O mercado fonográfico, tal como ainda existe até hoje, aprofunda sua crise, mesmo registrando um pequeno crescimento no balanço de 2008 e em relação a 2007, por muitas e outras razões que não garantem a possibilidade de sobrevivência dos formatos convencionais. Mas, a música, continua, mais que nunca, presente em nossas vidas. Os caminhos de acesso às músicas, que desembocam na audição, esses sim, que vão se redefinindo e renovando com frequência e intensidade.
Primeiro os números: segundo a ABPD – Associação Brasileira dos Produtores de Discos – o mercado cresceu em 2008, 6,5% sobre os números de 2007. Na divisão do bolo das receitas, os CDs de música voltaram a crescer em participação sobre os DVDs. Em 2007 os DVDs detinham 31,2% das vendas em 2008, esse número caiu para 30%. Já os CDs, que detinham 68,8% subiram para 70% em 2008.
Agora os fatos e razões: 1 – Uma das maiores e mais tradicionais gravadoras, a EMI, determinou uma bagunça total nos números, por fraude contábil em sua operação no Brasil, que permanece sob investigação de sua sede, em Londres. Essa fraude contábil, a grosso modo, inflou os números de 2006 e esvaziou os números de 2007 provocando um falso crescimento num ano, e uma falsa queda no outro. 2 – Com a crise, e mesmo considerando os preços elevados, as pessoas voltaram a privilegiar a compra de CDs e DVDs para presentes no último Natal. E 3 – O negócio de filmes pirateados vem se revelando um negócio muito mais interessante do que o dos cds de músicas, e assim, e no mínimo, repartindo o prejuízo decorrente das fraudes.
Independente da respirada deste final de ano, a indústria está mais que consciente que o modelo antigo e consagrado de comercialização de músicas derreteu, e está desaparecendo. Que um novo modelo está em curso, e que a pirataria irá perder espaço até mesmo de forma acelerada desde que a indústria seja capaz de garantir cada vez mais ACESSIBILIDADE a seus produtos: física e econômica. A tecnologia vem fazendo a sua parte; novos players, idem; agora só falta a velha indústria se reposicionar. Investindo tempo, dinheiro e energia no presente e futuro, e parando, de vez, de tentar recuperar ou até mesmo preservar o pouco que restou do velho formato.
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