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O fim de um ciclo de 50 anos

7
fev

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Tudo leva a crer que sim!

Acabara de ingressar na Faculdade de Direto da Universidade de São Paulo. A grana era curta. Trabalhava, mas não ganhava o suficiente. Fui ser corretor plantonista de imóveis nos finais de semana. Era um tédio. Muitos sábados e domingos passava os dias olhando para a paisagem.

Um dos meus plantões era num prédio já pronto, mas com muitas unidades ainda a venda. Na falta de interessados pegava o elevador e ia para o terraço no último andar. E de lá, rua Iguatemi, olhava em direção ao Jóquei Clube, via os cavalos a distância, e um mega terreno disponível do lado de cá da marginal. Foi lá que o ciclo começou!

O primeiro shopping center da América Latina foi construído onde um dia fora uma chácara, a da família Matarazzo, na Rua Iguatemi, hoje Avenida Faria Lima. Isso mesmo, o Iguatemi, que no ano de 1966, novembro, abriu suas portas. Mais alguns meses e completa 52 anos, e não seria exagero e muito menos arriscado afirmar-se que o grande ciclo dos shopping centers em nosso país chega ao fim.

Em verdade não é só em nosso país. É em muitos outros países, também, e onde se inclui o país dos Shopping Centers, os Estados Unidos da América. Hoje, em pé e abertos e funcionando a velocidade plena são 561 shopping centers no Brasil, mais 16 em processo de decolagem e inauguração e que totalizou, no final de 2017, 577. E outros 23 deverão abrir suas portas em 2018, batendo, então, 600! O teto!

O número circunstancialmente é redondo, mas a probabilidade de continuar crescente nas próximas décadas é muito próxima de zero.  Com a horizontalização das cidades, descentralização do comércio, mais home office, coworking, saem de cena os grandes shopping centers, enquanto novos empreendimentos chegam, com o prevalecimento dos centros comerciais de vizinhança. Assim, e depois de 52 anos, consolida-se toda uma atividade, e fecham-se os grandes números:

600 shopping centers. Era o potencial máximo para a indústria de shopping centers em nosso país. Mais ou menos os números que os consultores especialistas estimavam.  100 mil lojas, faturamento total projetado para 2018, R$ 160 bilhões, uma média de 166 lojas por shopping. 1,1 milhão de empregos, e um tráfego de pessoas correspondente a uma ida 2,2 vezes por mês de cada brasileiro aos shoppings: totalizando, 450 milhões de visitas/mês.

Alfredo Mathias, um dos maiores visionários da história das empresas em nosso país  jamais conseguiu testemunhar o sucesso de suas iniciativas. Quando seu empreendimento Iguatemi ficou pronto, as pessoas morriam de medo e vergonha de comprar em shopping centers. Preferiam as lojas de rua.

Tendo acontecido o mesmo com as suas duas outras mega obras e empreendimentos. O Centro Empresarial, e o Portal do Morumbi. Conceitos mais que consagrados uma década depois, mas, projetados e construídos muito antes do tempo. No Iguatemi, por exemplo, e durante os primeiros cinco anos todas as lojas trocaram de mãos três vezes.

Agora, e finalmente, chegou a hora da verdade dos shopping centers. Dos 600 shoppings do país, 1/3 deve desaparecer ou ter seus espaços revocacionados. E assim como já acontece nos Estados Unidos, por exemplo, shoppings de relativo sucesso de décadas atrás, hoje são imóveis abandonados.

É o ciclo da vida. De pessoas, produtos, empresas. De pessoas o máximo que se pode tentar é prorrogar nossa permanência por aqui e ganhar alguns anos de vida. Já empresas e produtos em tese podem durar 100, 200, 300 anos. Desde que seus gestores, claro, tenham competência, conhecimento e sensibilidade para entenderem o exato momento da reinvenção ou do reposicionamento, e conseguirem realizá-lo a tempo.

Caso contrário, prevalece o ciclo da vida.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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