Incomoda menos permanecer na fila desde que a fila ande. É o que se aprende a primeira vez que se vai aos parques da DISNEY. As filas não são uma linha reta; são no formato de caracol. Assim, quando você entra, sua sensação é que a fila é pequena, ou não tão grande como comentavam. E quando anda, anda em curva, a sensação de espera é, sensivelmente, atenuada.
De uns anos para cá a economia brasileira começou a andar. Não no ritmo que gostaríamos, mas, melhor do que ficou nos anos 1980. E em 2010 e 2011 a sensação era a de que a velocidade aumentou e em muito. E essa sensação não está errada. Na medida em que, quando se olha pela janela, e se vê muitos países pelo mundo com suas economias estagnadas e voltando para trás, mesmo andando a 3%,4%,5% de crescimento ao ano, parece que ingressamos em velocidade vertiginosa. Não ingressamos. Apenas melhoramos o que é muito bom e, neste momento, a fila no Brasil anda um pouco mais depressa do que na maioria dos países, mas ainda muito distante da velocidade necessária e desejada.
Os números são claros. Na fotografia de 2011 saímos muito bem na foto. Porque fomos relativamente bem, e quase todos os outros países na nossa frente foram muito mal; alguns, péssimos, mesmo. Assim, fechamos os números de 2011 ostentando uma extraordinária sexta colocação dentre todos os países no tocante ao PIB – Produto Interno Bruto. Ultrapassamos países como o REINO UNIDO, ITÁLIA, RÚSSIA, ÍNDIA, e muitos outros mais. Suficiente para nos entusiasmarmos porque a fila começou a andar, mas com a sensibilidade e inteligência de entender que temos um longo caminho pela frente – mais de duas décadas – para verdadeiramente garantirmos à maioria dos brasileiros uma qualidade de vida compatível com outros países.
Os mais de US$ 2,5 bilhões do PIB brasileiro de 2011, perdem um pouco de seu brilho, e nos recomendam manter a serenidade e os pés no chão, quando transformando esse dado absoluto em dado relativo. Assim, saindo na foto como a sexta economia mundial em 2011, permanecemos na 47ª posição mundial em termos de PIB PER CAPITA, o total do Produto Interno Bruto dividido pela população. Nossos gloriosos US$ 2,5 bi transforma-se em US$ 9,390 por habitante do país, contra US$ 84,290 da NORUEGA, US$ 71,160 de LUXEMBURGO, US$ 71,530 da SUÍÇA, US$ 59,050 da DINAMARCA, e US$ 47,390 dos ESTADOS UNIDOS, dentre as 46 economias que se encontram em nossa frente. Se o viés for o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – a situação piora bastante. Caímos para a 84ª posição.
Assim vamos comemorar as recentes conquistas, nos empenharmos para manter a fila andando e em velocidade crescente, e almejarmos a felicidade dentro dessa realidade. Qualquer projeção consistente, por mais otimista que seja, estima que, se tudo der certo, ainda precisaremos de duas ou três décadas para nos considerarmos, finalmente, um país desenvolvido.
FRANCISCO MADIA, especial para o MADIAMUNDOMARKETING
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