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VICK VAPORUB LONGE DAS CRIANÇAS ATÉ 2 ANOS

Que ninguém lê bula ninguém lê mesmo, com raríssimas exceções. Primeiro porque a maioria não consegue sem recorrer a óculos ou lupas; e segundo, porque as que tentaram um dia não entenderam, absolutamente nada e desistiram de vez. Especialmente em alguns remédios tradicionais, que as pessoas já nasceram convivendo com eles, aí é que não leem mesmo: incorporaram, naturalmente, à rotina de procedimentos diante de determinadas situações. Um desses remédios, o legendário e prosaico VICK VAPORUB. Que se escreve separado mais se fala junto – viquevaporube – e todos acreditam que a marca é uma única palavra.

Pois bem, o ano começou mal para o VICK VAPORUB. Nos países de língua portuguesa sua designação genérica perdeu o trema – trata-se de um “ungüento” (estou escrevendo sem trema mais meu corretor de textos velho insiste em colocar o acento). E nos Estados Unidos, o professor BRUCE K. RUBIN, da Universidade WAKE FOREST, impressionado com o desconforto respiratório grave de um bebê de 18 meses exalando VICK VAPORUB, decidiu testar o medicamento em furões – isso mesmo, aqueles pequenos mamíferos de corpo longo e delgado – e concluiu que o remédio induzia a produção acelerada de mucos podendo causar congestão nasal, rinite crônica além de irritações da pele.

A PROCTER & GAMBLE, que anos atrás comprou o VICK VAPORUB, rapidamente lembrou a todos os meios de comunicação que a bula do medicamento mais que previne os pais sobre essas possibilidades onde se lê, com todas as letras, “medicamento não deve ser utilizado em crianças menores de 2 anos... E para crianças entre 2 e 6 anos seu uso só é recomendado desde que sob a responsabilidade de um médico”.

Tudo isso aconteceu no mês de janeiro, onde os meios de comunicação careciam de fatos relevantes, além da crise na economia, e da luta de Israel na faixa de Gaza contra o Hamas, e ai, na quarta-feira, 14 de janeiro, a notícia foi parar nas manchetes, ocupando espaço relevante, fazendo do “viquevaporube” o alvo da vez.

Em sua nota à imprensa, a PROCTER lembra que a experiência do Dr. BRUCE foi feita com animais – procedimento clássico em situações semelhantes – e que não, necessariamente, o mesmo acontece com seres humanos. O Dr. BRUCE rebateu alegando que os FURÕES são a cobaia ideal para estudo de secreção de mucos e inflamação das vias aéreas uma vez que suas vias respiratórias são parecidas com as humanas.

24 horas depois não se falava mais no assunto, e seguramente, muitas mães, em todo o país, espalham e aplicam, neste momento, o “viquevaporube” em seus bebês. Até porque, na embalagem encantadora e cheirosa, tudo o que se lê e para onde convergem os olhos, é, além da marca, “Vaporizante Descongestionante” , “Ungüento” – meu corretor de texto insiste no trema – e alguns dos componentes da fórmula que só de ler já se começa a sentir o delicioso cheiro: mentol-cânfora-óleo de eucalipto”.

Aconteça o que acontecer – 99,9% de certeza de não acontecer nada – sempre vale a pena lembrar a histórica e magnetizante lição do VICK VAPORUB – a importância, sempre que possível, de embalar e estabelecer imediata relação à personalidade e estilo de uma marca a um aroma. Muitas pessoas garantem que já começam a melhorar antes mesmo de aplicarem o ungüento e assim que sentem o cheirinho do “viquevaporube”.


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