Na edição de agosto da revista PEQUENAS EMPRESAS & GRANDES NEGÓCIOS, um exagero nas chamadas de capa, e um susto ao se conferir o conteúdo da matéria.
O exagero. A chamada, diz “DESCUBRA OS SEGREDOS DO BRASILEIRO ELEITO O MELHOR FRANQUEADO DO MUNDO”. E aí, quando você chega na matéria, não é bem assim. Trata-se de um franqueado do BURGER KING, RICARDO CÉSAR HORTA, que em conjunto com sua mulher, ANA CAROLINA, apresentou um projeto para ativar uma rede no PARANÁ, a GOOD FOOD, e outra no RIO GRANDE DO SUL, a ESTAÇÃO BURGER, totalizando hoje 10 lojas e 500 funcionários, que receberam o BRAND LEADERSHIP AWARD, concedido aos melhores franqueados da BURGER KING em todo o mundo. Portanto, PE&GN, não se trata exatamente do “melhor franqueado do mundo”. Apenas e tão somente de uma rede específica, o que cá entre nós não é pouco, mas não é DO MUNDO.
O susto. Em tópicos, RICARDO vai detalhando, no correr da matéria, os segredos do sucesso. E o susto vem logo no primeiro tópico: INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA. No mínimo esquisito alguém para empreender ter que ser financeiramente independente. Até concordamos que é mais tranquilo e confortável quando isso acontece, mas para empreender, a única virtude ou condição indispensável é o DNA EMPREENDEDOR, o que certamente RICARDO e ANA CAROLINA têm. E aí vem a descrição do que a revista batizou como INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA:
“HORTA é categórico ao dizer o que facilitou a expansão do GOOD FOOD: ‘fizemos tudo com recursos próprios’. O cunhado, ÉLVIO MACHADO, ajudou-o a financiar o projeto. Cada uma das nove unidades em shopping centers recebeu aporte de R$ 1 milhão. A única loja de rua, localizada em Curitiba, custou R$ 3 milhões. É preciso realmente fôlego financeiro, pois o retorno do investimento no caso do BURGER KING está previsto para acontecer em oito anos...”.
Percebeu?! Um baita investimento, para retorno previsto em 8 anos. Provavelmente fechando os olhos para uma precificação correta da relação CUSTO OPORTUNIDADE, ou seja, esses mesmos milhões aplicados em alguma outra atividade ou até mesmo no mercado financeiro.
Isso posto, e no caso específico contemplado pela matéria, trata-se de TERAPIA OCUPACIONAL, o que também é válido. Longe de ser um negócio de verdade, e, se “é preciso realmente fôlego financeiro”, tem alguma coisa de errado em todo o negócio.
E se o negócio é TERAPIA OCUPACIONAL, existem outras alternativas bem mais interessantes do que ser franqueado do BURGER KING nessas condições.
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