Mba 2009
The World Marketing Place
BRASIL ECONÔMICO

Depois de definhar por mais de 20 anos, o principal jornal econômico do país, GAZETA MERCANTIL, se foi. Mesmo durante o longo tempo de “UTI” conseguia fazer frente ao moderno e ótimo VALOR. Sustentava-se no peso da tradição, do hábito, de ser a referência, mesmo com o envelhecimento natural de seus leitores fiéis. Deixou saudade. Mais que saudade, um tremendo espaço para uma segunda opção, além de VALOR.

Assim, foi com muito entusiasmo e maior expectativa que empresas, executivos e homens de negócios saudaram a chegada do BRASIL ECONÔMICO, no dia 8 de outubro de 2009, iniciativa do grupo português ONGOING, que edita na cidade de LISBOA o DIÁRIO ECONÔMICO. Em formato tablóide, na cor salmão semelhante ao FINANCIAL TIMES. No comando editorial, o jornalista RICARDO GALUPPO, ex- FORBES, VEJA e EXAME. E com projeto gráfico de ótima qualidade, assinado por BONIFÁCIO PLACERES, o PENINHA.

Agora, e completado o primeiro mês, o novo jornal vem correspondendo às expectativas, e tentando, gradativamente, emplacar seu estilo e personalidade, através do formato, cor, cobertura, e maneira de apresentar notícias e reportagens. Leva algum tempo, mas acaba pegando. Menos que outras publicações e jornais, e mesmo fortemente afetadas pela internet, as publicações voltadas para o mercado corporativo reúnem enormes possibilidades de sobreviverem, desde que saibam fazer a adequada e indispensável conexão entre as diferentes mídias.

Mas existe um pequeno detalhe que deixa a desejar, que incomoda, no BRASIL ECONÔMICO. O tom das notícias, o estilo da redação. Seria influência do português de Portugal? Apenas a título de exemplo uma das matérias da sexta-feira, 6 de novembro de 2009. Título: “DELL CHEGA PARA TIRAR O ATRASO NA DISPUTA PELO ENSINO”. “Tirar o atraso” é uma expressão vulgar no Brasil, usada classicamente para pessoas que por infinitas razões deixaram de “fazer sexo”. Quem sabe, “tirar o atraso”, em Portugal, seja simplesmente, recuperar o tempo perdido.

No texto da matéria outros incômodos. Uma publicação de um grupo que tem seu nome em inglês – ONGOING – recusa-se a dar a sigla em inglês do que publica. “OLPC (um laptop por criança, na sigla em inglês)”. Leitores do mundo corporativo querem e desejam saber, também, qual o enunciado da sigla no original – ONE LAPTOP PER CHILD. E frases redigidas de forma precária e inadequada, como, “Também em Hortolândia, ela iniciou um projeto piloto, de acordo com o governo estadual, de instalação e manutenção de 32 salas de aulas digitais em 26 escolas. Ao todo, 6 mil alunos serão atingidos...” Não faz parte dos melhores textos utilizar-se pronome pessoal para referir-se a empresas. E, tão ou mais importante ainda, e considerando-se que a DELL não pretende arremessar laptops na cabeça dos alunos, dizer-se que “ao todo 6 mil alunos serão atingidos” não é das melhores práticas do português, mesmo no coloquial.

Em outro trecho da mesma matéria, BRASIL ECONÔMICO, diz, “Também as escolas privadas, as quais a DELL deve começar a abordar agora...”. Empresas não “abordam” prováveis e futuros clientes. Empresas agendam visitas e reuniões na tentativa de seduzir, conquistar e converter em clientes todos os seus prospects. A técnica da abordagem pode causar acidentes...

Tirando esses pequenos detalhes, mas como nos ensinou GUSTAVE FLAUBERT – DEUS E O DIABO ENCONTRAM-SE NOS PEQUENOS DETALHES -, saudamos a chegada do BRASIL ECONÔMICO, que tem, muito a dar e a contribuir para profissionais e empresas em nosso país. Melhor ainda, recupera a componente concorrencial que deixou de existir com o fim da GAZETA MERCANTIL.


Comentários enviados:
Nome: Marta Sobrinha
Email: m.sobrinha@wika.com.br
UF: SP - Cidade: Sorocaba
Data: 2009-11-18 17:18:40
Comentário:
Caro Madia, Por volta de 1.985, fui induzida pelo Júlio César Gonçalves, um grande jornalista daqui de Sorocaba a ler diariamente um pedacinho de qualquer matéria do então Jornal Gazeta Mercantil, para "pegar gosto" pela coisa (leitura), foi daí que foi nascendo a paixão pelo marketing e com o passar dos anos passei a devorar todos os cadernos e exigir a assinatura quando já estava no mundo corporativo, confesso que me sinto órfã. Abraços ....Marta Sobrinha

Nome: dinarte bonetti junior
Email: dinarte22@superig.com.br
UF: SP - Cidade: mairipora
Data: 2009-11-18 13:04:59
Comentário:
Jornais que se tornam parciais acabam por perder a credibilidade. A grande midia esta perdendo acentuadamente leitores, pois lá não se encontram noticias, mas sim opiniões. Valor economico inovou, tendo oferecido aos seus leitores, aonde me incluo, materias sem ideologia politica, apresentando o governo em seus desacertos, mas principalmente em seus acertos, o que dá uma sensação de honestidade. Gazeta Mercantil estava com o ranço de comprometimento ideologico, e quem quer informação gosta de tomar suas proprias decisoes, e não fica engolindo noticias com forte conotação parcial, com viés de "fazer a cabeça do leitor". ISSO JÁ ERA!!!!!



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