Autor: Francisco Madia

Negócio

Guiana, o país que ganhou a megasena

Logo ali, do lado de Roraima, vizinho do Brasil, a Guiana vem se preparando para começar a receber o prêmio de uma espécie de megasena de natal que ganhou. Tendo como capital Georgetown, e como fronteira Brasil, Venezuela e Suriname, com um PIB per capta inferior a US$ 6 mil, e próximo de 800 mil habitantes, prepara-se para começar a explorar através de uma parceria entre a Exxon, Hess e CNOOC, uma das maiores descobertas de petróleo em águas profundas do mundo. Do dia para a noite, os ganhos do petróleo totalizarão mais de 40% da economia do pequeno país, e, neste ano de 2020, tem um crescimento estimado de 86% – 10 vezes mais o que a China cresceu em seus melhores anos. Ou, tinha… E assim, a vida, os interesses, os costumes começaram a passar por mudanças radicais. A riqueza simplesmente incendiou as eleições de meses atrás e rachaduras irremediáveis hoje marcam as relações entre políticos de diferentes matizes. No frigir dos ovos, ou, no balanço final exclusivamente sob a ótica econômica, e para entendermos a dimensão da conquista potencial da Guiana, é suficiente atentarmos para o fato que tem ao lado o país com as maiores reservas de petróleo do mundo a Venezuela, mas que por gestão criminosa e medíocre, encontra-se mergulhada na miséria. Hoje, a Venezuela, com 26 milhões de habitantes, produz 700 mil barris por dia. A Guiana, com 800 mil habitantes, já produz 100 mil barris por dia. E, até o final desta década, a produção de petróleo da Guiana será maior que a da Venezuela, 1,2 milhão de barris por dia. Assim, começaram infinitas obras a todo vapor em Georgetown para atender os novos habitantes, funcionários das petroleiras e de parceiros e fornecedores. Um novíssimo shopping center, com um Hard Rock Café, 12 cinemas, mas construção de prédios residenciais a toque de caixa. Mais ou menos o que aconteceu com a vizinha Venezuela, décadas atrás. Que um dia figurava no ranking dos quatro países mais ricos do mundo, que até hoje tem mais petróleo que a Arábia Saudita, e encontra-se falida e na miséria. Desde o ano de 2015, mais de 3 milhões de venezuelanos jogaram a toalha e desistiram de seu país. 100 mil deles vivem hoje no Brasil. E a expectativa é de que até o final de 2020 o número total de venezuelanos que desistiram de seu país chegue a 5 milhões. E aí entra o que se converteu em livro e continua na pauta dos estudiosos sobre descobertas de riquezas, A Maldição do Petróleo. Desde a descoberta de reservas monumentais de petróleo na Venezuela, 1922, o país converteu-se num dos mais comentados ringues de brigas entre diferentes facções políticas de todos os gêneros, espécies, crenças e ideologias. No ano de 1973, e após o primeiro choque do petróleo, a Venezuela optou por nacionalizar todas as petrolíferas que trabalhavam no país, concentrando toda a exploração na estatal PDVSA. Com a concentração da riqueza nas mãos do estado – 96% das exportações da Venezuela são de petróleo – políticos incompetentes e corruptos como Chávez e Maduro deitaram e rolaram. E passaram a estatizar praticamente toda a economia, comprando bancos, siderúrgicas, indústrias e fábricas de todos os setores de atividade, dando fim à concorrência e tornando os profissionais que permaneceram em funcionários do estado. Em paralelo, e com a estatização, a eficácia da gestão pública foi mergulhando em direção a zero, a produção despencou de 3,2 milhões de barris por dia para 1,5 milhões, e no meio do caminho o preço do barril de petróleo que chegou a bater nos áureos tempos de 2014, US$ 103, caiu para US$ 35,7, e até dias atrás encontra-se próximo dos US$ 50. Em síntese, a Venezuela afundou na incompetência, corrupção e estupidez de seus governantes. No livro A Maldição do Petróleo, de 2012, Michael Ross, autor, começa o prefácio, alertando, “Quem sonha em ganhar na loteria ou encontrar um tesouro enterrado acredita que um grande lucro inesperado vai tornar sua vida melhor. Para muitos países em desenvolvimento, porém, a descoberta de recursos naturais valiosos pode ter consequências estranhas e, às vezes, até mesmo politicamente prejudiciais”. Este livro, diz seu autor, explica as origens e a natureza dessa Maldição, e como pode ser sanada. E no capítulo um, O Paradoxo da Riqueza das Nações, abre com duas citações. A primeira de Juan Pablo Pérez Alfonso, ex-Ministro do Petróleo da Venezuela, que desacorçoado diante do que aconteceu com seu país depois das descobertas do petróleo, disse, “O petróleo é o excremento do diabo. Estamos afogados no excremento do diabo…”. E a segunda, do Rei Idris da Líbia, ao receber a notícia que um consórcio americano que prospectava petróleo em seu país tinha, finalmente, encontrado muito petróleo… Com a expressão indisfarçavelmente contrariada e triste, vaticinou, “Gostaria que tivessem encontrado água”. Assim, e nos próximos anos, acompanharemos se, verdadeiramente, a maldição do petróleo é uma realidade, e como se comportará nosso vizinho, Guiana, diante da ótima ou péssima notícia que fará com que seja o país de maior crescimento econômico em um único ano e de todos os tempos. A mega crise que eclodiu no início do ano, em função da disputa Rússia e Arábia Saudita, jogando os preços do petróleo para baixo, não paralisam os planos da Guiana e muito menos o sonho de seus habitantes. E nem mesmo, e, por enquanto, o Coronavírus… Todos acreditam que essas duas crises encontrarão uma solução no máximo até o final do ano. Que a maldição do petróleo, do ouro negro, não se abata sobre a Guiana, e seus habitantes. Que a alegria não se converta em miséria e tristeza
Negócio

O dia em que os servidores públicos enlouqueceram, ou, a gênese da economia

Temos dúvidas e convivemos com diferentes respostas e versões sobre diferentes fatos em nossas vidas. Muitas dessas dúvidas, e que se revelam permanentemente nas perguntas que habitam nossas cabeças, quem sabe nunca cheguemos a uma resposta. Definitivamente, a gênese, a origem da economia, não é uma dessas dúvidas. Todos, com um mínimo de inteligência e juízo mais que sabemos onde tudo começa. Não convivemos com qualquer dúvida tautológica, tipo, “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha”, ou, como a Proeme criou e dizia na publicidade, “Tostines vende mais por que é fresquinho, ou é fresquinho por que vende mais”. No tocante a economia, mesmo as pessoas de pouca cultura e entendimento sabem onde tudo começa, sabem qual é a gênese. E que é… Um dia, uma pessoa, de forma natural e tranquila em outros países, e ensandecida no Brasil devido às dificuldades e ao cipoal de normas, leis e regulamentos, um dia uma pessoa decide empreender. Montar um negócio. E assim começa, muitas vezes, ele ou ela, e o marido, em algumas situações, o filho, cunhado, vizinhos. E assim que o negócio começa a caminhar, nasce Um Emprego. Isso mesmo, Um Emprego. Não existe nenhuma outra espécie na natureza que produza uma essencial fruta denominada Emprego. Apenas uma. A empresa. E esse emprego, de imediato, gera salário para quem trabalha, e impostos que darão origem ao Estado. Uma instituição que alguém um dia decidiu inventar para fazer o papel de uma espécie de síndico e/ou administradora de condomínio. Cuidar de um edifício ou condomínio chamado Economia. No nosso caso, a economia do Brasil. Essa a história. Esse o caminho. Verdade absoluta e definitiva. Não existe uma segunda possibilidade. Quando voltamos aos anos 1940, e quando a industrialização engatinhava por aqui, e os serviços também, nós, brasileiros, ou trabalhávamos, ou encaminhávamos nossos filhos para trabalhar nos pequenos comércios das cidades, alguns mais corajosos prestavam o concurso do Banco do Brasil, e outros trabalhavam nas prefeituras, um número menor nos governos de estado, e um menor ainda no governo federal. 70 anos depois, e dada a nossa indiferença e irresponsabilidade, fechamos os olhos preguiçosamente, e o Estado foi crescendo, aumentando de volume, intensidade e tamanho, multiplicando-se mais que coelhos os funcionários públicos nas prefeituras, câmaras, estados, país, justiça, forças armadas, guardas civis, e todas as demais e infinitas modalidades de empregos públicos. Em síntese, 70 anos depois convivemos com um monstro. Que até mesmo por uma questão de inércia, não para de avançar e crescer. E porque decidi fazer este comentário, hoje, 2020? Por que estamos enfrentando uma das maiores crises da história do mundo, e, especialmente, de nosso país, pela característica do Estado brasileiro. Neste momento de pandemia, onde a economia volta para trás em desabalada marcha à ré, onde não temos mais dinheiro para nada, os funcionários públicos comportam-se, através de lobbys poderosíssimos, todos concentrados em Brasília, como se estivéssemos vivendo tempos de total e intensa prosperidade. O Titanic Brasil afundando e servidores públicos pedindo mais e mais champagne… E assim, perplexos, assistimos hoje, governadores e prefeitos exigindo que possam conceder aumentos e outros benefícios a seus funcionários, em meio à pandemia. Nem no pior dos pesadelos poderíamos imaginar que um dia nos confrontaríamos com esse absurdo. Não é que o Estado vai quebrar. Já quebrou. Com a queda brutal na economia, existe uma correspondente queda na arrecadação. Assim, e como vem acontecendo na única espécie da natureza que dá uma fruta chamada emprego, e que são as Nossas Empresas, os que não perderam o emprego, terão, inexoravelmente, seus salários reduzidos. E terão que se defrontar com o apetite irracional e incontrolável do monstro Estado que não aceita redução no salário de seus funcionários, como ainda e neste momento reivindica aumentos para muitos deles. Voltando ao início. Um alucinado decide empreender no Brasil e nasce uma empresa. Semanas ou meses depois começam a brotar os primeiros empregos… Hoje, todas as empresas, em maior ou menor intensidade, encontram-se destruídas pela pandemia. Cortam empregos e reduzem salários. E hoje, e quando olhamos para a próxima esquina, tudo o que vemos é um Estado a nos dizer, “vou precisar aumentar os impostos…”, para poder honrar os Aumentos que pretendo conceder aos servidores públicos. É isso, e é essa, queridos amigos a patética e absurda realidade. É o fantasma ou monstro que nos espera na próxima esquina. O maior dos pesadelos. Precisamos resistir… Antes que o monstro, e que construímos para nos servir – lembram, servidores públicos – nos devore a todos. No momento em que todos os servidores públicos deveriam ter se antecipado e voluntariamente proposto redução em seus salários para preservarem seus empregos, acontece exatamente o contrário. Inacreditável. Só no Brasil.
Negócio

Hoje vamos falar sobre o futuro

Quando a gente falava em futuro no ano passado, estávamos falando daqui a uns 10 anos. Diante da Coronacrise, futuro são meses. 8, 10, 12 no máximo. E quando se fala sobre futuro nada melhor do que recorrer-se ao adorado mestre e mentor Peter Drucker que estressou o assunto em diferentes ensinamentos, e que agora vamos compartilhar com vocês. Sobre o futuro, Peter Drucker começou dizendo: “A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”. E talvez esse seja seu ensinamento mais conhecido. E repetido à exaustão nas escolas, empresas, palestras e conferências. Mas tem outros, tão bons, ou, melhores. Assim, separamos e trazemos para vocês hoje, de centenas de manifestações sobre o tema, e além da mais conhecida que acabamos de falar, as oito que os consultores da Madia mais gostam, e que de certa forma repetem-se e tornando-se quase redundantes. Vamos lá. 1 – “Tudo o que sabemos sobre o futuro é que não sabemos o que será. Sabemos apenas que será diferente do que existe agora e do que gostaríamos que fosse.” Mais que aplicável a estes dias de Coronavírus. 2 – “Qualquer tentativa de basear as ações e os compromissos de hoje em predições de eventos futuros é fútil. Tudo o que temos a fazer é prever efeitos futuros de eventos que já aconteceram e são irrevogáveis.” E é onde devemos nos concentrar nas próximas semanas e meses para nos prepararmos para quando o Coronavírus tiver partido. Ou até mesmo continuar por aqui, mas, dominado. 3 – “Tentar fazer o futuro acontecer é arriscado; mas menos do que continuar a trajetória com a convicção de que nada vai mudar.” Assim, e ao olhar para frente, e sempre, uma única e mesma certeza. Que tudo vai mudar! 4 – “Construir o futuro não é decidir o que deve ser feito amanhã. É o que deve ser feito hoje para que exista o amanhã.” Portanto, ainda que no breu e na escuridão, TODOS, mãos à obra. Quanto mais rápido iniciarmos a construção do futuro, mas estaremos próximos do presente. 5 – “Construir o futuro é descobrir e explorar a lacuna temporal entre o aparecimento de uma descontinuidade na economia e na sociedade. Isso chama-se antecipar um futuro que já aconteceu. Ou, impor ao futuro, que ainda não nasceu, uma nova ideia que tende a dar uma direção e um formato ao que está por vir. Isso chama-se… fazer o futuro acontecer!” Não nos resta outra alternativa. Assim, seguir em frente. 6 – “O futuro que já aconteceu não se encontra no ambiente interno da empresa. Está no ambiente externo: uma mudança na sociedade, conhecimentos, cultura, setores ou estruturas econômicas.” Isso é tudo. E é sobre essa premissa que devemos olhar para frente. Para, depois de amanhã. 7 – “Quando uma previsão é amplamente aceita é bem provável que não seja uma previsão do futuro, mas um relatório do passado recente.” De certa forma é o que mais temos ouvido nestes meses de coronacrise. Pessoas que pensam estar falando sobre o futuro que nos espera e aguarda e, em verdade, estão apenas e tão somente brincando de projetar o passado. E, 8 – “Construir o futuro pressupõe coragem. E muito trabalho. E, ainda, fé. Aquela ideia certa e infalível é a que certamente vai falhar. A ideia sobre a qual vamos construir a empresa deve ser incerta. Ninguém poderá afirmar como será e quando se tornará realidade. Deve ser arriscada, ter probabilidade de sucesso e fracasso. Caso não seja nem incerta nem arriscada, simplesmente não é uma ideia que tenha o que quer que seja a ver com o futuro; futuro que é sempre incerto e arriscado.” E isso é tudo, amigos. E, uma vez mais, e para sempre, obrigado, adorado mestre e mentor Peter Drucker. Portanto, depois de amanhã ou quem sabe quando a primavera chegar, e a boa nova andar nos campos e nas cidades, no Day After Coronavírus, esquecer tudo o que vimos até aqui. E tentar desenvolver um novo olhar, sobre o que se apresenta. Até janeiro 2020, vínhamos no rescaldo final do furação de estupidez, burrice e incompetência dos governantes de plantão, crise conjuntural, e nos reinventando diante do tsunami tecnológico. No final de fevereiro começou a Covid-19. Portanto, quando a primavera chegar, tudo o que temos que fazer é dar sequência a travessia do velho para o novo, agora considerando todos os aditivos e temperos decorrentes da CORONACRISE. Sem jamais perder de vista a orientação de nosso adorado mestre e mentor Peter Drucker, “Construir o futuro pressupõe coragem. E muito trabalho. E, ainda, fé. Aquela ideia certa e infalível é a que certamente vai falhar.”
Negócio

A reinvenção de Gueitiro Genso

No dia 18 de julho de 2019, às 05h40, no portal da revista Exame um pequeno comentário assinado por Lucas Amorim, dizia, “Pisando no Acelerador – PicPay, maior aplicativo de pagamentos do Brasil, cresce, inaugura novo escritório em São Paulo e prevê 1.000 contratações…”. E no texto Lucas completava, “Com sete anos de mercado e mais de 10 milhões de usuários, o PicPay, maior aplicativo de pagamentos do Brasil e pioneiro no uso do QR Code para pagamento de transações, inicia a segunda fase do negócio com a abertura de um escritório de 2.600 metros quadrados em São Paulo”. Junto com o escritório de Vitória, a equipe tem hoje 500 pessoas. A previsão é chegar a 1.500 em um ano… Na foto que ilustra a nota, e devidamente engravatado, terno cinza, camisa social branca e gravata cinza, sorriso discreto, barba milimetricamente feita, e posando no pé de uma escada em espiral e que remete a ascensão e sucesso, um executivo de olhos puxados e descendente de japoneses, presumimos. Um profissional elegante chamado Gueitiro Genso. Com um nome o suficientemente emblemático para converter-se numa referência do que é uma transformação. De como migrar-se do velho, antigo, tradicional, em questão de pouco tempo… meses, exagerando, um ou dois anos. Corta para 10 de fevereiro, Meio & Mensagem, e lá está Gueitiro Genso na capa, menos elegante, mas mais moderno, camiseta e tênis, sentado no chão, barba e bigode, e em entrevista de duas páginas a Salvador Strano. Em julho de 2019, Gueitiro Genso decidiu virar a página e reaparecer na seguinte absolutamente reinventado. Deixou uma carreira extremamente bem sucedida no Banco do Brasil onde comandava e cuidava de 70 mil pessoas, é membro do conselho de algumas grandes empresas, para assumir o comando do PicPay, do Banco Original, do grupo JBS. Na notícia de Exame, de 7 meses atrás, quando punha o pé no PicPay, 500 pessoas com a previsão de chegar a 1.500 em um ano. Antes da pandemia já eram 1.200 e a previsão de 1.500 subiu para 2.000. Seguramente, o desafio enfrentado e vencido por Gueitiro Genso é ao que todos executivos mais qualificados, hoje entre 40 e 60 anos, em posição de comando, terão que enfrentar. Mais que trocar o terno e gravata por camiseta e jeans, o sapato lustroso por tênis, descartarem, como nos ensinou Peter Drucker, a velha moldura que têm em suas cabeças. Antes de aderirem a quaisquer das infinitas novidades. Sem isso, não se chegará a canto algum. Gueitiro Genso é um exemplo e vamos acompanhar sua travessia com atenção e procurando aprender ao máximo. Sua perspectiva futura era tranquila, mais alguns anos aposentado, mas, definitivamente, não era isso que tinha em sua cabeça. Alma, coração, cabeça e atitude de Perennials, decidiu enfrentar a tormenta da disrupção e do novo, e ser protagonista de seu tempo. Acreditava que “ser mais velho”, desde que conseguisse descartar-se das irrelevâncias e evoluir em sua capacidade de entendimento e contextualização decorrente da idade e da experiência, poderia ser uma mega vantagem competitiva. E estava absolutamente certo. Começa no novíssimo mercado financeiro do Brasil e do mundo, que escancara suas portas para valer neste ano com o PIX e o Open Banking, muito a frente de outros profissionais, e de outras instituições. Muitas vezes, quase sempre, “ser velho”, desde que se tenha consciência do valor da experiência, e se possua de verdade essa experiência, que Drucker chamava de Conhecimento, não é uma simples vantagem competitiva. É uma mega vantagem competitiva.
Negócio

De que adiantam salgadinhos no café…

Nos últimos dias, boa parte das pessoas passa metade do tempo querendo saber sobre as últimas do Coronavírus, e a outra metade arrumando alguma coisa para fazer. Escolas fechando, shoppings às moscas, jogos de futebol sem torcida, no início, sem jogos, agora, restaurantes à mingua e só cozinhando para entrega, e desabituada do hábito da leitura – infelizmente a maioria da população – e cansada de ver TV, Netflix, conversar e palpitar no Whatsapp ou ficar olhando na grande avenida global que é o “Feice”, começam a ter ideias e refletirem sobre o ócio, vazio, nada. E isso acontece também com a imprensa e formadores de opinião. E as teses mais esdrúxulas e sem sentido vão ganhando corpo. E se as pessoas não tiverem um mínimo de discernimento e capacidade de análise, embarcam em canoas mais que furadas. No The New York Times, Kevin Roose, colunista de tecnologia do jornal, e criando clima para o lançamento de seu novo livro, entrou no ritmo e produz uma tese. A tese da importância do canto do cafezinho nas empresas, onde executivos de diferentes áreas se encontram, e, como que por milagre, as cabeças fervilham e produzem inovações monumentais. Em território árido e desprovido de qualquer estímulo que seja só brota mediocridade e irrelevâncias. Além de piadas toscas e muito bullying. Não há canto do cafezinho capaz de produzir qualquer milagre que seja. Segundo Kevin, o home office compulsório, em decorrência do Coronavírus, e que determinou o fechamento de dezenas de milhares de espaços de trabalho nas empresas, jogou as pessoas para suas casas, para o trabalho a distância, para um compulsório Home Office. E assim, e distantes do canto do cafezinho, nos próximos períodos e quando tudo voltar ao normal, as pessoas estarão debilitadas mais que economicamente, por uma ressaca de inovação. E disse mais, “os que defendem o trabalho a distância alegam serem as pessoas, trabalhando de suas casas, mais produtivas do que os que trabalham em escritório e presencialmente…”. Mas, contrapõe, dizendo, “Pesquisas demonstram que aquilo que os trabalhadores a distância ganham em termos de produtividade perdem em benefícios mais difíceis de mensurar, como a criatividade e o pensamento inovador. Estudos constataram que pessoas que trabalham juntas em uma mesma sala tendem a resolver problemas mais rápido do que os que colaboram remotamente…”. E aí cita Bill Gates, Steve Jobs, Laszlo Bock, professores de Harvard e muito mais como pessoas adeptas do trabalho presencial. Esqueceu-se de um pequeno e decisivo detalhe. Irrelevante trabalhar juntos ou a distância, se a empresa não induz, de forma permanente, incansável, crescente e decidida, uma Cultura de Inovação independente do lugar onde trabalhem seus colaboradores. Induzir uma Cultura de Inovação é o pressuposto, a condição inicial, básica e definitiva. Pessoas podem trabalhar juntas ou separadas, presencialmente ou a distância. E o resultado pode ser rigorosamente o mesmo: medíocre. Existindo uma Cultura de Inovação, aí sim, e independente de Coronavírus ou todos os demais acidentes de percursos, todos os dias e em todos os momentos, em tudo que seu capital humano pensa, planeja e faz, sente-se o exalar do Aroma ou Perfume a Inovação. O único que garante perspectivas de sobrevivência, prosperidade, e perenização para todos os tipos de empresa de qualquer porte e inovação. Assim, antes, depois, e sempre, com o Coronavírus ou sem, presencialmente ou a distância, existindo uma Cultura de Inovação sobrevive e prospera a esperança. Sem cultura de inovação a proximidade só agrava. Apenas multiplica, escala e exponencia a mediocridade. Como nos ensinou Djavan, em Flor de Lis, e na inexistência de uma cultura de inovação, “Meu jardim da vida ressecou, morreu… do pé que brotou Maria nem margarida nasceu…”. Nem nasceu nem nascerá, por maior que seja a quantidade e variedade de salgadinhos nos cantos do café das empresas…
Negócio

Os Menin

Volta e meia, em intervalos de anos ou década, uma família ocupa a cena e passa a chamar a atenção de todos. Desde a crise descomunal do mercado imobiliário, 2015 a 2018, uma família pontificou pela razão que uma de suas empresas, a MRV, constituiu-se na única, exclusiva e brilhante exceção. Enquanto quase todas as demais naufragavam, a MRV nadava em recordes e recordes de vendas e lucratividade. Enquanto as principais cravavam suas fichas em imóveis para a classe média ou mercado corporativo, a MRV apostava tudo na chamada Minha Casa Minha Vida. De forma precisa e consistente, tomou conta do território. A trajetória de sucesso dos Menin começa em meados dos 1970. Filho de família de classe média, Rubens Menin, sempre esteve no sangue a vocação para edificar. Seu avô paterno era engenheiro especializado em hidrologia tendo construído mais de 30 pequenas centrais hidrelétricas, e seu pai Geraldo e sua mãe Moura também eram apaixonados por engenharia. Rubens começa como estagiário na Vega Engenharia que pertencia a um de seus primos. Forma-se em engenharia civil em 1978 pela Universidade Federal de Minas Gerais, e em 1979 junta-se a própria Vega Engenharia, a seu irmão Sergio Menin Teixeira de Souza, e nasce a MRV. Hoje Rubens, presidente do conselho, 63 anos, tem a companhia de seus 3 filhos, Rafael, Maria Fernanda e João Vitor, assim como seu irmão Sergio e sobrinhos Eduardo, Sergio e Ana Tereza. Em 1994, cria o Banco Inter, em 2009 a Log – construção e locação de galpões industriais, e no dia 9 de março, decolou com sua incursão pela mídia, sendo o franqueado da CNN para o Brasil. Por enquanto seus negócios caminham bem. Mas a dimensão dos investimentos que vem realizando para montar e colocar no ar a CNN Brasil, num momento onde as plataformas de mídia definham, começa a gerar preocupações. Pessoas próximas à família comentam sobre a preocupação pelo fato do orçamento para a montagem ter mais que dobrado as previsões iniciais. Ser franqueado da CNN em nosso país foi uma decisão que ele, Rubens Menin, tomou em apenas 48 horas.   No estilo Masayoshi Son, do SoftBank que investe bilhões em questão de minutos. E meses depois descobre erros sucessivos. E muitos especialistas comentam que, se Menin respirasse, e esperasse no mínimo uma semana antes de decidir, provavelmente não teria feito negócio. Assim, continuaremos acompanhando com atenção e até torcendo pelo empresário brasileiro que apostou num dos supostamente piores e mais arriscados negócios da atualidade. Assim, e mais que nunca, a família Menin, seus diferentes empreendimentos, é a família de empresários a ser acompanhada! Pelo retrospecto espetacular, e por um investimento, no mínimo, temerário. Repito, todos torcendo pelos Menin. Que decolaram com o mais importante investimento de suas vidas, no exato momento em que o Coronavírus invadia o Brasil: Março de 2020.
Negócio

CNN Brasil

Nos últimos 12 meses o que mais perguntaram aos consultores do MadiaMundoMarketing diz respeito a notícias sobre uma surpreendente exceção. Em plena crise monumental das mídias convencionais, um empresário que jamais passou pelo jornalismo decidiu investir muito dinheiro, e tornar-se o franqueado da CNN em nosso país. Criando e lançando, a CNN Brasil. Poderia até parecer exagerado, mas, no momento onde 98% das plataformas clássicas de comunicação, jornais, revistas, rádios, emissoras de televisão, há 5 e mais anos, não fazem outra coisa que não seja reduzir, diminuir, cortar, eliminar, demitir, eu disse todas, inclusive a maior de todas, a Globo que quase todos os dias anuncia um novo corte, sem mencionar o naufrágio da Abril, a CNN Brasil converteu-se numa ilha de esperança – a única – que contrata, investe, equipa-se, treina, ensaia, e decola com toda pompa e circunstância, e carregada das melhores expectativas; e, claro, torcida da quase totalidade das pessoas, em especial dos profissionais dos veículos de comunicação – do editorial, do comercial, da produção. A sede da CNN Brasil ocupa 4.000 metros quadrados na avenida Paulista, com mais duas sedes menores – menores em tamanho não em importância – no Rio e Brasília, e correspondentes nas principais capitais do país e do mundo. O prédio escolhido por Rubens Menin é o mesmo onde durante anos brilhou um outro empresário também de Minas, Aloysio Faria, com seu Banco Real, e que faleceu semanas atrás, agora devidamente retrofitado e modernizado. Dos 4.000 metros quadrados, 800 reservados aos estúdios. Num momento onde as notícias só falam de enxugamentos e despedidas, a CNN Brasil decolou com 450 funcionários e 160 jornalistas. E não para de contratar. No comando executivo da CNN Brasil, como sócio e CEO, o jornalista e empreendedor Douglas Tavolaro. Em matéria exclusiva e reveladora, antecipando-se a todas as demais publicações, logo na decolagem e na revista Propaganda, Tavolaro posicionou a CNN Brasil. O que levou – a ele – Tavolaro, a aceitar o Desafio “Como poderia não abraçar um projeto de implantar no Brasil a maior marca de jornalismo do mundo? Absolutamente impossível e irrecusável. Sou grato à TV Record por tudo que vivi lá e pelas amizades que fiz. A honra agora é ser parte de um canal que pretende fazer jornalismo com correção e qualidade para informar melhor.”Posicionamento Editorial da CNN Brasil “Faremos jornalismo profissional: isento, transparente, rigoroso. O que nos move é o interesse da sociedade. Checaremos rigorosamente todas as informações e contemplaremos a pluralidade de opiniões, através de nossos analistas com isenção e equilíbrio.” Foi o que disse o Tavolaro sobre a CNN Brasil. Já na decolagem a CNN Brasil fez-se presente nas principais plataformas. Mediante aplicativo, site, newsletter, podcasts, assistente de voz, Facebook, YouTube, Instagram, Twitter, LinkedIn, e, claro, Pay TV e plataforma de streaming e OTT. Se a sorte e Deus abençoam e protegem os alucinados, sob determinados aspectos, fazer-se neste momento da crise conjuntural brasileira, e crise estrutural global um movimento dessa dimensão, é de uma coragem única. Mas, jamais podemos perder de vista o que a vida nos ensinou. Primeiro o que se disse durante décadas, a partir de um discurso de John F. Kennedy, que o ideograma Crise em chinês é composto por dois caracteres: um representa o perigo, e o outro, oportunidade. Ou seja, e se estamos em crise e estamos, certamente existem oportunidades pelo ar e talvez a CNN Brasil tenha engatado numa dessas oportunidades. Por outro lado, mais que qualquer outro país, a própria China de hoje é quem mais dá sentido e tangibiliza o Ideograma. Caminha, inexoravelmente, para a liderança mundial. E por outro lado, ainda, todas as plataformas de comunicação de nosso país encontram-se, com raríssimas exceções, mergulhadas em profunda crise. Muito especialmente, aquela que liderou o jornalismo político e econômico do Brasil, a Rede Globo, que substituiu, décadas atrás, e ocupando o mesmo espaço do Repórter Esso, com seu Jornal Nacional. E de 30 anos para cá, fortalecendo sua liderança com a Globo News. Neste exato momento o Jornal Nacional revela traços indisfarçáveis de que se aproxima do fim, mais que carente de um reposicionamento radical, e a Globonews vive uma crise monumental de identidade na medida em que concentra quase 100% de seu jornalismo a fuzilar Bolsonaro 24×24. Esquecendo-se de outras pautas e editoriais. Por que não a CNN Brasil não ocupar o espaço? E como se costuma dizer, azar de goleiro, no caso o goleiro é a Globo, e sorte de atacante, no caso a CNN Brasil, decolou no exato momento em que eclodiu a primeira grande crise das últimas décadas: a do Coronavírus. O que faz que várias vezes, no correr de um mesmo dia, milhões de pessoas apertem em seus controles remotos o número 577, e deem uma conferida, e “degustem”, e muitos acabam permanecendo minutos, horas, na plataforma que mal completou seus primeiros meses de vida. Sob esse aspecto, e pelas forças das circunstâncias, e mesmo sendo um pesadelo para todos nós e para toda a equipe de profissionais da própria empresa, a CNN decolou no momento certo. No olho da crise. E se crise é oportunidade, e é, não poderia existir melhor momento para sua decolagem. Não obstante todos os tropeços próprios – oscilações e balanços de toda a decolagem – as primeiras impressões da CNN Brasil são as melhores possíveis. CHEGOU NA HORA CERTA!
Negócio

O maior carnaval do Brasil… Pra tudo terminar na quarta–feira, mesmo!

Tom e Vinicius cantavam, “Tristeza não tem fim, felicidade sim… pra tudo se acabar na quarta-feira”. Era assim, não é mais, não acaba mais na quarta, avança para uma ou duas semanas depois da quarta-feira de cinzas. E assim foi no Carnaval de 2020. O maior carnaval de todos os tempos da cidade de São Paulo, o da última semana de fevereiro de 2020, recorde absoluto de público e blocos, entrou para a história, na visão de muitos, e também, e agora se sabe, como o epicentro da crise do Coronavírus. Onde começou a eclodir a contaminação. Ô balancê, balancê… Sem saber, sem querer, sem planejamento de qualquer espécie, a cidade de São Paulo converteu-se, e hoje com enorme vantagem, no maior carnaval do Brasil. Não dissemos MELHOR; e, sim, MAIOR. E não vemos no horizonte qualquer outra cidade capaz de arrebatar essa conquista de São Paulo. O último Carnaval da década de 2010 – para os que seguem os fundamentos e acreditam que 2020 é o último ano da década –, Ou o primeiro Carnaval da nova década, dos 2020 – para os que como eu acreditam que a década começa agora e no zero – consagrou definitivamente a cidade de São Paulo como aquela que teve e continuará tendo, e agora que decolou, o maior carnaval do Brasil. Tudo a ver com as migrações de décadas, com as concentrações populacionais nas grandes metrópoles do mundo, com a multiplicação de tribos num mesmo espaço, e que devidamente consolidadas, e com plataformas de comunicação que as preservam conectadas 24X24, e da troca de ideias e pensamentos, blocos foram emergindo de todas as frestas, buracos, vilas, vielas, travessas, bairros da cidade, e simultaneamente, e pelo digital, mais e muito blocos multiplicando-se por diferentes afinidades. E deu no que deu. Sem planejamento, e naturalmente, em 20 anos o túmulo do Samba, como um dia brincou Vinicius, do zero e do tédio virou uma explosão. De alegria, felicidade, bagunça, sujeira, alegria, sexo, rock´n´roll e todos os demais ritmos. Foi assim. E agora é. Ou era, até meses atrás. Será? Solitários e isolados membros de tribos que em suas cidades não passavam de meia dúzia, pegam carro, trem, avião, e vêm integrar suas tribos em outras bases, números e dimensões. E a cidade de São Paulo converte-se, durante a semana do Carnaval, no maior mosaico de cores, crenças, preferências e comportamentos de todo o Brasil, e talvez, uma das três mais completas manifestações já e agora, e em todo o mundo. Os números são superlativos. De meia dúzia de blocos 20 anos atrás para 464 em 2019 e 796 que protagonizam 861 desfiles neste pandêmico 2020. Difícil alguém com alguma preferência específica sob qualquer ângulo e aspecto não encontrar seu bloco, sua turma, sua tribo. De dezenas de milhares de 20 anos atrás para 15 milhões de pessoas, gastando, na soma de todos os dias, R$ 2,6 bilhões. É isso, amigos. Agora, a ex-terra da garoa, ex-túmulo do samba, sem querer e muito menos planejar, converteu-se no maior e mais completo Carnaval do Brasil. E pelos números, e sem medo de errar, no Maior Carnaval do Mundo. E com esse reconhecimento e repercussão, em todos os anos desta nova década crescendo ainda mais e atraindo turistas de todas as regiões da terra. Claro, depois de dar um chega pra lá definitivo no vírus. Ou seja, perigava o Carnaval espontâneo e natural de São Paulo, converter-se no magneto que estava faltando para a decolagem do turismo de passeio na cidade. Uma cidade que viveu todos os últimos 50 anos do chamado turismo de negócios. E aí, terminado o Carnaval, há pouco mais de nove meses, começaram e já pararam os planos face a pandemia. Talvez, mais que na hora dos gestores da cidade e do estado começarem a planejar o como transformar essa circunstância que brotou espontaneamente, a de São Paulo, O Maior Carnaval do Mundo, em um atrativo permanente para a cidade, muito especialmente para mais de 40 finais de semana onde os hotéis permanecem às moscas. Como aprendemos e é mais que comprovado pela história e vida, CAVALO SELADO SÓ PASSA UMA ÚNICA VEZ, ou, CAVALO DADO NÃO SE OLHA OS DENTES, ou O OLHO DO DONO É QUE ENGORDA O CAVALO, ou QUEM NASCEU PRA BURRO NÃO CHEGA A CAVALO, ou CAVALO BOM E HOMEM VALENTE A GENTE SÓ CONHECE NA CHEGADA, ou, O CAVALO É PARA O HOMEM COMO AS ASAS PARA UM PÁSSARO, ou, ENQUANTO HOUVER CAVALO SÃO JORGE NÃO ANDARÁ A PÉ… Enfim, escolha o ditado que quiser, mas mais que na hora, PENSAVAM MUITOS, das autoridades do turismo da cidade de São Paulo pegarem uma carona nesse cavalo selado que apareceu e que se chama CARNAVAL, e finalmente trazerem para a cidade e estado o turismo de passeio, alegria, diversão. Todas as semanas no ano, e não apenas e tão somente, em uma única semana. Cidade e hotéis lotados nos finais de semana, também… Mas, dias depois, e a propósito do maior Carnaval do mundo… Coronavírus… Repetindo, e segundo muitos, o lugar ideal e sonhado por um tal de Covid-19. Onde deitou e relou. O maior Carnaval do mundo nunca mais será o mesmo. Por dois ou três anos. Mas, depois… Sai da frente! Planos de Carnaval todos os finais de semana provisoriamente adiados… Mas, vamos deixar anotado.
Negócio

Revolução nos livros: Mercado de segunda mão!

Podem nos cobrar. Ainda um dia, não tão distante de hoje, todos nós seremos testemunhas do resgate dos livros. As pessoas voltarão para os livros como jamais aconteceu em qualquer momento. E a Amazon deu uma baita mão, uma segunda mão, nessa direção. Uma das mais importantes contribuições que a Amazon deu para o negócio dos livros foi a de garantir modernidade, acessibilidade e relevância ao mercado de livros usados. Uma espécie de mercado de segunda mão, como existe há décadas no mercado de outros produtos, como no dos automóveis. Originalmente a Amazon, apenas no início, só vendia livros novos. Rapidamente Bezos intuiu que precisava oferecer algum tipo de contribuição para dar novas e maiores dimensões ao business e a seu negócio. E, em se convertendo, gradativamente, de Amazon Books, em apenas Amazon, de livraria virtual em Marketplace, passou a vender livros para outras livrarias e pessoas, ou seja, colocando praticamente todos os livros – novos e usados, na prateleira do mundo. E mais que deu certo. E com a comercialização acessível e democrática dos livros usados, Bezos deu acesso aos livros, a uma quantidade infinitamente maior de pessoas que não dispunham de dinheiro para comprar, exclusivamente, livros novos. Ou seja, e de certa forma, reinventando o negócio dos livros, e criando uma espécie de marco divisor. O business de livros AA, e DA. Antes da Amazon, e depois da Amazon. Antes da Amazon quem quisesse livros usados tinha que descobrir os endereços dos sebos, ir até lá, tentar encontrar o livro que procurava, e ainda pagar caro por ser tratado o livro usado mais como raridade, do que livro usado. Referenciando-se na história da Amazon, e aproveitando-se da quebra da Livraria Cultura, meses atrás a Luiza decidiu seguir o mesmo caminho. Comprou em leilão por R$ 31 milhões a Estante Virtual, uma espécie de Amazon da Cultura. Assim, e pedaço a pedaço, a Luiza vai se convertendo de uma loja de departamento física e digitalmente presente, num Marketplace robusto, formado pela própria Luiza Digital, mais a Netshoes comprada no ano passado, e também, da Estante Virtual. Por que muitas empresas, em suas estratégias, consideram ser melhor comprar o que já está andando, consertar e/ou corrigir e aperfeiçoar, do que investir bem menos dinheiro e começar do zero? Pela simples razão que não existe mais tempo para se começar do zero. Em 95% das situações quando a empresa ficar pronta será tarde demais e o mercado estará completamente tomado. Portanto, e em momentos de disrupção como o que estamos vivendo, ganhar alguns anos tem um valor inestimável. Muito a comemorar com a aquisição da Magalu. E pontos e muitos pontos no processo de resgate do melhor amigo de todos nós, consultores da Madia, o livro. Vinicius, como já comentamos com vocês, dizia que o melhor amigo dele era o uísque. Segundo ele, uma espécie de cão engarrafado. Já o nosso, consultores, o livro. E parafraseando Vinicius, nosso cão encadernado. Obrigado Amazon, obrigado Luiza.
Negócio Sem categoria

Raridade: empresário assumindo e confessando erros

É muito difícil, pouquíssimas vezes testemunhamos. Um empresário assumir, publicamente, sua culpa, por decisões erradas, diante de desempenho e resultados decepcionantes de sua empresa. Meses atrás, antes da pandemia, vivemos um desses momentos raros. A família Hering, que comanda a empresa que leva seu nome, confessando que parte dos resultados decepcionantes do final do ano de 2019, teve tudo a ver com as mudanças de comportamento do consumo desde a chegada da Black Friday, e que encavala com as compras do Natal. Mas, na outra parte, e até mesmo como decorrência dessa constatação, confessam e assumem, erraram na política de produtos e de preços. Em conferência com gestores de fundos, investidores e acionistas, Fabio Hering, CEO da empresa que leva o nome de sua família, declarou, “O trimestre teve comportamento bastante heterogêneo e disperso. Pelas notícias, vemos em alguns casos que foi o melhor Natal dos últimos anos, e, em outros, que foi uma performance medíocre. Em nosso entender, uma parte desse resultado medíocre da Hering, foi de nossa responsabilidade…”. “Enquanto muitos dos demais varejistas, ‒ declarou Thiago Hering, diretor executivo de negócios da empresa, ‒ entenderam e buscaram vender muito mais presentinhos no Natal, entre R$ 20 e R$ 30, não fomos capazes de acompanhar esse movimento com consistência…”. Ou seja, amigos, e atrás da confissão sincera e corajosa da família Hering assumindo o erro, a Black Friday mudou, para sempre, as até então compras de Natal. Não adianta tentar remar em sentido contrário e nem julgar-se capaz de ser uma exceção. As compras pesadas, consistentes, e de maior valor, sempre acontecerão na Black Friday. E no Natal, lembrancinhas… Simples assim. Conclusão, após as declarações do comando da empresa, as ações da Hering, nos dias seguintes, registraram uma queda de 12,6%; traduzidos em dinheiro, R$ 600 milhões a menos em valor de mercado em um único dia… Perdeu, por semanas ou meses, parte de seu valor de mercado. Mas, a credibilidade, permanece totalmente preservada. E brevemente recuperará o dinheiro provisoriamente perdido, resgatando sua trajetória de décadas de conquistas e sucessos. É em momentos como esses que se conhece a dimensão da seriedade e responsabilidade dos que comandam.