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Despedida

8
nov

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Lázaro de Mello Brandão, uma das lendas e instituições do mercado financeiro do país, finalmente, entregou sua carta de demissão do conselho do banco.

Ingressou naquela que seria poucos anos depois, Bradesco, antes de sua própria criação. A Casa Bancária Almeida & Nogueira. Setembro de 1942, como contínuo. No dia 10 de março a Casa Bancária virou Bradesco, e em parceria com seu amigo de vida, Amador Aguiar.

Uma dupla do barulho e que escreveu parcela expressiva da história do século passado e ainda deste em nosso país. Uma espécie de Dom Quixote e Sancho Pança. Amador e Lázaro.

Nos próximos meses cumprirá uma longa agenda de reuniões, compromissos, homenagens. E que começou com uma entrevista para Sonia Racy do Estadão.

Lembrando que permanece na ativa. Agora não mais nem no banco nem em seu conselho. Mas e ainda presidindo a Fundação Bradesco e a Cidade de Deus Participações.

Em toda a história do conselho do banco só dois presidentes. Amador e Lázaro. Agora Lázaro escolheu seu sucessor, o 3º presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, o Trabuco, Bradesco de nascimento, DNA rigorosamente igual a de seus antecessores, há 48 anos na organização.

Na entrevista, Lázaro de Mello Brandão repassa alguns compromissos de seu banco:

1 – “Somos, acima de tudo, um banco doméstico. Temos agências lá fora apenas para apoio a nossos clientes”;

2 – “Temos mais correspondentes no digital que qualquer outra organização: 39 mil!”.

3 – Perguntado sobre a política do Itaú de invadir a América Latina respondeu, “Sempre achamos que política semelhante desviaria muito de nossa intenção, de unidade, de objetivos”.

4 – Sobre a desbancarização: “No digital, o banco tem um ganho de produtividade indiscutível com o avanço da tecnologia. Isso repõe outras margens que desapareceram e gera um equilíbrio”.

5 – “A Lava Jato não vai acabar com a corrupção. Mas vai trazê-la para níveis não tão estupendos como hoje, de proporções gigantescas. A Lava Jato vai vacinar o Brasil”.

6 – “O melhor presidente do Brasil foi o FHC. Teve um comportamento ajustado. Um ponto fora da curva”.

Num determinado momento – o melhor da entrevista, Lázaro, finalmente, conta porque a fusão Unibanco e Bradesco, anunciada num final de semana, foi desfeita no final de semana seguinte (duas capas sequenciais de Veja):

“O Bradesco sempre teve comando próprio das decisões. No protocolo que foi assinado, se dava a presidência do conselho ao Walter Moreira Salles. Era mais capitalizado. Feito o protocolo, criaram duas comissões, aqui e lá, para detalhar o processo. Nessas comissões havia recíproco desinteresse. A comissão de cá não estava interessada, nem a comissão de lá. Não houve um árbitro para bater na mesa…”

É isso, amigos, uma vez mais, e há mais de 40 anos, as tais das DACs – Doenças Autoimunes Corporativas. Diretores de empresas, executivos profissionais, que são contratados a peso de ouro para defender a causa e os interesses das organizações que os remuneram para tanto, pensando exclusivamente em seus próprios interesses e na defesa de seus territórios.

Em tempo, essa foi a primeira vez que o Unibanco e Bradesco noivaram, mas não casaram. Anos atrás, num final de noite, Bradesco e Unibanco marcaram a data do casamento e acertaram as condições. Na madrugada o Itaú atalhou e roubou a noiva. Essa cochilada foi atribuída a Marcio Cipriano, presidente do Bradesco. Até hoje acionistas e diretores do Bradesco não perdoam Marcio. O constrangimento passou a ser tão grande que Marcio não resistiu e, anos depois, já o Bradesco sob o comando de Trabuco, renunciou ao conselho.

No final, Sonia perguntou ao “seo” Brandão,

O Senhor foi feliz aqui?

E, Lázaro de Mello Brandão respondeu:

“Muito!”

E nada mais disse e nem lhe foi perguntado.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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