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O PECADO DA GULA

Passada a tormenta, numa espécie de operação rescaldo, a NATURA se sentencia: apetite desmesurado provoca perda de foco, dispêndio desproporcional de energia, organismo débil, crise, abertura nos flancos para os ataques da concorrência. Hoje, dois anos depois, devidamente recuperada e fortalecida, faz o mea-culpa, e exorciza o que sobrou dos demônios de tantas tentações. Mais ainda, relê, de forma moderna e precisa, o verdadeiro sentido de SUSTENTABILIDADE, como definido por PETER DRUCKER em suas palestras e livros.

Em entrevista à FOLHA DE S.PAULO, ALESSANDRO CARLUCCI, 43, concedida a DENYSE GODOY, faz um balanço de todo o aprendizado da crise agora superada. Começou dizendo que o compromisso com a SUSTENTABILIDADE não foi o fator determinante da crise, e sim, da recuperação: “Essa concepção só existe nas empresas que tratam a SUSTENTABILIDADE como uma moda ou ação de marketing. Quem resolveu de fato conduzir sua atividade dentro dos princípios da SUSTENTABILIDADE percebeu que não se trata de custo, mas sim de investimento”.

Disse mais, que “Não temos dúvida de que os consumidores cada vez mais vão escolher empresas que têm um compromisso maior e que entendam que o seu papel é produzir valor para a sociedade... Alguns anos atrás, a qualidade do produto definia a escolha. Isso está gradualmente mudando para a reputação, da qual a qualidade é um atributo, mas não o único”.

O MEA-CULPA, “A NATURA sempre foi uma empresa que buscou resultados econômicos. A empresa foi feita por pessoas que colocaram o seu patrimônio nela. É fantasioso acreditar que chegamos até aqui pensando ‘Ah, se der dinheiro, que bom, se não der não tem problema’... Notamos que havia desperdícios, retrabalho. Usávamos papel couché em tudo. Precisa? Não. Dá pra ser mais barato e ambientalmente melhor”.

Adeus EUROPA, “O plano de expansão dos negócios da NATURA é focado na América Latina, porque é uma região que aceita bem a marca e a venda direta, que é o sistema que temos hoje... Apesar desse foco, temos certeza de que a marca NATURA tem espaço para estar em outros mercados do mundo. Não possuímos nenhum plano ou projeto para que isso aconteça nos próximos anos, mas temos a ambição”.


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