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Blog do Madia

Diário de um Consultor de Empresas – 19, 20 e 21/06/2021

POUCAS, DAS NOVAS E GRANDES EMPRESAS, SOBREVIVERÃO. CABIFY despediu-se. UBER não tem a mais pálida ideia quando e se dará lucro… E, pior ainda, chegou a hora de trazer os preços para a realidade…
Negócio

Locadoras de automóveis: o melhor e o pior negócio da pandemia, e agora, reinvenção total

O melhor negócio do mundo até o dia 31 de março de 2020, era ser uma das três maiores locadoras de automóveis do Brasil, Localiza, Movida, e Unidas… O pior negócio do mundo a partir do fatídico 01 de abril de 2020 era continuar sendo uma das três maiores locadoras de automóveis do Brasil. Dormiram prósperos, acordaram mendigos e a caminho do fim. Não era pesadelo, apenas, uma brutal e nova realidade. Até 30 de março, todos os carros das três empresas, dezenas de milhares, locados, rodando, e as três batendo recordes de lucros, convertendo-se, as três, nos maiores compradores de carros novos do País, e, por decorrência, nos maiores vendedores de usados, quase novos. A vida e as circunstâncias tinham criado o produto perfeito! A sorte e a fortuna superaram-se. Assim, e cada vez mais, mais que interessante abreviar a vida dos carros novos, vender os carros quase novos, alcançando margens espetaculares. Aumentar a velocidade do giro… E o tilintar do caixa não parar de soar como se tivesse ingressado em infinita recorrência. Um mês depois, as três não sabem mais onde enfiar os carros. A maioria dos clientes de locação devolveu seus automóveis. Os que viviam de bico, tipo Uber, também e principalmente devolveram, e as três improvisavam lugares não mais para guardar, para socar seus carros. Na pressa e desespero, nem mesmo sabiam dizer onde deixaram seus milhares de automóveis… E os preços de locação foram despencando. De diárias de R$ 180 a R$ 200 no início do ano de 2020, para R$ 50 em abril, Localiza, e R$ 52, a Unidas. Assim que acordaram do susto, e por não ter mais onde colocar os carros devolvidos, imploravam, pediam pelo amor de Deus para os motoristas continuarem com os carros, mediante a concessão de, além de descontos, de bônus e presentes. Enquanto isso, e nos Estados Unidos, onde aconteceu o mesmo em semelhantes proporções, a mais emblemática dentre todas as locadoras do mundo, a Hertz ‒ lembram, Hertz Rent a Car… ‒ Converteu-se em Hertz Rent a Cry… Ingressou com pedido de concordata. Não nos lembramos de nenhum outro caso em todos os mais de 40 anos da Madia e 50 do marketing de um negócio ótimo ficar péssimo em menos de 24 horas. Quase do dia para noite. Dormir bilionário e acordar na miséria. Esperanças zero. É isso amigos, o supostamente impossível às vezes, poucas vezes, acontece. Lembram da música, gravada por muitos dos melhores cantores brasileiros… E que no politicamente correto, mais que correto, perfeito de hoje, está definitivamente condenada. Canção emblemática composta por Billy Blanco e que dizia… “Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho. Prá que tanta pose, doutor? Prá que esse orgulho? A bruxa que é cega, esbarra na gente, a vida estanca… O infarto te pega, doutor, acaba essa banca…”. A bruxa esbarrou e as locadoras infartaram. 01 de abril de 2020. Não era primeiro de abril… Mas, aí, e como acontece nos melhores filmes de amor, a sorte tornou a virar, o sentimento de desapego foi tomando conta das pessoas, decidiram vender seus automóveis, e começam a dar preferência, mais que pela locação, pela assinatura de carros. Como ainda fazem em pequena quantidade com jornais e revistas sobreviventes. E as três locadoras, lastreadas no capital da experiência, voltam a sorrir novamente. Ao menos enquanto todas as revendas de automóveis não se convertam em vendedoras de assinaturas de carros quase que exclusivamente…
Negócio

Ciranda, Cirandinha

Conforme mais que esperado, e talvez, até um pouco antes do previsto, as supostas empresas fantásticas da nova economia, que não criavam nada que não fosse um novo nó na cadeia de valor, que apropriavam-se de um pedaço da receita já existente sem produzir nenhuma receita nova, que alcançavam valorização estapafúrdia e absurda, convertiam espertalhões em bilionários em poucos anos, algumas vezes do dia para a noite, mais que abrir, essas empresas supostamente fantásticas, uma após a outra, vão escancarando o bico. Nos lembrando muito da canção de roda de criança Ciranda Cirandinha, lembram? “Ciranda Cirandinha Vamos todos cirandar Vamos dar a meia volta Volta e meia vamos dar O anel que tu me destes Era vidro e se quebrou O amor que tu me tinhas Era pouco e se acabou Por isso dona Rosa Entre dentro desta roda Diga um verso bem bonito Diga adeus e vá se embora…”. Assim, mais um dos supostos milagres, à semelhança do Uber, Lime, WeWork vai se desvanecendo. E, se preferirem, derretendo. Por sinal e coincidência, também mais um dos grandes investimentos de Masayoshi e seu Softbank, a Oyo. Empresa indiana de hospedagem, que celebrava parcerias com milhares de hotéis pelo mundo, e chegou a ser avaliada em US$ 10 bi. A crise é forte, e as demissões acontecem em todo o mundo. A Ciranda Cirandinha, assim, acelera-se, e os anéis, quase todos de vidro, um a um, vão se quebrando… Primeiro mês de 2020. Zume, startup de robôs demite 80% de seu quadro de colaboradores. Getaround, startup de aluguel de carros, despediu 25% de seu capital humano. Rappi inicia um amplo plano de demissões em todo o mundo incluindo o Brasil. Aplicativos de patinetes e bicicletas jogam a toalha e desaparecem da e na paisagem… E por aí vai. Assim, e conforme previsto, e por isso, dona Rosa, entre dentro desta roda, diga um verso bem bonito, diga adeus e vá se embora…