ao que vieram, se vão assumir suas responsabilidades, ou são apenas uma espécie de novos hackers de colarinho branco. Bandidos fantasiados de mocinhos. Tirando proveito do encantamento e perplexidade da quase totalidade dos habitantes da terra. Tudo o mais é circo tosco e repugnante protagonizado por 11 prepostos de políticos da pior qualidade, fantasiados com mantas pretas às semelhanças dos urubus, defecando sobre a dignidade do Brasil e dos brasileiros. E ainda ousando nos tutelar… O lamentável, escatológico e repugnante Supremo. Sinteticamente, essa é a origem e o histórico das tais das fake news…
1
Negócio

Quando bate o desespero

Bateu o desespero… Até mais que compreensível em micro e pequenas empresas, mas, no mínimo estranho, em grandes corporações. Revelam-se perdidas, e sem saber o que fazer e muito menos por onde tentar recomeçar… E aí lançam mão de tudo. Os tais de filtros de viabilidade, realidade, sentido, cultura, afinidade, provisoriamente foram descartados ou esquecidos, e assim, vale tudo. Lemos, por exemplo, a entrevista do presidente da rede de hotéis Accor na América do Sul, Patrick Mendes, a Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo no Estadão. Os números são desesperadores. Segundo Patrick, a rede Accor está presente em 110 países, e assim, tem um termômetro consistente sobre como as diferentes economias vão reagindo. Segundo os dados que passou para o Estadão, e especificamente na região, América do Sul, a rede Accor possui 400 hotéis sendo que desses, 300 estavam fechados até meses atrás. No Brasil, país com maior número de hotéis, são 300 dos quais 270 encontravam-se fechados. E dentre as alternativas e experiências que vinham fazendo com alguns de seus hotéis, a de uma unidade do hotel Ibis na cidade de São Paulo, que retirou as camas dos quartos, transformando os quartos em escritórios de uso temporário… Em Coworks… Não vai dar certo… Assim como os melhores restaurantes passaram a fornecer quentinhas… Rede Globo vendendo seus espaços a granel… E por aí vai… O vírus invadiu e tomou conta da cabeça dos gigantes. E que saíram alucinados praticando uma espécie de cosplay reverso. Gigantes travestindo-se de anões, ou, e ao invés de Cinderela, Madrasta por um dia… Simplesmente patético… Jamais nos esqueceremos que durante a pandemia do covid-19 algumas empresas precisaram recorrer a respiradores… Grandes empresas…
1
Negócio

Carência de abraços

Numa das edições do The New York Times de 2020, um artigo assinado pela Tara Parker-Porter, escritora especializada em saúde e bem-estar das pessoas. Tara foi atrás, ouviu cientistas e acabou por identificar quebra-galhos pela ausência provisória dos abraços. Quatro possibilidades para abraços em tempos em que o abraço verdadeiro está proibido. 1 – Jamais abrace de frente, porque os rostos ficam muito próximos. 2 – Sempre que o abraço for irrefreável e compulsivo, vire o rosto. 3 – Nunca se abaixem – se resistir, claro – para abraçar uma criança. Deixem que ela abrace suas pernas. Apenas. 4 – E na falta do abraço, beije. Beije as pessoas na nuca, nem na testa e muito menos na boca. Socorro! “Semanas atrás, num final de tarde, e depois de quase quatro meses de distância, só falando, vendo e me emocionando pelo Zoom,” conta o Madia, “reencontrei-me com meus quatro adorados netinhos e, que me desculpem os profissionais da saúde, e eventualmente outras pessoas que poderão dizer que sou irresponsável, permaneci abraçado com os quatro durante muitos, prolongados e infinitos minutos…”. Já no território dos negócios, antes da Covid e em tempos de normalidade, muitos autores escreveram livros recomendando às empresas abraçarem seus clientes. O mais conhecido de todos o de Jack Mitchell, Hugh Your Customers – Abraçe seus Clientes. Jack, chairman de uma rede de lojas – Mitchell Stores – há três gerações sob o comando de uma mesma família, e com lojas em Connecticut, New York, Califórnia, Washington e Oregon. No seu livro clássico, Abrace seus Clientes, ensina: A – A melhor maneira de abraçar sempre seus clientes é descobrindo e antecipando-se ao que verdadeiramente querem. Eles se sentirão abraçados. B – Esteja sempre disponível todas as vezes que seus clientes precisarem conversar com você. Eles se sentirão abraçados. C – Trate todos os seus clientes como se estivesse diante de reis e rainhas. Eles se sentirão abraçados. D – Facilite o acesso de seus clientes a todos os seus produtos e serviços. Eles se sentirão abraçados. E – Agora, e em tempos de digital, facilite o acesso de seus clientes a todas as informações e orientações que precisam quando distantes. Eles se sentirão abraçados. F – Ensine, treine e motive toda a sua equipe que faça rigorosamente o mesmo que você faz. Os clientes se sentirão abraçados. Ou seja, amigos, nos negócios não só não está proibido como é mais que recomendado o abraço. Ensina Jack, “Um abraço é físico, mas também pode não ser”. Existem outras maneiras de se abraçar as pessoas que amamos. Por exemplo, em relação a nossos clientes, retribuir sua preferência com nossa permanente atenção. Adote essas três letrinhas H, U, G, como o mote de seus negócios e de sua vida. Abraçar, em todos os sentidos e direções, continua sendo a melhor maneira de conquistar e preservar clientes. Assim, “abrace seus clientes sempre”. Em tempos que abraços estão proibidos jamais se esqueça de que todos os seres humanos amam serem acolhidos com simpatia e amor, sempre. E a melhor forma de acolhê-los, é através de algum dos tipos de abraços de Jack Mitchell! Já quanto as nossas vidas, amigos, pais, filhos, netos, avós, bisavôs, tataravôs, preparem-se. Mais alguns meses, espero, e ingressaremos na temporada dos abraços. A maior e mais radical temporada de abraços dos tempos modernos. Tô dentro. E a trilha musical mais que preparada. Claro, Beijinho Doce, composição antológica e monumental de Nhô Pai. Gravada pela primeira vez em 1945, pelas Irmãs Castro. E imortalizada cinco anos depois no filme Aviso aos Navegantes, cantada pela Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo. Tínhamos escolhido a gravação do Tonico e Tinoco, mas uma matéria na CNN semanas atrás e decidimos ficar com as Irmãs Galvão para a abertura da Temporada de Abraços… Vamos nessa? “Que beijinho doce, foi ele quem trouxe de longe pra mim Se me abraça apertado, suspira dobrado, que amor sem fim…”.
Negócio

USNS Comfort, o preço do achismo

Podemos decidir e resolver fazer o que quer que seja. Claro, desde que previsto, planejado e ativado, antes. Durante costuma dar merda. Não é em momentos de crise ou durante tempestades que se constroem abrigos. É antes, sempre antes. De preferência, muito antes. Se no passado, por falta de conhecimento e recursos, em muitas situações planejar-se antes era uma impossibilidade absoluta, hoje, não planejar-se e, se possível, fazer-se antes, é, no mínimo imprevidência, desleixo, quem sabe crime culposo. No ano passado, por exemplo, o governo brasileiro foi pressionado e chamado de incompetente por não conseguir fazer chegar aos beneficiários os tais de R$ 600,00 e outras providências mais, votadas e aprovadas para atenuar a coronacrise. Com a tecnologia mais que disponível e abundante, o Brasil, assim como todos os demais países, já deveriam ter se organizado com um cadastro único e completo de identidade de todos os seus cidadãos, onde figurassem todos os brasileiros a partir do nascimento, com os dados necessários e suficientes para que pudéssemos acioná-los sempre que preciso. Mas, como somos um “País 3Is” ‒ imprevidente, incompetente e ignorante ‒, não fizemos antes e nos açodamos em momento de crise dramática com uma única certeza: em maiores ou menores proporções, iria dar merda. E deu! Dentro dessa linha de continuar acreditando que no final tudo dará certo, que Deus se encarregará de suprir nossa imprevidência e despreparo, o governo dos Estados Unidos decidiu porque decidiu, sem ter tido a responsabilidade mínima de estressar todas as possibilidades, decidiu mandar um de seus grandes navios hospital, o USNS Comfort, para atracar em Manhattan, e aliviar todos os demais hospitais das internações de rotina, abrindo mais e muitas vagas para os pacientes da Covid-19. Construído no ano de 1975, batizado em 1976 e lançado ao mar em fevereiro de 1978, com 272 metros de cumprimento e 32 de largura, atracou em New York City no dia 30 de março de 2020, e por lá permaneceu, exatos 30 dias, partindo em 30 de abril. E o que aconteceu…? Nada! Mesmo porque nada acontece desde que não devidamente planejado. Conclusão, para a perplexidade e revolta de todos os nova-iorquinos e demais estadunidenses, a esperança-navio que atracou nos portos da cidade numa segunda-feira, até a quinta-feira, de seus 1.000 leitos, tinha apenas 20 ocupados. E as 12 salas de cirurgia com as luzes apagadas, jamais foram usadas, e os 1,2 mil médicos de braços cruzados, e profundamente incomodados, constrangidos, putos, revoltados. Jamais nos esqueçamos dessa lição uma vez mais repetida à exaustão na presente crise. Do céu só continua caindo chuva, granizos, e vez por outra, e felizmente, algum meteorito de pouco risco. Deus, para os que creem, ou, a natureza, para os agnósticos, já nos deram tudo o que poderiam nos dar. A partir daí é com a gente. Sem pensar, planejar, e agir, no tempo certo – e tempo certo é, na maioria das vezes e situações, antes – continuaremos condenados a repetir as mesmas e infinitas tolices, e depois reclamarmos de supostos e eventuais terceiros irresponsáveis…
Negócio

O fim das grandes lojas de departamento

Num processo de redução e quedas sucessivas que já dura quase duas décadas, as lojas de departamentos seguem derretendo nos Estados Unidos. Dentre outras, Neiman Marcus, J.Crew, Stage Stores, JCPenney, agonizam. Semanas atrás comentamos com vocês sobre a Neiman Marcus e seu pedido de concordata. No final do ano passado, quem seguiu o mesmo caminho foi a JCPenney. Conclusão, apenas nos cinco primeiros meses de 2020, Neiman Marcus, J.Crew, Stage Stores, e JCPenney mergulhando na crise. Apenas lembrando, há 20 anos a JCP esteve por aqui, Brasil e fez importante aquisição de participação na Renner. Anos depois, 2005, e por crises nos Estados Unidos, vendeu sua participação e tentou concentrar-se por lá. Fez mudanças radicais, mas nada deu certo. Recorrendo ao fechamento de 850 lojas nos Estados Unidos e Porto Rico. Em poucas palavras. Se a covid-19 vem se revelando fatal para pessoas que já padeciam de outros problemas de saúde, o mesmo acontece nos negócios. Muitas empresas que também estavam “doentes” por outras causas e razões veem essas outras doenças exponenciarem-se pela coronacrise. E, muitas dessas, de forma definitiva. Irão a óbito. Assim, primeiro nasceram às lojas de departamento. A que mais marcou esse tipo de comércio nos Estados Unidos foi a Sears, do ano de 1886. Antes mesmo da virada do milênio, foram revelando-se obsoletas, diante do prevalecimento dos shoppings. Os shoppings passaram a oferecer tudo o que as lojas de departamento ofereciam. E ainda, mais e melhor. E aos poucos foram sendo expulsas dos shopping centers, como aconteceu no Brasil. E agora são aniquiladas pelo comércio eletrônico e pela especialização. Faltava o empurrão final. Com a coronacrise, não faltava mais. As lojas de departamento e agora, despedem-se para sempre. E pensar que durante duas décadas as famílias abastadas da cidade de São Paulo tinham por hábito tomar o chá da tarde no salão de chás do Mappin. Isso mesmo, ali, em frente ao Teatro Municipal…
Negócio

Podcast, esquece! Livros sim, e o sol a caminho…

E o desespero bateu na quase totalidade das plataformas de comunicação analógicas. Exauridas, e na tentativa de segurar leitores e audiências em processo de derretimento e migração irreversível, e diante das mudanças de comportamento a partir das novas alternativas de mídia do dia para noite, e numa manifestação clara de perda de juízo e desespero, a maioria das plataformas, em comportamento típico de manada, ou de rebanho como se diz agora em tempos de pandemia, converge para uma mesma, inócua e patética solução: o velho e bom podcast. Sob a ótica de quem olha de fora, o velho e bom rádio sem propaganda e, em tese, com maior qualidade de som. Assim, parcela expressiva dos grandes players da mídia analógica: jornais, rádios, emissoras de tv, e até mesmo os portais das novas mídias, todos, sem exceção, oferecendo, milhares de alternativas de podcasts. Estadão, Folha, O Globo, a Globo, Veja, Exame, Jovem Pan, Época, centenas de revistas e jornais de bairro, rádio manicômio, murais de escolas, e muito e muito mais. Isso posto, e se a concorrência pelos olhos já era monumental, com os canais de streaming, com vídeos nas redes sociais, e com 500 mil youtubers no Brasil, por exemplo, agora com um número calculado entre 20 a 50 mil podcasts, multipliquem-se os ouvidos para se ouvir o que quer que seja. Vivemos um momento da história de causar perplexidade. Até supostamente os mais sensíveis e capazes, no desespero, cometem as maiores tolices. O que leva competentes profissionais a engrossarem a loucura e apostarem que todos vão sair pela vida e pelo mundo ouvindo podcasts? Diante de tanto ruído e barulho o grande beneficiado, depois da maior crise e diante de todas as novidades dos últimos 50 anos, e desde o advento do microchip, ano de 1971, é, repito, e em meu entendimento, o… Livro. E nestes dias de quarentena pela Covid-19 então, livros e livros redescobertos nas estantes das casas e das empresas e das escolas e das bibliotecas, e outra grande quantidade comprada pela Amazon e demais marketplaces… Nestas semanas, quem diria, o Covid-19 está resgatando leitores. Pessoas que no passado não passavam um mês sem ler um livro estão voltando com uma saudade abençoada e redentora, para os velhos, novos, e bons livros. E carregando consigo, alguns e novos leitores que vendo a felicidade no olhar de seus avós, pais, mães e tios decidem experimentar. Não todos, mas em número suficiente para que os livros voltem a ocupar o lugar que sempre mereceram em nossas vidas. O de melhor e mais consistente fonte de informação e cultura. Mas, consultores da Madia, lá vêm vocês uma vez mais em defesa dos livros… É verdade. E por uma simples e única razão. Não conhecemos nenhuma outra obra artística individual, produzida de forma tão profunda, reflexiva, sensível, no correr de anos, décadas, muitas vezes de toda uma vida, que não seja o livro. É como se alguém tivesse produzido uma mega sopa de sabedoria no correr de toda uma vida e em fogo brando, e generosamente compartilhasse conosco. E assim, e para que possamos realizar toda a sabedoria e conhecimento contido em cada uma das páginas do livro, não dá, definitivamente não dá, para ler esses mesmos textos perdidos dentre milhares de outras alternativas, por exemplo, no ambiente digital. Precisa ser físico, no papel, sensível a nossos dedos, olhos, coração. Costuma-se dizer que todas as crises, desgraças, tsunamis, acabam por trazer poucas e boas notícias. Em nosso entendimento, e além de reaproximar as famílias, além de resgatar os chamados jogos de salão, o Covid-19 dá um empurrão decisivo no processo de se resgatar o livro. Já os podcasts… Esquece! Apenas mais uma das infinitas manifestações da chamada cauda longa. Esperança amigos. Mais alguns meses, no máximo, voltaremos a ver o sol. Aos pouquinhos, mas, o sol. E poderemos voltar a ler nos parques, ruas, e cafés da cidade.