Há uns cinco anos perguntávamos neste Landmarketing, “País tem voz”? E respondíamos, “Uma única, provavelmente, não. Mas, durante algum tempo, anos, eventualmente décadas, e mais no passado, ainda, algumas vozes paravam o país para ouvi-las. Claro, pelo que iriam dizer, mas com a repetição, por suas características específicas, acabavam convertendo-se num material único de comunicação, mixando de forma inseparável, forma e conteúdo, sob pena da perda de credibilidade.
E aí comentávamos que a de ERON DOMINGUES, no auge do rádio, na insipiência da televisão, foi a que mais prevaleceu. O país parava para ouvir, na Rádio Nacional, e em horários específicos que faziam parte da agenda diária da família brasileira, o REPÓRTER ESSO. Já na época da televisão – que por sinal está passando - algumas vozes também se constituíam em verdadeiras assinaturas e endosso de credibilidade, como as de um AURÉLIO CAMPOS, de um CÔRTE REAL, de um CALIL FILHO, e, mais recentemente, de um SÉRGIO CHAPELIN, CID MOREIRA, e nos dias de hoje, o casal WILLIAM BONNER e FÁTIMA BERNARDES.
Naquele artigo nos referíamos, mais especificamente, a duas vozes. “Dentre as vozes da atualidade, duas, em votação realizada entre os consultores do MADIAMUNDOMARKETING, ganharam um destaque muito especial, e pela importância específica nos territórios onde se notabilizaram, constituindo-se em verdadeiras ‘logovozes’: O nonagenário JAMELÃO, e a sexagenária e sensual IRIS LETTIERI. E em terceiro lugar, naquela pesquisa, muitas menções ao LOMBARDI, o eco, a contra-voz, a voz resposta, de SILVIO SANTOS.
JAMELÃO partiu, IRIS LETTIERI se aposentou, e agora, LOMBARDI calou-se para sempre. E com ele, o velho bordão “É com você, LOMBARDI”. Mais que uma pessoa, por sinal querido e admirado por seus amigos e pela comunidade artística, LOMBARDI era uma voz. Se as pessoas conheciam e cruzavam com IRIS e com JAMELÃO, de LOMBARDI, e apenas, a voz. Durante 20 anos nenhuma fotografia sua foi publicada na imprensa. Segundo muitos, SILVIO SANTOS, ao contratá-lo o teria advertido que se saísse uma única fotografia dele em qualquer meio de comunicação ele seria despedido. E assim foi, LOMBARDI, apenas e tão somente, uma VOZ”.
Em verdade, o mundo das VOZES de conhecimento público e generalizado, está se despedindo. As audiências se fragmentam; as pessoas procuram se aproximar ao máximo de seus grupos de afinidades e preferências semelhantes, os meios de massa perdem sua importância relativa, e assim, e excepcionalmente, VOZES se farão conhecidas e reconhecidas por todos. Daqui para frente, as VOZES que prevalecerão só farão sentido para comunidades específicas. Onde ainda alcançarão notoriedade, autenticidade, credibilidade. VOZES DO BRASIL, muito difícil que voltem a existir, que se façam ouvir.
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