SAMUEL KLEIN
Há 50 anos SAMUEL KLEIN, imigrante polonês, desembarcava no Brasil, para mascatear cobertores, toalhas, roupas de cama, mesa e banho. Mascateou tão bem que acabou por construir uma das mais importantes redes de varejo da América Latina, e que em muito pouco tempo estará superando a casa dos R$ 5,0 bilhões de faturamento por ano.
Ao desembarcar trazia consigo esposa e filho, US$ 6 mil no bolso – todas as suas economias – e as marcas que jamais se apagarão de um campo de concentração. Veio no rastro de uma tia que fugiu da Polônia antes da guerra e que morava no Rio de Janeiro. Depois de seis semanas no Rio, Samuel decidiu tocar sua vida a partir de São Caetano do Sul, no estado de São Paulo. Com o dinheiro comprou uma casa, um cavalo, uma charrete e mercadorias, e começou a mascatear:
“Eu vendia em São Caetano e em São Paulo. Os consumidores eram, na maioria, nordestinos, que vinham atrás de trabalho... A primeira loja foi inaugurada em 30 de novembro de 1957... se chamava Casa BAHIA em homenagem aos nordestinos...”
“É uma firma familiar, não tem acionistas... Eu estou há 50 anos aqui, construí esse império sozinho, com a ajuda de fregueses, de meus filhos, de minha esposa e dos 18 mil funcionários que eu tenho.”
“Eu passei o ‘Dedicação total a você’ para os funcionários, de tratar os fregueses como amigos. E até hoje funciona do mesmo jeito... E eu, como sou um homem simples, não tenho nem primário – não consegui estudar por causa da guerra – e como sou de família pobre, procurei o povão. E com o povão eu me entendo muito bem.”
“... Hoje temos 7,5 milhões de clientes pagando carnê... Só de vendedores nas lojas temos 6 mil. Então, o cliente vem na Casas Bahia, paga o carnê, liquida o carnê, e o vendedor não deixa ele ir embora. Vai vendendo tudo o que ele precisa, com prazo...”
“No ano passado, meus funcionários me fizeram uma festa surpresa. Trouxeram artistas, cantamos parabéns, foi muito emocionante. Este ano parece que eles também vão fazer... Graças a Deus tenho tudo... Os meus funcionários são meus amigos. Com os fornecedores é a mesma coisa. Uma vez eles me homenagearam dizendo: ‘Temos um papa polonês’. Porque eu sou polonês e eles quiseram dizer que eu sou o papa do varejo... Pretendo trabalhar até morrer...”


