Se em suas GEÓRGICAS o poeta VIRGILIO já advertia a todos que TEMPUS FUGIT (sed fugit interea fugit irreparabile tempus – mas ele foge, inexoravelmente o tempo foge), de lá para cá, muito especialmente nas últimas décadas, e mais especialmente nas grandes metrópoles, mais que fugir e/ou voar, o tempo literalmente desaparece, evapora. E como temos alertado a todos os nossos leitores desde o início da TIMELESS SOCIETY – setembro de 2001 – hoje, nós, consumidores modernos, decidimos nossas compras considerando dois bolsos: o bolso do tempo e o bolso do dinheiro. O do tempo é muito mais importante do que o do dinheiro, e literalmente determinou que todos os produtos de todas as categorias concorram com todos os produtos de todas as categorias de produtos. Concorrência ampla, geral e irrestrita.
O que não se imaginava é que essa concorrência generalizada levasse instituições, por natureza extremamente conservadoras, a uma revisão radical de suas práticas. Que é o que aconteceu no final do ano de 2009 na cidade de São Paulo repetindo práticas dos anos anteriores e após ingressarmos no novo milênio. Padres absolvendo pecados em baixo de guarda-sóis nas ruas centrais de São Paulo.
A iniciativa faz parte das ações do grupo católico jovem denominado ALIANÇA DE MISERICÓRDIA. Com a duração de 10 dias, colocou o confessionário literalmente nas ruas. Falando ao JORNAL DA TARDE, o seminarista FERNANDO GONÇALVES, um dos coordenadores do movimento, explicou, “É uma maneira criativa e reconciliadora para se viver um momento de renovação... Muitas vezes, as pessoas veem o padre sentado na praça e não acreditam que é um padre... Buscamos com isso levar a igreja até as pessoas e mostrar para elas também que o Natal é mais do que uma troca de presentes. Tem uma mensagem mais profunda por trás, de uma festa de família e de paz...”.
Um dos católicos que passavam por um dos padres e aproveitou para se confessar, disse, “A realidade de São Paulo é sempre muito corrida, você nunca tem tempo. Quando vi o padre na rua, resolvi parar aqui para ouvir a palavra dele”.
Em tempos de falta de tempo todos têm que correr atrás. Inclusive a Igreja.
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