Não, ao contrário do que muitos imaginam, o BRASIL não é o país dos RECALLS. Os EUA, por exemplo, tem um índice de RECALLS 3 vezes maior que o de nosso país. E ainda, e na frente do BRASIL, mais dois ou três países. De qualquer forma, e independente de não sermos os líderes, a quantidade de RECALLS em nosso país é gigantesca.
Só no ano de 2009, de janeiro a outubro, foram 35 campanhas de RECALLS assinadas pelas montadoras. No total foram convocados 969,5 mil automóveis para verificação e eventual correção de defeitos que comprometem a segurança.
Qual a razão de tanto RECALL no BRASIL e no mundo. Primeira, e antecedendo-se a todas as demais, o bordão, “MAIS VALE SE O PRIMEIRO DO QUE SER O MELHOR”. E que em muitas situações se revela verdadeiro, e em outras, tragédia total. Na consciência da maioria das empresas mais vale a pena antecipar-se a todos os concorrentes e apropriar-se das inovações antes, ainda que com alguns percalços pelo caminho, ao invés de chegar depois, ainda que melhor. Como a vida, os negócios e o marketing, trabalham com a PERCEPÇÃO, e não com a REALIDADE, o que conta é ocupar na cabeça e no coração dos consumidores a posição de líder pelo pioneirismo. E assim, e no atropelo de chegar antes, pequenas, mas decisivas providências são negligenciadas, ou já se decola sabendo que um pouco mais para frente serão necessários alguns “pit stops” corretivos.
A segunda, é que para se chegar aos atuais níveis de produção, todo o processo precisou ser redesenhado convertendo as indústrias automobilísticas ao passado, de 80 anos atrás, em montadoras, num primeiro momento, e hoje, em “coladoras”. Tudo o que for possível de ser feito fora e já vir montado assim o será. Dentro, o mínimo necessário e suficiente. E assim, e desde que chegam nas “fábricas”, todos os conjuntos devidamente montados, são suficientes mais alguns minutos para que aqueles quebra-cabeças de poucas peças convertam-se em automóveis. A terceirização radical, assim, é a segunda maior causa dos RECALLS. E não existe a menor perspectiva, enquanto o ritmo for se acelerando, de uma diminuição nas convocações e chamadas das montadoras para que seus clientes visitem suas revendas e oficinas para reparos indispensáveis. E em terceiro e último lugar, mas também importante, levar os clientes de volta aos pontos de venda sempre pode resultar em vendas adicionais de equipamentos e acessórios. Assim, RECALLS para sempre.
No RANKING DOS RECALLS, dos últimos 20 anos a FORD é a líder com 25, seguida pela CHEVROLET com 22, PEUGEOT/CITROËN 20, VOLKS 13, CHRYSLER 13, TOYOTA 9 e HONDA 6. O maior de todos é o do CHEVROLET CORSA, em outubro de 2000, envolvendo 1,3 milhão de veículos, convocados para a fixação adequada dos cintos de segurança dos bancos traseiros. No entanto, desse e de todos os RECALLS, apenas metade dos convocados comparece.
Comentários enviados:
Nome: Rodrigo
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UF: SP - Cidade: SÃO PAULO
Data: 2010-05-26 13:59:07
Comentário:
Lendo a matéria sobre recalls, você mencionaram a campeãs, porém eu pesquisando em sites do procon, vi uma erro ai, cadê a Fiat? Sendo que a Fiat ultrapassa a Volks em número de recalls? Isso é algum tipo de proteção, pois a montadora italiana nem foi mencionada.
Nome: José Floriano Pinheiro Silva
Email: zp4marketing@hotmail.com
UF: DF - Cidade: Brasilia
Data: 2009-11-25 17:35:44
Comentário:
Acredito que os recalls pontuais, como forma de solução para problemas detectados é uma atitude de extremo valor para o mercado; mas com o objetivo de retorno do cliente ao ponto de vendas para comercialização de produtos é um ato de insensatez, uma vez que as empresas parceiras no caso de montadoras (as revendas), nunca estão preparadas para atender um grande fluxo de demanda; gerando, portanto grande insatisfação a quem lá retorna. Os recalls constantes servem apenas, para contribuir de forma contundente na depreciação da marca; uma vez que o cliente insatisfeito capta mentalmente a mensagem de que o produto por ele adquirido daquela marca é de qualidade duvidosa.
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