Se ovos de páscoa são vendidos em grande intensidade nas duas semanas que antecedem à PÁSCOA, se o bacalhau frequenta com maior assiduidade a mesa dos brasileiros na semana santa, se o aroma de panetone toma conta das cidades nos dois últimos meses do ano, e se feijoadas pontuam as quartas e sábados de muitos restaurantes, pessoas tornam-se mais generosas e abrem seus corações – e bolsos – no mês de dezembro. E assim, o faturamento dos mendigos nas cidades cresce significativamente à medida que se aproxima o final do ano.
Estudo coordenado pelo pedagogo ITAMAR MOREIRA, contando com o apoio do Instituto Social Santa Lucia e do grupo Presença Social nas Ruas construiu uma espécie de MAPA DA MENDICÂNCIA INFANTIL na cidade de São Paulo. Além de registrar um total de 245 faróis de trânsito onde se concentram a maior parte dos menores, também constatou que com a chegada das festas de final de ano o valor arrecadado individualmente pelas crianças todos os dias salta de R$ 40 para R$ 70.
O estudo de ITAMAR constatou, também, que as zonas de maior concentração da mendicância infantil em faróis de trânsito são as de PINHEIROS (25,7%) e SANTO AMARO (17,1%). Estima-se um total de 3.600 crianças nas esquinas principais da cidade de São Paulo. Dessas, 42% entre 8 e 11 anos de idade, 43% vendendo algum tipo de produto, outra parcela expressiva exibindo suas habilidades nos malabares, e 30% dedicando-se exclusivamente ao pedido de esmolas.
A maioria dessas crianças, segundo o mesmo estudo, atua em “dupla jornada” – trabalha nas ruas, e, estuda – 74%. No entanto, muitos deles acabam repetindo de ano por excesso de faltas. Falando a reportagem do ESTADÃO, ITAMAR MOREIRA comentou sobre a grande dificuldade que existe em resgatar essas crianças dos faróis: “Outro complicador é que a população no geral tem resistência em enxergar esses meninos como vítimas de exploração de trabalho. Se, em vez de malabares eles estivessem com uma enxada nas mãos, a associação seria imediata. Mas como as crianças nos faróis já fazem parte do cenário dos cruzamentos, parecem que ficam invisíveis”.
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