Em meio a crises como a que estamos vivendo, as pessoas, de forma natural, humana, compreensível, e também, desesperadora na medida em que se apóiam/agarram em doses maiores de esperança, tendem a valorizar as componentes desses sonhos que passam quase que exclusivamente pelas crenças, do que pelos fatos e acontecimentos objetivos e reais.
Nas últimas semanas de abril de 2009, o The New York Times e a CBS patrocinaram uma pesquisa junto a opinião pública americana para aferir como andava, em meio a crise, o SONHO AMERICANO. E para a surpresa de muitos, e confirmando registro e observações de outros, as bases do SONHO AMERICANO resistem e se fortalecem na cabeça dos entrevistados: 72% dos americanos continuam acreditando ser os ESTADOS UNIDOS, um país onde todos os pobres têm a chance de enriquecer desde que se disponham a correr atrás de seus sonhos com muito trabalho e total dedicação.
E não obstante toda a crise, na avaliação e sentimento dos americanos, hoje, e depois de tudo, o número dos que afirmam ter alcançado seus sonhos cresceu em relação a mesma pesquisa de quatro anos atrás, quando, de verdade, viviam uma situação de total prosperidade. Dos 31% de 2005 que afirmavam ter comprovado e realizado o SONHO AMERICANO, na pesquisa de agora, 2009, esse número subiu para 44%.
Diante da perplexidade pelos resultados da pesquisa, estudiosos do comportamento humano afirmaram tratar-se de um caso clássico de redefinição de sonhos, até mesmo como uma atenuante ou amortecedor diante da realidade que a pessoa está vivendo. Num determinado momento da pesquisa essa redefinição de sonhos se evidenciou. Há quatro anos, diante da solicitação que os entrevistados definissem o que era o SONHO AMERICANO, a maioria das pessoas relacionou esse sonho a segurança financeira e estabilidade no emprego, com liberdade e oportunidade bem distantes nas posições seguintes. Na pesquisa deste ano a inversão foi total e liberdade e oportunidade voltaram a colorir e prevalecer no SONHO AMERICANO, diante de uma realidade, para muitos, próxima da desesperadora.
FERNANDO PESSOA, poeta maior e no melhor de sua sensibilidade, dizia e perguntava, “sem o sonho o que é a vida?” Nas duas pesquisas, e de certa forma, os americanos assinaram em baixo. Apenas 3% deles disseram acreditar ser o SONHO AMERICANO uma grande besteira. SONHO AMERICANO esse citado pela primeira vez pelo historiador JAMES TRUSLOW ADAMS, no ano de 1931, e em meio à Depressão: “esse SONHO AMERICANO não se restringe as possibilidades de acesso a carros magníficos e salários elevados mas, e principalmente, de uma ordem social mais justa, onde homens e mulheres possam realizar, ao máximo, todo o seu potencial”.
Considerando-se especificamente a última parte dessa definição, a pesquisa traduz uma realidade objetiva, verdadeira e mais que possível de se concretizar. Mas, há muito tempo, o SONHO ganhou outras dimensões, com o prevalecimento das componentes materiais, agora, e diante da crise, provisoriamente relegadas a um segundo plano.
MML – DOROTHY TRALDER, MIAMI (USA), especial para o MADIAMUNDOMARKETING.
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