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Memorabilia Marketing 012017 - Delírio Empresarial

17
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A melhor maneira de preservar um segredo é não passá-lo à frente”. – Napoleão Bonaparte

O ano era de 1996. Do dia para a noite dezenas de empresas em todo o mundo viram-se contagiadas com o tal de Delírio Empresarial. Dei um urro pra assustar, mesmo. E aproveitei para contar o emblemático e referencial “case” da FILOFAX. Os anos se passaram e o vírus está de volta. Só que e agora, muito especialmente na tal da Nova Economia, e vencidos os primeiros obstáculos, quase todas as empresas do digital alucinam e acham que podem tudo. Mais que na hora de lembrar-se da lição da FILOFAX. Juizo, galera! Madia.

Delírio Empresarial

Os mestres da elegância sempre ensinaram, mas as pessoas ou não acreditavam, ou não se sentiam seguras em seguir os conselhos.

Ainda me lembro de anos atrás, Marcelino de Carvalho contando na TV o segredo de sua reconhecida elegância: Simplicidade.

Seu guarda-roupa era mínimo e o mais prático possível, com roupas de qualidade, naturalmente. Segundo Marcelino, o homem moderno – daquela época, mas talvez até mesmo mais válido para os dias de hoje – deveria se limitar a dois blazers: um preto, e outro azul marinho. E a uma única calça: cinza escura. Era essa sua receita de elegância.

As lições de Marcelino também deveriam ser observadas no campo empresarial, onde muitas vezes, produtos vencedores são vitimas da vaidade, incompetência, e até mesmo Delírio de marqueteiros e dirigentes de empresas.

Quando empresários ou marqueteiros manifestam suas tentações em multiplicar um produto vencedor em infinitas versões, para supostamente infinitos nichos de mercado, relembro o “case” da Filofax.

Um verdadeiro “Ovo de Colombo”, a agenda Filofax constituiu-se num dos ícones do marketing dos anos 1980.

O segredo do sucesso, a junção em uma única peça, de forma bonita, prática e funcional, de um diário, agenda de endereços, e informações relevantes. E, ainda, e de quebra, a possibilidade de nos anos seguintes só se comprar o refil.

Assim, e só na venda de suas agendas, o Filofax Group chegou a um lucro de US$ 23 milhões em 1988: ações foram lançadas nas Bolsas com absoluto sucesso.

As revistas de negócio, com total merecimento e razão, celebraram o sucesso de um produto mágico, criativo, e vencedor.

Aí baixou o Delírio Empresarial.

Começaram, aumentando substancialmente o preço. Depois, e para justificar novos aumentos, lançaram mais de 1.000 alternativas de capas, e milhares de alternativas de “recheio”.

Do velho produto simples e campeão passou-se a ter nos pontos de vendas – os poucos que concordaram -, uma gôndola inteira com as capas e os “recheios”, onde os consumidores perplexos e perdidos, o máximo que conseguiam era o de produzir, constrangidos, agendas-monstro. O preço da Filofax, que anos antes, na versão mais completa não passava dos US$ 60, saltou para mais de US$ 300.

Em poucos anos a empresa estava à beira da falência. Até outubro de 1990, ainda não se sabia se os refis estariam prontos para o Natal, por absoluta falta de dinheiro para pagar os fornecedores.

Foi nesse exato momento que se decidiu mudar a rota da companhia, e retornar as origens. Foi nesse exato momento que se decidiu por fim ao delírio.

Hoje, cinco anos depois, a Filofax retorna aos dias de glória. Com a tradicional agenda cujos preços se situam entre US$ 16 – versão para estudantes -, e US$ 77, a versão mais completa. As infinitas alternativas de capas e “recheios” foram reduzidas a partir das verdadeiras expectativas de seus usuários, e das limitações impostas pelos pontos de venda. E o preço das ações nas Bolsas são os mais altos de toda a história da companhia.

Como nos ensinavam as pessoas mais velhas e experientes, nada pior do que quando o sucesso sobe à cabeça…

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