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FALTOU BABÁ

Sempre tem o outro lado. Todas as crises, todas, sem exceção, têm o outro lado; onde alguns ou muitos se beneficiam, enquanto muitos ou alguns se prejudicam. Nas crises mais graves, a legião dos prejudicados é significativamente maior que a dos beneficiados, mas mesmo assim, sempre alguém ganha alguma coisa, além do aprendizado que é um subproduto inerente a todas as crises e onde todos os sensíveis, atentos e aplicados tiram proveito.

Na crise presente, a da GRIPE SUÍNA, que rapidamente foi rebatizada de AH1N1, até porque o abate dos coitados dos porcos vinha sofrendo queda sensível pela diminuição do consumo da carne para desespero dos criadores, o grande vencedor, dentre muitos vencedores como clínicas e hospitais particulares, mais médicos, foi a ROCHE com seu TAMIFLU. Para se ter uma ideia da dimensão da “loteria” que a ROCHE ganhou – loteria na medida em que nada fez para provocar tão absurda demanda – é suficiente ler o portal da empresa no país, no item onde trata do aumento de produção: “A ROCHE reitera que ampliou sua produção de medicamento para suprir com estoques adicionais os países que necessitem, trabalhando em conjunto com a OMS e com vários governos do mundo todo. A produção de TAMIFLU foi aumentada para alcançar um resultado máximo de 36 milhões de kits por mês, equivalente a 400 milhões de kits de tratamento – 4 bilhões de cápsulas por ano”.

E aí, e por causa da referida GRIPE, a volta as aulas de julho invadiu quinze dias de agosto desestruturando milhares e milhares de lares nas metrópoles brasileiras. Assim, no futuro, quando se comentar sobre a famosa GRIPE SUÍNA, sempre se lembrará que dentre outras consequências, determinou uma valorização extraordinária, e até mesmo a falta de... BABÁS! Pura e simplesmente porque os casais não tinham com quem deixar os filhos que deveriam estar nas escolas.

Nas agências especializadas da cidade de São Paulo, a procura por BABÁS cresceu, na média, 500%. Mas, a DEMANDA DE BABÁS, ainda que eventual e fugaz, 15 dias, não pode ser aproveitada pelas agências e pelas babás. Em primeiro lugar porque as agências não estavam preparadas e não tinham babás em quantidade suficiente; em segundo lugar, e principalmente, porque as babás também tinham filhos em idade escolar e não tinham com quem deixar seus filhos.

Mais que nunca, e como sempre, crise é igual a oportunidade. Ainda que muitas vezes as oportunidades não sejam aproveitadas.


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