Eu amo os livros. Foi o que de mais relevante fiz na minha vida. Ler livros. Neles aprendi, neles me orientei, neles me encontrei, neles vivi, e depois, e simultaneamente escrevi mais de 20 livros, e um deles, por uma série de circunstâncias, e algum merecimento, venceu o PRÊMIO JABUTI 2005 – MELHOR LIVRO NÃO FICÇÃO DO ANO: “OS 50 MANDAMENTOS DO MARKETING”. Mas agora, independente do meu amor, carinho, apreço e de todos os valores inestimáveis que agregaram à minha vida e a pessoa que sou, ESTÃO DE PARTIDA. Assim como os jornais, determinados tipos de revistas, e uma dezena de outros prestadores de serviços.
Claro, não vão embora amanhã. Serão necessárias algumas gerações para que passem a ser encontrados em antiquários e sebos, como hoje encontramos alguns livros e edições raras e esgotadas nos sebos, ou como hoje encontramos lamparinas, ferros a carvão, máquinas de datilografar, calculadoras, gravadores de fita, relicários, caixas de música, gramofones, e tudo o mais, nos antiquários.
Jamais um ser humano comprou uma lamparina. Todos compraram, quando compravam, o serviço do fornecimento de luz. Jamais um ser humano comprou uma máquina de datilografar. Todos compraram, quando compravam, os serviços de imprimir idéias e texto no papel. Jamais um ser humano comprou uma charrete. Todos compraram, quando compravam, os serviços de transporte de pessoas. E QUANDO SURGIU UMA NOVA PROPOSTA QUE PRESTAVA O MESMO SERVIÇO DE UMA FORMA MELHOR... NÃO OBSTANTE TODOS OS AGRADECIMENTOS PELOS INESTIMÁVEIS SERVIÇOS PRESTADOS, NÃO OBSTANTE A SAUDADE DO DE VEZ EM QUANDO, NÃO OBSTANTE O GUARDAR UM OU OUTRO EXEMPLAR DE RECORDAÇÃO,... ADEUS!
Jamais um ser humano comprou um livro. Todos compraram, e continuam comprando, os serviços de informação, entretenimento, emoção, vida, trajetórias, experiências, que o livro presta. Assim que surgir uma proposta melhor que preste os mesmos serviços de uma forma melhor e mais completa, sinto muito, ADEUS LIVROS. E a forma existe, é realidade, se chama KINDLE, uma iniciativa do maior vendedor de livros do mundo para todo o mundo, a AMAZON. Um único gadget onde se carrega 200 ou 40.000 livros em 300 gramas, além de música, de assinatura de jornais e revistas, e com aquele argumento matador que já comentei em artigo anterior: sem precisar derrubar uma única árvore.
Os anos 90 marcaram o derretimento da indústria fonográfica, e a foto para ilustrar, no futuro, o acontecido, é de um iPOD. Os primeiros anos deste novo milênio marcam o derretimento da indústria de livros. E a foto para ilustrar, no futuro, o acontecido, é a de um KINDLE.
Como não poderia deixar, os grandes editores do país não entregam os pontos e recusam-se a ver o inevitável. Falando ao SEGUNDO CADERNO de O GLOBO, e a ANDRÉ MIRANDA, ROBERTO FEITH da OBJETIVA, disse, “Eu não acredito que os livros físicos vão acabar. A experiência de manuseio e leitura do exemplar impresso é agradável. E, além da vantagem sensorial, o aparelho digital custa dinheiro. Nesse sentido, o livro é diferente da música, em que as pessoas trocaram um tocador de CD por outro aparelho, como um iPOD, mais portátil e capaz de baixar músicas da WEB. Mas o livro físico já é portável e não exige um aparelho para ser degustado...” Definitivamente, o ROBERTO FEITH não deve estar bem. Ou provavelmente recusa-se a dar conta do que está acontecendo e deriva em sua manifestação.
Já o acadêmico EVANILDO BECHARA, de forma mais descontraída, e de certa forma entregando os pontos, disse, “Eu sempre vou dar preferência ao livro tradicional. Os leitores de livros são fiéis a velhos amores. Ter uma menina jovem pode ser bom por uma noite. Mas, depois de um mês, não vamos ter fôlego para aguentar...”.
E o diretor-presidente do Grupo Editorial Record, SÉRGIO MACHADO assim se manifestou, “A vitória do KINDLE pode ser a morte do ato de lançar livros. O desejo de adquirir um livro desconhecido passa pelo físico, pela conveniência, pelo boca a boca. Para mim os livros físicos só acabariam se imaginarmos uma sociedade estática em que não houvesse mais lançamentos, porque todas as obras já foram escritas...” Também o SÉRGIO MACHADO está mais que impactado. Com uma dificuldade insuperável e natural de enxergar o que já aconteceu.
MML – FRANCISCO MADIA, em lágrimas, lendo seus últimos livros em papel, diretamente da mesa 5 do PASTA GIALLA dos JARDINS.
Comentários enviados:
Nome: Alceu Gandini
Email: agandini@editorareferencia.com.br
UF: SP - Cidade: São Paulo
Data: 2009-03-05 16:14:48
Comentário:
Caríssimo Madia, Emocionei-me ao ler esse seu brilhante artigo. Eu também amo os livros. Nesse feriado do carnaval terminei a leitura de dois deles iniciada na semana anterior. Olho para a minha biblioteca lá de casa, com pouco mais de 1500 títulos (dois de sua autoria) e me orgulho de tê-la formado, mesmo que desorganizadamente. Meus filhos (todos os 3) já me perguntaram que relação é essa que tenho com os livros e o que pretendo fazer com eles ainda em vida, obviamente. Eles também tem uma boa relação com as coisas impressas, mas cada vez mais se bandeiam para o digital. Sou um assíduo freqüentador do site da Amazon – com compras esporádicas – e meus filhos já me sugeriram a compra do Kindle. Que venha o Kindle, mas eu vou resistir mais um pouco. Cumprimentos pelo artigo e por despertar paixões que vivemos, mas nem sempre nos damos conta delas. Abraço,
Nome: Cecilia Prada
Email: amaralprada@uol.com.br
UF: -- - Cidade: São Paulo
Data: 2009-03-02 07:54:19
Comentário:
os inteligentes moderninhos que acabam de inventar o mundo (eletrônico) desconsideram todos os reports de que o uso exagerado do computador e das engenhocas eletrônicas podem levar à cegueira e a outros males físicos. É o meu caso, por exemplo, que ,forçada aos 75 anos a ganhar minha vida como jornalista, estou tendo s[erios problemas de visão . E se prefiro e sempre preferirei o livro impresso, tenho também de lutar contra a ambição desenfreada dos editores, que usam "fontes" pequenas e impressão apagada, desconsiderando aqueles que constituem, ainda, seus maiores clientes.....Cecilia Prada
Nome: Francisco Vieira
Email: fgdvieira@yahoo.com
UF: PR - Cidade: Maringá
Data: 2009-02-27 10:43:42
Comentário:
Madia, Realmente é triste, mas é inevitável: o livro como conhecemos não mais exitirá em um futuro muito próximo. Naturalmente, isso ocorrerá em diferentes escalas e períodos, pois a diferença entre a sociedade norte-ameriaca ou a japonesa e a africana, é brutal. Esse fenômeno ocorrerá primeiro em sociedades pós-modernas, como diria Stephen Brown. Mas, digo-lhe que a experiência de fazer anotações com a caneta no canto da página é maravilhosa. Viva Theodore Levitt e seu conceito de miopia em marketing. De fato, nunca compramos objetos. Um abraço, Vieira
Nome: Beatriz
Email: bia_affonso@yahoo.com.br
UF: RJ - Cidade: Niterói
Data: 2009-02-26 15:57:51
Comentário:
E o mais curioso é observar a miopia das grandes empresas de jornais e revistas. Logo elas que vivem da compra diária de seus exemplares. Como aconteceu com as grandes empresas de celular, quando a Apple, empresa de computadores lançou o famoso e inovador Iphone. Agora, uma empresa que vende livros inova ao lançar o Kindle, quando quem deveria estar à frente são os mais afetados pela inovação tecnológica: os jornais.
Nome: roberto magini
Email: beto@3mb.com.br
UF: SP - Cidade: santo andre
Data: 2009-02-26 10:17:16
Comentário:
Olá, sou ex-aluno e tenhjo 47 anos, adoro livros e essa sensação de que se extinguirão é um pouco indigesta. Porém, concordo com o texto. Há uma questão, o momento de leitura de um livro se difere dos momentos de ouvir músicas por exemplo. o livro exige total atenção, a música serve de companhia ou de "música de fundo" enquanto fazemos outra atividade qualquer. parabéns e agradeço a atenção. abs Beto Magini
Nome: Volney Faustini
Email: volney@faustini.com.br
UF: SP - Cidade: São Paulo
Data: 2009-02-25 17:31:36
Comentário:
Os editores fazem bem de abraçar suas crias com força e intensidade, no hoje, no agora. Inexoravelmente as mudanças chegarão - alguns vão perceber a tempo. Outros ... Por falar em KINDLE já saiu a nova versão!
Nome: William Riga
Email: contato@popmidia.com.br
UF: -- - Cidade:
Data: 2009-02-25 17:07:32
Comentário:
Anunciar a morte do livro impresso por causa do Kindle é como anunciar a morte do cinema por causa da TV. Em outras palavras, uma mídia não mata a outra, mas certamente divide o bolo com ela...
Nome: Eduardo Refkalefsky
Email: eduardo_ref@yahoo.com
UF: RJ - Cidade: Maricá
Data: 2009-02-25 17:00:23
Comentário:
Pois é, Madia, os editores ainda não quebraram o paradigma de "vendedores de papel". O Kindle é a primeira alternativa VIÁVEL, depois de ´varias tentativas de e-books. Mas o progresso é assim mesmo, antes do iPod houve outros coo o Rio (se não me engano) e antes i iPhone, picaretagens sobre as quais você se referiu em "Uma piada chamada WAP". abs
Nome: BEL
Email: bel@sintoniaeimagem.com.br
UF: SP - Cidade: são pauilo
Data: 2009-02-25 15:07:05
Comentário:
MADIA, sei exatamente como se sente, mas a emoção é a emoção, talvez essa nova geração que não entenda o sentido real do virar de páginas, que ainda esteja mais ligada a contagem dos beijos numa folia de carnaval, muito mais carnal do que sensorial, passem a gostar do kindle, mas nós os amantes ainda relutaremos pela sobrevivência do romantismo, do cheiro, do fechar dos olhos a imaginar a próxima página. parabéns pelo texto Bel
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