Muitas vezes o requentado com um nome criativo e pomposo dá a sensação de NOVO. Assim, foi com muito espanto e admiração que, em silêncio, ouvimos o encantamento de centenas de pessoas com a “estratégia do OCEANO AZUL” – “BLUE OCEAN”, de autoria de W. CHAN KIM, que acabou se convertendo em livro de sucesso, e até mesmo num curso de uma das mais importantes instituições de ensino do mundo dos negócios, INSEAD. Todo o suposto e inovador OCEANO AZUL, apenas para dar um exemplo, está descrito e contemplado no best-seller de RIES e TROUT, MARKETING WARFARE, mais corretamente batizado no Brasil como MARKETING DE GUERRA.
De qualquer maneira W. CHAN KIM apresentou velhas e surradas ideias de uma forma instigante e encantadora, e com muito merecimento, venceu. E dentre seus admiradores, JOÃO LUIZ DAMATO, hoje presidente da KIMBERLY-CLARK, que participou do curso da INSEAD, e criou dentro de sua empresa o “KIMBERLY-CLARK BLUE OCEAN ESTRATEGY INSTITUTE”.
Agora, os primeiros frutos da busca da KIMBERLY e de DAMATO por novos e prósperos OCEANOS AZUIS. E dentre esses, uma fralda descartável – não totalmente descartável – voltada para a classe D. Que tem por objetivo “libertar” as mães de famílias de menor poder aquisitivo das velhas e superadas fraldas de pano. Apresentada em duas versões de tamanho, com 26 e 24 unidades, e com um pacote custando R$ 9,80. Ou seja, reduzindo o preço unitário da até então fralda mais barata fabricada pela KIMBERLY e que era de R$ 0,50 para R$ 0,38. E segundo a empresa, e até agora, no chamado “sell-in” – venda para o trade, um grande sucesso: “toda a produção está vendida até fevereiro”. A questão agora, é, como será o “sell-out”, a venda para os consumidores.
Desejando toda a sorte do mundo a KIMBERLY, embora pela sua dimensão e sucesso não precise, nossos consultores alimentam dúvidas sobre a fralda, e sobre o excessivo apreço a ESTRATÉGIA DO OCEANO AZUL. Em verdade, não se parte em busca de OCEANOS AZUIS, OCEANOS AZUIS se revelam pelo entendimento, análise e verdadeira compreensão do que as pessoas precisam, querem e desejam. Transformar OCEANO AZUL em estratégia, embora sugira exatamente o contrário, acaba determinando riscos descomunais de MIOPIA EM MARKETING. Fazendo com que empresas gradativamente percam a visão externa, a preocupação com o mercado, e acabem cultuando excessivamente uma visão de produto. E como o MARKETING MODERNO vem nos ensinando em seus 45 anos de vida, quem privilegia o produto fica com o produto e perde o mercado.
OCEANO AZUL não é uma estratégia, é um porto de chegada. É uma decorrência, não uma obsessão. É uma descoberta, muito mais do que uma conquista.
E entre W. CHAN KIM e GARRINCHA, ficamos com GARRINCHA. Só interessa e conta as verdadeiras expectativas das pessoas, e não nossos sonhos de conquistarmos mares nunca dantes navegados.
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