Mba 2009
The World Marketing Place
O QUE AS PESSOAS COMPRAM

Se a sua empresa não sabe o que as pessoas compram de sua empresa, sua empresa não sabe qual é o seu produto. No passado, e para se obter essa resposta era suficiente perguntar às pessoas. Ou, imaginava-se assim. Depois de alguns anos, e mais recentemente, empresas sensíveis e aplicadas, passaram a, mais que perguntar, observar e aprender com o comportamento das pessoas. E mais recentemente ainda, agora mesmo, muito mais que perguntar e mais que observar as empresas colocam-se no lugar das pessoas. E seguem o conselho de CARTOLA no AS ROSAS NÃO FALAM, “E, quem sabe, sonhavas meus sonhos, por fim”.

Os proprietários das locadoras, se não sabiam, deveriam saber que as pessoas não alugavam vídeos ou dvds; compravam os serviços de levarem dentro desses vídeos e dvds, dessas mídias, os filmes que programaram para se divertir a noite, ou no final de semana. Mas, incomodavam-se em ter que sair de casa, muitas vezes pegar o carro e parar num estacionamento, não encontrar o filme desejado, e, depois, ainda ter que devolver. Muitas vezes esquecendo-se e pagando multa. Apenas esperavam uma nova alternativa da prestação do mesmo serviço. As pessoas não compram produtos; pior ainda, não existem produtos. As pessoas compram os serviços que os objetos físicos prestam. E muitos serviços, hoje, prescindem desses objetos, desses portadores.

Neste LANDMARKETING cansamos de alertar a BLOCKBUSTER e seu acionista principal UNIBANCO, que não havia a menor esperança de sucesso para o empreendimento em nosso país. Infelizmente estávamos com a razão. Agora, e ao fechar os números de 2009, a derrocada continua. Em menos de cinco anos o número das locadoras sobreviventes no Brasil caiu para menos da metade: das 14 mil de 2004 restam, no máximo, 6 mil. Pior ainda, em todas elas, o movimento despencando, definhando, agonizando, próximo do fim.

Na FOLHA ILUSTRADA e em matéria assinada por ANA PAULA SOUSA, retratos do fim que se aproxima: “Achei que se estabilizaria em 2009, mas a queda deve ter sido mais de 10%” – WILSON CABRAL, SONY; “Cheguei a ter 15 lojas em São Paulo. Hoje, apenas três e uma só minha por uma questão de afeto e não por dinheiro. Mesmo assim não sei quanto tempo vai durar. Quando você puder baixar um filme em casa em dez minutos não tem mais porque ir a locadora” – HÉLIO PEREIRA, VIDEO NORTE.

Atacados por todos os lados – piratas por baixo, AMERICANAS, FNACs e demais redes, por cima, e tecnologia de todas as direções, as locadoras preparam-se para o último ato. Agora existem alternativas melhores, mais acessíveis, mais econômicas, mais lúdicas, da prestação do mesmo serviço. Perderam a razão de ser.

Mas, e como estampa no título a matéria assinada por ANA PAULA, e ainda durante muito tempo, carregaremos em nossa memória – nós, os mais velhos, da geração dos vídeos – o pedido de todas as locadoras, REBOBINE POR FAVOR.


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