Um dia você decide comprar uma nova casa, apartamento. Ambos em construção. Durante mais um ou dois anos continuará convivendo com móveis e objetos de decoração agora antigos, e que não mais habitam seus sonhos de amanhã. Tombarão na mudança. O mesmo vem acontecendo com o mundo de uns anos para cá. O mundo velho vai ficando para trás, e o mundo novo manifestando seus primeiros sinais e contornos. Em pouco tempo, 5,10,15 anos, os que ainda reinam hoje, nem mesmo serão lembrados.
Em 1900, dois fabricantes de pneus, os irmãos ÉDOUARD e ANDRÉ MICHELIN, decidiram criar um guia rodoviário para orientar seus clientes. Com o passar dos anos, acabou se convertendo no juiz definitivo de hotéis e restaurantes, muito especialmente na FRANÇA, determinando, indiretamente, como comentamos ainda recentemente aqui, o suicídio de um se seus CHEFS estrelados.
No início deste ano o MICHELIN, com convidados de todo o mundo, comemorou a edição de número 100 do GUIA MICHELIN DA FRANÇA. Presentes, todos os protagonistas principais do mundo da gastronomia: LOUIS ROEDERER, ALAIN DUCASSE, PAUL BOCUSE, e todos os demais. Não faltou ninguém.
No início dos anos 80, o casal de americanos ZAGAT, retornou de PARIS, e decidiu transformar em negócio, o que faziam por prazer junto com seus amigos. Com um microcomputador, um banco de dados, e muita disciplina, construíram um networking de milhares de novos amigos que os ajudavam na avaliação de restaurantes, no início, e de muitos outros prestadores de serviços relacionados. Hoje, são 40.000 estabelecimentos comerciais de todo o mundo avaliados pelos milhares de críticos do ZAGAT – pessoas comuns, como nós – que se converteu na mais importante empresa dessa categoria de serviços.
MICHELIN é um fantasma de um mundo que se foi. ZAGAT é a maneira moderna – intuiu as redes sociais antes mesmo da internet – de se referenciar pessoas e empresas. ADEUS MICHELIN, com todos os cumprimentos pela edição de número 100, e VIVA ZAGAT, pela sensibilidade de se sintonizar, antecipadamente, com o MUNDO NOVO e PLANO que se iniciaria na sequência.
Em anexo, “entrevista com um fantasma vivo”.
O ESTADÃO, através de PATRÍCIA FERRAZ, se fez presente na comemoração da edição de número 100 do MICHELIN. Entrevistou MONSIEUR NARET, o principal executivo do guia MICHELIN. Agora, alguns trechos da “entrevista com um fantasma”:
- “O restaurante Le Bristol obteve a terceira estrela – rating máximo do guia – porque o chefe ERIC FRÉCHON apresentou consistência que não tinha antes. Quatro inspetores se revezaram em 15 visitas ao restaurante antes da decisão....”.
- “O Lês Ambassadeurs – do Hotel de Crillon – tem um chefe muito talentoso, a apresentação de sua comida é bonita, ele é discípulo de Ducasse, mas ele é um dois estrelas. Alguns chefes dão uma tacada especial, como um jogador de golfe, que os torna três estrelas. Outros não”
- “Até o final de março vamos anunciar o lançamento de um guia num novo continente. E, em seguida, um outro, no Oriente Médio. Mas não vou antecipar os lugares...”.
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