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“LÊ BRÉSIL N´EST PAS UM PAYS SÉRIEUX”

A polêmica continua até hoje. Teria, ou não DE GAULLE dito a frase “Lê Brésil n´est pas um pays sérieux”? Muitos anos depois de seu suposto comentário DE GAULLE teria jurado que jamais dissera essa frase. Tudo aconteceu numa conversa com o embaixador do Brasil em Paris, CARLOS ALVES DE SOUZA, a propósito da “guerra da lagosta” – barcos franceses que invadiam os mares brasileiros para pescar ilegalmente a lagosta – em 1962. Nas preliminares da conversa, DE GAULLE, versão 1, teria dito que “O Brasil não é um país”, e como essa declaração era muito forte, o embaixador por sua conta e para atenuar incluiu o “sérieux” – sério. A versão 2, é que nas preliminares das conversas, e comentando sobre as características de nosso país muito especialmente das infinitas caricaturas dele, DE GAULLE, que circulavam pela imprensa brasileira, teria dito que “definitivamente, o Brasil não é um país sério”.

Agora, Inês, ou melhor, DE GAULLE é morto e nunca se saberá o que verdadeiramente disse. Mas, o que supostamente teria dito continua mais que rigorosamente verdadeiro. O BRASIL NÃO É UM PAÍS SÉRIO. E ao contrário do que muitos pensam, e que a totalidade da culpa seria dos políticos, seguramente os maiores culpados somos nós, ou muitos de nós, que condenamos nos outros o que concedemos e permitimos a nós.

No final de 2007, o IBOPE divulgou dados e conclusões de sua pesquisa sobre o trânsito. Um levantamento exaustivo em 67 cidades com mais de 300 mil habitantes e com tráfego intenso. A pesquisa foi coordenada pela pedagoga NEREIDE TOLENTINO. Na apresentação da pesquisa, e ao comentar os resultados, a pedagoga disse, “Os jovens não acreditam na fiscalização do trânsito... Não acreditam na autoridade... E isso é muito triste para o país porque é a desmoralização da lei...”. NEREIDE estava impactada com as constatações da pesquisa: 30% dos jovens entre 18 a 25 anos dirigem carros sem carteira de habilitação; e esse índice mais que dobra na direção de motos: 61%. E isso acontece com a “anuência da comunidade familiar”. Ou seja, muitos de nós, por ação, omissão, negligência ou comodismo, somos cúmplices de prováveis e graves acidentes de trânsitos. Pior ainda, muitos desses jovens aprenderam a dirigir com seus pais.

Além de estarmos armando o potencial assassino de nossos semelhantes – e vice-versa – estamos semeando a consciência da irresponsabilidade, do “aos meus, tudo, aos outros, a lei”.


Comentários enviados:
Nome: Leo do Amaral
Email: leodoamaral@inpart.com.br
UF: SP - Cidade: São Paulo
Data: 2008-02-27 14:35:29
Comentário:
Caro Madia Quem acompanhou de perto toda a historia da guerra da lagosta esta vivo , chama-se LUIZ FERNANDO FREIRE ( ex-senador )_, compositor de bossa nova e amigo dos bons ! Abs Léo

Nome: Rogerio Saraiva
Email: rogersaraiva@hotmail.com
UF: SP - Cidade: Sao Paulo
Data: 2008-02-27 11:00:51
Comentário:
Madia você foi perfeito na análise. Infelizmente é isso mesmo que acontece, a lei não é aplicada e simplesmente as pessoas e principalmente os jovens não estão "nem aí". Já se tornou arraigado em nossa cultura a "Lei do Gerson", apesar dessa juventude nem saber mais quem foi esse "tal de Gerson".



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