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Nada é para sempre

7
jun

tarja-915

 

 

Aconteceu naturalmente. Nada planejado. Decidiu-se fazer uma releitura. As pessoas gostaram e pediram mais. E uma segunda releitura, desembocou-se nas séries e franquias. O conteúdo prevaleceu. Sai Angelina e Pitt entram Power Rangers e Angry Birds.

Num mundo do efêmero e fugaz as pessoas, quando gostam querem mais, e mais, e mais. O Conteúdo prevaleceu sobre Astros e Estrelas.

Conclusão, valorizam-se os autores, depreciam-se os atores. Coisa de uma única vogal. Do u!

O tal do “star system” derrete; prevalece o “content system”. A narrativa, finalmente, ocupa todo o palco. Astros e estrelas, ainda que atores principais, cada vez mais, e em termos econômicos, coadjuvantes.

Das 5 principais estreias previstas para este ano de 2017, no território da ficção científica,  uma é absolutamente inusitada – correndo o risco de converter-se mais adiante em franquia -, e as demais 4, continuações, a estreia inusitada e original é o filme Vida. E as continuações, ou, franquias, “Planeta os Macacos”, “Alien”, “Star Wars” e “Blade Runner”.

Pior ainda. Quando astros e estrelas prevalecem, poderiam ser totalmente substituídos por desconhecidos ou figurantes que pouco aconteceria com as bilheterias. Todos, a caminho da irrelevância.

Um dos maiores sucessos deste ano, A Bela e a Fera, já se encontra entre as 30 maiores bilheterias de todos os tempos, com mais de US$ 1 bilhão até agora, com um caminho ainda a percorrer, e ambicionando, com chances, uma posição entre as 10 mais.

No filme, cachês desnecessários de milhões de dólares para Ewan McGregor, Emma Watson e Dan Stevens, descaracterizados por computação pesada.

Em artigo recente na revista Vulture um balanço do que aconteceu com alguns dos últimos e aguardados lançamentos nos Estados Unidos e no primeiro trimestre deste ano, versus o cachê recebido por astros e estrelas.

Vigilante do Amanhã, com Scarlett Johansson que levou US$ 17,5 milhões para casa, arrecadou apenas US$ 32 milhões na semana de estreia perdendo para outros dois filmes. O mesmo acontecendo com filmes protagonizados pelos cachês milionários de Chris Pratt, Ryan Reynolds, Jennifer Lawrence, Ryan Gosling e Brad Pitt, massacrados pelos heróis de Power Rangers, pelo mega gorila Kong na Ilha da Caveira, e pelos passarinhos ensandecidos de Angry Birds.

A história do cinema está repleta de acidentes e fatalidades, e de atores e atrizes encerrando suas carreiras súbita e precocemente.

Cory Monteith, Philip Seymour Hoffman, Health Ledger, Anne Nicole Smith, River Phoenix, John Belushi, Judy Garland, dentre outros, abreviaram carreira e curriculum por overdose.

Outros, por vontade própria, decidiram saltar fora e seguirem novos caminhos, como Mara Wilson (Matilda), Jeff Cohen, (Os Goonies) Amanda Bynes (Tudo o que uma Garota quer), Macaulay Culkin (Esqueceram de Mim), Josh Saviano (Anos Incríveis).

Mas, e pela primeira vez, em toda a história do cinema, o conteúdo se sobrepõe e ofusca os interpretes.

Tempos de Brand Content, de Narrativa, de contar histórias de forma lúdica, magnetizante, arrebatadora. E que deixa em todos a vontade e o desejo de querer mais, da continuação.

Nos números de Hollywood, e no balanço dos últimos 3 anos, só 3 filmes com conteúdo original e atores de nome deram o retorno esperado. Sniper Americano (2014), Perdido em Marte (2015), e Estrelas Além do Tempo (2016). E a estreia do original mais aguardado deste ano, Vida, foi um tremendo fracasso.

Assim, aconteceu. Astros e estrelas terão que se conformar em todos os próximos anos com cachês ainda milionários – poucos -, mas com um zero a menos.

Enquanto e finalmente, e na era do conteúdo, alimentado por uma nova cultura decorrente de Harry Porter e de O Senhor dos Anéis, das infinitas séries de sucesso da Pay TV, e do streaming (Netflix), colocam escritores e roteiristas no foco das disputas pelos estúdios.

Como nos ensinou o maravilhoso filme dirigido por Robert Redford, “A River Runs Through It”, e, na tradução, “Nada é para sempre!”.

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